Marcelus Fassano
Quando você pensa em churrasco, logo imagina: cerveja gelada, fumaça subindo da brasa e conversa atravessando a tarde sem pedir licença. É quase um patrimônio afetivo nacional. Meu também, confesso. Gosto muito.
Mas as coisas estão mudando.
Estive na Churrascaria Lago Sul a convite dos amigos Marcelo Gontijo e Ney Loureiro para um encontro da confraria de vinhos. Daquelas formadas não por conhecidos de ocasião, mas por amigos de longa data, que se reúnem mensalmente para fazer o que a boa mesa sempre propôs: comer bem, beber melhor e colocar o papo em dia.
Uma coisa me chamou atenção. Durante todo o jantar, não vi ninguém no celular. Todos presentes de verdade. E quando a companhia é boa e o ambiente ajuda, a experiência naturalmente sobe de nível.
Nesse cenário, a Lago Sul entrega o que se espera de uma grande churrascaria. As carnes impressionam pela variedade e pelo ponto muito bem executado. Sabores limpos, suculência no lugar certo e aquela textura clássica de carne de qualidade que quase permite comer de colher. O atendimento acompanha o ritmo da casa, atento e ágil, sem interferir na conversa, como deve ser.
Com a grelha funcionando nesse nível, a escolha da bebida deixa de ser automática e passa a fazer parte do prazer.
Do ponto de vista técnico, existe uma razão para o vinho funcionar tão bem com churrasco. A gordura e a suculência das carnes pedem bebidas com acidez e, no caso dos tintos, com taninos capazes de limpar o paladar a cada mordida. A cerveja refresca. O vinho, muitas vezes, harmoniza melhor o conjunto da experiência à mesa.
Cortes mais marmorizados, aqueles em que se vê a gordura entremeada na carne, costumam se dar muito bem com tintos de boa estrutura e acidez equilibrada. Já carnes mais delicadas, como mignon ou fraldinha, pedem vinhos de corpo médio, menos potentes e mais elegantes. O equívoco mais comum ainda é apostar apenas na força, quando muitas vezes o equilíbrio entrega a harmonização mais prazerosa. E, nesse quesito, a galera tirou onda: rótulos muito bem escolhidos ao longo da noite.
No fim, entre risadas, excelentes vinhos e uma refeição impecável, ainda houve um Porto para encerrar daqueles momentos que só mesas formadas por amigos antigos conseguem proporcionar.
Posso afirmar sem medo de errar: boa comida melhora quando a mesa é bem escolhida.
E você, já testou vinho no seu churrasco ou ainda não saiu do piloto automático?
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