Edição: sexta-feira, 17 de julho de 2026

Vida Patriótica

COLUNISTA

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ANIVERSARIANTES AMIRP Dia 17 - Joana Candida de Mello Vivarini; dia 21 - José de Souza Silva, Ophélia Martins Tardioli; dia 22 Lucas Santos Lima. A Coluna Vida Militar e a AMIRP parabenizam a todos desejando saúde e felicidades.

Aniversariantes AMIRP

BIOTÔNICO FONTOURA: O REMÉDIO ALCOÓLICO POPULARIZADO POR MONTEIRO LOBATO QUE FEZ PARTE DA INFÂNCIA BRASILEIRA NO SÉCULO XX (fonte: www.bbc.com/portuguese ; Edison Veiga, 7 de julho de 2026) - Há 25 anos o governo federal do Brasil proibiu que tônicos, fortificantes e estimuladores de apetite contivessem álcool em sua fórmula. A medida obrigou um dos mais tradicionais produtos brasileiros, o Biotônico Fontoura, a mudar sua fórmula. Criado em 1910, o popular fortificante que, ao longo do século passado, se tornou quase onipresente nos lares do país, continha 9,5% de etanol em sua composição. Em média, essa é a graduação alcoólica de um vinho espumante. Uma cerveja comum no Brasil costuma ter a metade desse índice. Mas a história do Biotônico Fontoura vai muito além dessa peculiaridade etílica. É uma trajetória centenária, que mescla elementos culturais, sabedoria popular e acompanhou, de certa forma, a evolução da saúde pública no Brasil. Tudo começou em 1910, no interior paulista.

 (foto 3  Biotônico Fontoura)

Um farmacêutico chamado Cândido Fontoura Silveira (1885-1974) resolveu inventar uma fórmula para ajudar sua mulher, Elvira Siqueira de Castro, que tinha queixas constantes de fraqueza. Ele desenvolveu um produto com fosfatos, sais de ferro e vinho espanhol. Aparentemente, deu certo. "A maioria dos medicamentos daquela época era manipulada de forma artesanal pelos farmacêuticos, chamados de boticários, nas suas próprias boticas ou em pequenos laboratórios", contextualiza o farmacêutico Eder de Carvalho Pincinato, professor na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Ele conta que os profissionais moíam ervas e minerais, destilavam plantas e preparavam unguentos e fórmulas magistrais ou oficinais. Tudo com o "intuito de acabar com os 'males' mais comuns da população". Além do Fontoura, também marcaram época produtos como o Elixir de Nogueira, que era feito à base de nogueira e outras plantas medicinais, a Emulsão Scott, feita a partir de óleo de fígado de bacalhau, a pomada Minâncora, que contém zinco e cânfora, entre outros. Ainda não havia rótulo nem nome para o preparado. Em 1916, Fontoura aproximou-se do escritor e fazendeiro Monteiro Lobato (1882-1948). Na época, ambos eram colaboradores do jornal “O Estado de S. Paulo”. O escritor teria se queixado ao farmacêutico de cansaço e fadiga. Este prontamente providenciou a ele o fortificante. Fascinado com o resultado, Lobato passou a ser um entusiasta divulgador do produto. Teria sido dele a ideia do nome: Biotônico, o "tônico da vida", e Fontoura, sobrenome pelo qual o farmacêutico era conhecido. A essa altura, já havia autorização do Serviço Sanitário do Estado e o fortificante podia ser vendido em todas as praças paulistas. Segundo a Hypera Pharma, ainda reinava o improviso: os frascos não eram padronizados e os rótulos, desenhados à mão por um auxiliar da farmácia. "Em uma das idas de Cândido Fontoura a São Paulo, levou um frasco e o desenho original dos rótulos à Litografia Ipiranga, pioneira na impressão gráfica em cores na América do Sul. Um mês depois, chegavam a Bragança os rótulos verdes litografados que foram a cara da marca por quase um século: uma trama de floreios em estilo “art nouveau” enlaçando o nome do produto e, embaixo, em letras maiúsculas, a descrição de suas propriedades", relata a assessoria de imprensa da detentora da marca.  descrição funcionava quase como um slogan em si. Dizia assim: "Regenera o sangue, tonifica os músculos, fortalece os nervos". Tornou-se um marco da indústria nacional. Surgiu no início do século passado, quando a indústria era basicamente baseada em ervas e produtos fitoterápicos, com poucas drogas de síntese disponíveis. Naquela época, quase tudo eram tônicos e elixires. Nota do redator de Vida Patriótica: da minha infância e adolescência lembro do “gingle” “B A BA, B É  BÉ, B I Biotônico Fontoura! .

 (foto 4  propaganda biotônico)
REVOLUÇÃO PAULISTA DE 1932 (Fonte: internet) - A Revolução Constitucionalista de 1932 foi um conflito armado liderado pelo estado de São Paulo contra o governo provisório de Getúlio Vargas, motivado pela exigência da destituição do presidente e da convocação de uma Assembleia Constituinte. Iniciada em 9 de julho de 1932, a revolta durou cerca de três meses e terminou com a rendição militar dos paulistas em 1º de outubro do mesmo ano. Apesar da derrota militar, o movimento alcançou sua principal meta política: a promulgação de uma nova Constituição para o Brasil em 1934. A Revolução de 1930 rompeu a política do café com leite, tirando a elite cafeeira paulista do poder. O Presidente Getúlio Vargas nomeava interventores militares de outros estados para governar São Paulo, gerando forte descontentamento local. A grande depressão global afetava duramente o comércio internacional e as exportações paulistas de café. Durante um protesto contra o governo federal no centro da capital paulista, forças pró-Vargas reagiram com violência. Quatro jovens estudantes foram baleados e morreram: Martins, Miragaia, Dráusio e Camargo. O trágico evento originou a milícia clandestina MMDC, cujas iniciais viraram o símbolo máximo da mobilização e do recrutamento paulista para a guerra civil.

A mobilização em São Paulo engajou toda a sociedade em um esforço de guerra sem precedentes na história do país.  Cerca de 40 mil civis pegaram em armas ao lado da Força Pública estadual.  As mulheres paulistas atuaram na retaguarda técnica, enfermagem e até nos combates, com destaque para a atuação de Maria Soldado.  Fábricas paulistas pararam a produção regular para fundir munições, capacetes e projetar o famoso trem blindado. São Paulo contava com o apoio prometido de outros estados importantes, como Minas Gerais e Rio Grande do Sul. No entanto, essas forças recuaram e mantiveram-se leais a Vargas. Isolado militarmente e cercado pelas tropas federais o estado não resistiu à pressão econômica e ao bloqueio naval do porto de Santos. A rendição oficial foi assinada em outubro, deixando um saldo estimado de 943 mortos paulistas.  Sentindo a pressão política, Getúlio Vargas acelerou os trabalhos da comissão constitucional e convocou eleições legislativas em 1933. A Nova Constituição de 1934 oficializou conquistas como o voto secreto e o voto feminino. O dia 9 de julho tornou-se a data magna e feriado civil em todo o estado de São Paulo, celebrando o sacrifício dos combatentes.

(foto 5  Revolução Paulista)
“Nós somos o que fazemos repetidamente, a excelência não é um feito, e sim, um hábito.” (Aristóteles)

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