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domingo, 15 de fevereiro de 2026


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Sabor em cena

Marcelus Fassano

Sabor em cena

O prato que você pode levar para casa

Se você estava procurando um bom motivo para sair de casa neste Carnaval, talvez ele esteja mais perto do que imagina. E não, não estou falando de bloco nem de trio elétrico.

Estou falando daquele Carnaval sem pressa, sem empurrões, em que o melhor programa é sentar à mesa e aproveitar uma boa refeição. Melhor ainda quando a experiência não termina junto com a sobremesa.

É exatamente aí que entra um dos movimentos mais interessantes da gastronomia brasileira: os Pratos da Boa Lembrança. Restaurantes selecionados a dedo criam receitas especiais para o projeto e, ao escolher esse prato, o cliente, depois de se deliciar com a refeição, leva para casa uma peça de cerâmica pintada à mão, exclusiva daquele restaurante e daquele ano, criada para representar o prato que acabou de saborear.
O mais legal é que não se trata de brinde nem de ação promocional, e importante, não existe pegadinha na hora de fechar a conta por causa da peça. É tradição.

Foto 1
Criado nos anos 1990 com inspiração italiana, o movimento formou ao longo do tempo um público fiel de verdadeiros colecionadores. Gente que viaja o Brasil com um objetivo muito claro: descobrir novos restaurantes da Boa Lembrança e ampliar a coleção que, quase sempre, acaba orgulhosamente exposta na parede.

Aqui na serra, o restaurante 2 Vales vem escrevendo um capítulo importante dessa história. Localizado no Vale do Cuiabá, em Itaipava, a casa figura hoje entre os quatro restaurantes que mais se destacam nacionalmente dentro da associação. Um reconhecimento que nasce da consistência ao longo dos anos.
Não se trata de um único prato de sucesso. É uma sequência de criações que respeitam o espírito do projeto e mantêm identidade própria em cada edição. Há ainda um detalhe que muita gente só descobre depois que entra nesse universo: os pratos são exclusivos e produzidos em tiragem limitada. Quando acabam, não são refeitos.
Eu mesmo aprendi isso da forma mais dolorosa. Quebrei um prato, não me perguntem como, na casa dos amigos Vanessa e Ivanir, e nunca mais consegui encontrar outro igual para substituir. Viraram pequenas raridades.

Conversando recentemente com o Wellington, proprietário do restaurante, revisitei parte dessa trajetória que já conquistou público fiel e muitos colecionadores pelo caminho. O que se percebe ali é um entendimento claro de que, antes de virar peça de parede, o prato precisa convencer na mesa. E talvez esteja aí o segredo: uma harmonia entre arte e sabor.

Em um mundo cada vez mais dominado por experiências rápidas e digitais, sentar para comer bem e ainda levar para casa uma lembrança física daquela noite virou quase um pequeno luxo contemporâneo.

No Carnaval, o 2 Vales, estará aberto diariamente para almoço e jantar.

Quem começa a coleção descobre rápido: dificilmente o primeiro prato fica sozinho na parede.

Foto 2

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