Marcelus Fassano
Na semana passada publiquei no Instagram um carrossel com um roteiro de Secretário. Reuni algumas vinícolas, passeios e os restaurantes que mais gosto de visitar na região.
A repercussão foi enorme.
Mas o que mais me chamou atenção não foram os elogios ao roteiro. Foi a quantidade de pessoas perguntando a mesma coisa:
"Como o Maritsa ficou de fora?"
Quando dezenas de pessoas apontam o mesmo endereço, vale dar atenção.
Foi exatamente o que fiz.
Alguns dias depois, eu e Isabela seguimos para Secretário para descobrir o motivo de tanta insistência.
Logo na chegada, tive a sensação de estar entrando em um pequeno restaurante na Grécia. A decoração, os tons de azul e branco e o clima acolhedor criam essa impressão imediatamente. Foi conversando com a chef Catherine Christides que entendi que aquilo não era coincidência.
Descendente de gregos, Catherine passou um período morando na Itália. Em Bari, trabalhou em restaurantes familiares, estudou na Scuola Italiana Pizzaioli e aprofundou seus conhecimentos na gastronomia italiana antes de voltar ao Brasil para abrir o Maritsa.
O Maritsa nasceu bem diferente do que encontramos hoje.
Inspirada nas pizzarias de Roma, ela trouxe para Secretário a pizza romana al taglio, vendida em fatias e tradicionalmente consumida com as mãos.
A novidade chamou atenção, mas logo ficou claro que o hábito por aqui era outro. Muitos clientes pediam talheres ou solicitavam que as fatias fossem cortadas em pedaços menores.
Foi nesse momento que Catherine tomou uma decisão importante. Em vez de insistir na ideia original, adaptou o conceito da casa sem abrir mão daquilo que realmente importava: a fermentação longa, a qualidade dos ingredientes e o cuidado com cada pizza que saía do forno.
Na mesa, começamos pela Melanzane alla Parmigiana.
Berinjela assada, pesto de manjericão, parmesão italiano e folhas frescas. Uma entrada delicada, equilibrada e cheia de sabor, daquelas que desaparecem da mesa naturalmente.
Depois veio a pizza Emirates, o carro-chefe da casa.
Mozzarella de búfala, gorgonzola da Mantiqueira, tâmaras, presunto serrano espanhol e pistache. Uma combinação que desperta curiosidade logo no cardápio. Parece improvável, mas basta a primeira mordida para entender por que ela se tornou a pizza mais pedida da casa.
Mas o grande destaque da noite estava na massa.
Há muito tempo eu não encontrava uma massa com essa textura. Extremamente leve, aerada, macia e, ao mesmo tempo, crocante. É daquelas pizzas que terminam sem deixar aquela sensação de excesso. Pelo contrário. Fazem nascer a vontade de conhecer outro sabor.
Foi aí que entendi a cena que me deixou curioso durante toda a noite.
Por todo o salão, as mesas eram ocupadas por torres metálicas sustentando três pizzas. A massa é tão leve que o bis, por ali, costuma virar tris. A torre, criada pela própria chef, acabou se tornando uma marca do Maritsa.
Quando publiquei aquele roteiro, achei que estava mostrando o melhor de Secretário.
Os comentários provaram que ainda havia uma bela descoberta pela frente.
Ainda bem.
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