COLUNISTA
No dia de 10 de setembro comemora-se (muito pouco) o lançamento do primeiro jornal impresso no Brasil: A Gazeta do Rio de Janeiro (*), que começou a circular em 1808. As impressoras foram trazidas da Inglaterra. Era um jornal bi-semanal, e “chapa-branca”, porque só falava “bem” dos assuntos de interesse da corte. Ou seja, estava mais para coluna social, com notas relacionadas a cabeças coroadas, casamentos dos príncipes, etc, do que para intérprete das notícias políticas e econômicas.. Seu editor era um frei português, Tribúcio José da Rocha, mas o redador-chefe era um baiano que se mudou muito moço pra Lisboa, e lá formou-se professor e foi trabalhar no Observatório Real da Marinha, aonde aprendeu o ofício de jornalista (padrão da época).
Parênteses: quem trabalhou em jornal, sobretudo quando as notícias e comentários mais relevantes vinham de suas páginas (o rádio era mais “bom dia, dona Maria”, com exceção dos poucos noticiários relevantes, como o Repórter Esso, nunca vai esquecer. A agitação criativa de assuntos que circulavam pelo ar, um ensurdecedor bater de máquinas de escrever, na redação, os vai-e-vem dos corredores, o “furo” e o cruzar nos andares ou elevadores com monstros sagrados, era a febre do bem. Adrenalina pura. No meu caso, por exemplo, primeiro no Correio da Manhã, com Álvaro Lins, Austregésilo de Athayde, Odylo Costa, filho; depois, na Gazeta Mercantil, com Roberto Müller, Cláudio Lachine, Mathias Molina, tantos e, por último, e durante 10 anos, no Jornal do Brasil -- já sem Alberto Dines e Sette-Câmara -- mas com Ricardo Boechat chefiando a redação e redatores de tarimba 100, como o Wilson Figueiredo, Paulo Amador e ... um“cast” de mulheres de charme e competência. Ana Ramalho (minha afilhada querida, amiga de toda uma vida que partiu cedo demais), Márcia Peltier, Hildegard Angel, Heloísa Tolipan, e Iesa Rodrigues, para não me alongar, felizmente todas vivinhas-da-silva, graças a Deus.
Um corte para uma lição do melhor jornalismo. Certa vez, em uma reunião de pauta das quartas-feiras, na redação da Gazeta Mercantil, em São Paulo, o veterano Clúdio Lachini iniciou a rodada lançando a pergunta: “se o mundo acabasse amanhã, mas sobrássemos nós (risos!), qual deveria ser a manchete da Gazeta no dia seguinte?” Todos capricharam no “lead” (chamada principal) e ele, depois de ouvir a “sacada genial” de cada um de nós, atalhou: “errado! A manchete deveria ser ... Os Novos Planos de Deus”.
Bingo!
Vida que segue.
(*) Embora A Gazeta do Rio tenha sido o 1º jornal impresso no Brasil, não foi o 1º jornal brasileiro. Este foi o Correio Braziliense, lançado em Londres, em junho de 1808, por Hipólito José da Costa, um gaúcho, diplomata e exilado político.
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