Edição: sexta-feira, 06 de novembro de 2026

Reinaldo Paes Barreto

COLUNISTA

Reinaldo Paes Barreto

Rir é o melhor remédio

Roubo esse título de uma seção muito interessante, da revista Seleções Reader Digest. E assino embaixo, porque o riso é uma reação emocional (genuína ou provocada) diante de certas situações positivas ou negativas -- que a vida apresenta. Por isso, o assunto “rir” é mais sério do que parece....

Parênteses para um subproduto: o riso, uma manifestação sonora da boca, e o sorriso, uma manifestação facial, silenciosa. Como no famoso quadro da Monal Lisa. Mas vamos lá: há o riso instintivo, que pode ser provocado por uma situação cômica (alguém erra de cadeira e cai no chão) pelo contraste, pelo absurdo, pelo inesperado, ou pelo surrealismo (um gigante sentado num penico).

Já o riso social pode ser provocado pela intenção de usar o riso com uma das três “armas”. Defesa, quando uma situação constrange; catarse, como no caso do Elon Musk(*), após perder as eleições do seu partido, nos EUA. Ou “discurso”, para apontar o errado, o falso, o ridículo, o absurdo. Nesse campo, não é o riso “do autor” só o que conta. É também de quem toma conhecimento desse desacerto, seja em um filme, livro, jornal (charges, caricaturas), um site ou um meme.

Na literatura portuguesa, há a gargalhada sarcástica do o Eça de Queiroz, o riso irônico do Machado de Assis, o riso que pode avançar até a lágrima, nos filmes do Chaplin; ou que fazem se conformar com a vida. como no cinema de Fellini. Na TV brasileira, fico com os mestres Jô Soares e Chico Anísio, Tom Cavalcante, e um pouco mais para o pastelão com o Golias, Renato Aragão e o José de Vasconcellos. Já na charge, registro os insuperáveis Ziraldo, Jaguar, Henfil e o Millor.

Finalmente, temos dois extremos: o riso-relâmpago, provocado por um fato externo, repentino, como o desfecho de uma boa piada ou uma calça que rasga nos fundilhos... e o riso social, ou postural, que é mais uma arma contra a timidez, ou para posar para um retrato ou uma plateia.

Ou seja, rir é o melhor remédio. Mas, mas como todo remédio, tem que ser usado na dose certa, na hora certa. Se não, o efeito pode ser contrário

(*) Elon Musk declarou no dia seguinte à fragorosa derrota dos republicanos, nos EUA, para cuja campanha doou R$ 2,6 bi, que “parece que meus raios laser espaciais de interferência eleitoral não funcionaram desta vez”

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