Dossiê Mulher referente a 2024 foi divulgado nessa quinta-feira (4)
Larissa Martins
Petrópolis registou 3.127 casos de violência contra a mulher em 2024, aponta a edição temática de 20 anos do Dossiê Mulher, relatório produzido pelo Instituto de Segurança Pública (ISP), divulgada nessa quinta-feira (4).
O levantamento mostra que a violência psicológica, forma de abuso invisível que causa dano emocional e busca manipular a vítima, liderou os registros, com 1.117 ocorrências. Outros tipos de violência foram: moral (828), física (783), sexual (216) e patrimonial (183).
De acordo com o painel, Petrópolis está entre os municípios com os maiores índices de descumprimento de medida protetiva em 2024, com 138 registros logo atrás de Rio de Janeiro (1.259 casos), Duque de Caxias (305), Nova Iguaçu (261) e Niterói (146).
Todas essas cidades, situadas na Região Metropolitana, reúnem não apenas os maiores números absolutos de descumprimentos, como também figuram entre as mais densamente povoadas do estado, com exceção de Petrópolis.
Análise estadual
Em todo o Estado do Rio de Janeiro, a violência psicológica liderou os registros entre os crimes praticados contra mulheres em 2024. Mais de um terço das vítimas (36,5%) sofreu esse tipo de violência, e em média, 153 mulheres foram vítimas desse crime no estado por dia, totalizando 56.206. Mais da metade dos abusos (67,3%) foram cometidos por pessoas conhecidas, sendo que a grande maioria eram os companheiros ou ex-companheiros dessas mulheres (49,6%), e as violências aconteceram dentro de casa (49,2%).
Também chama a atenção o crescimento expressivo de registros de perseguição e assédio no ambiente virtual: foram 55 vítimas em 2014 contra 2.834 em 2024, um aumento superior a 5.000%, número que reflete também o avanço na conscientização das vítimas sobre a importância de denunciar crimes digitais.
O estudo mostra também que quase metade das mulheres fluminenses que registraram uma denúncia de alguma violência numa delegacia policial foram vitimadas pelo companheiro ou ex. Esse número também é reforçado quando analisados os locais de maior ocorrência desses crimes: mais da metade das agressões aconteceram dentro de uma residência (50,6%) e, na maior parte dos casos, pessoas do círculo de convivência dessas mulheres foram responsáveis pelas agressões cometidas. Segundo o Dossiê, mais de 154 mil mulheres foram vítimas de violência no estado do Rio de Janeiro, ou seja, 18 mulheres sofreram algum tipo de violência por hora em 2024.
“Completar 20 anos de Dossiê Mulher é reafirmar o compromisso do Governo do Estado com a proteção e acolhimento das mulheres fluminenses. Ao longo de duas décadas, os dados que divulgamos, de forma inovadora e pioneira, reforçam que políticas públicas integradas e baseadas em evidências são essenciais para prevenir violências, acolher as vítimas e responsabilizar os autores. O Dossiê não é apenas um relatório, ele é uma ferramenta estratégica que orienta ações e salva vidas”, explicou a diretora-presidente do ISP, Marcela Ortiz.
Feminicídio
Em 2024, 107 mulheres foram vítimas de feminicídio no estado do Rio de Janeiro e quase dos feminicídios e tentativas de feminicídios ocorreram dentro de casa. Das 107 mulheres vítimas em razão de gênero em 2024, 71 eram mães; 33 tinham filhos menores de idade e 13 delas foram mortas na presença de seus filhos. Mais da metade já haviam sofrido outros tipos de violência, mas não chegaram a registrar a denúncia numa delegacia de polícia. A maior parte das vítimas de feminicídio tinham entre 30 e 59 anos (59,8%) e eram negras (71%).
Nesta edição, foi realizada uma análise inédita do histórico de maus antecedentes criminais dos autores de feminicídio. Quase 60% dos agressores possuíam algum tipo de registro criminal pregresso e, em média, cada autor havia respondido por quatro crimes antes do feminicídio. Além disso, em 22,9% dos casos, os autores do crime haviam consumido álcool e drogas.
Onde procurar ajuda?
CRAM
Os Centros de Atendimento à Mulher (CRAM, CEAM, CREM, CREAM, CRM e CEOM) integram a rede de enfrentamento à violência de gênero como espaços especializados de acolhimento, orientação e encaminhamento. Essas unidades oferecem suporte psicossocial, atendimento jurídico e acompanhamento às mulheres em situação de violência, atuando de forma articulada com demais serviços da rede de proteção e do sistema de justiça.
CRAM - Petrópolis
Endereço: Rua Santos Dumont, 100 - Centro
Horário de funcionamento: Seg a sex, 9h às 17h
Telefone: (24) 2243-6152/22436212/ 98839-7387 (Emergência)
JVDFM
Os Juizados Especializados de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher (JVDFM) do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJRJ) desempenham um papel essencial na garantia de proteção, justiça e acolhimento às mulheres em situação de violência.
Além do atendimento presencial, o TJRJ disponibiliza o Balcão Virtual, plataforma de atendimento online que facilita o primeiro contato, oferecendo suporte remoto de forma ágil e acessível. O serviço funciona de segunda a sexta-feira, das 11h às 18h, permitindo que, mesmo à distância, seja iniciada a tramitação de demandas relacionadas à violência doméstica, incluindo a solicitação de medida protetiva.
JVDFM - COMARCA DE PETRÓPOLIS
Endereço: Estrada União Indústria, 9900 - Itaipava
Horário de funcionamento: Seg a sex, 11h às 18h
Painel
O Dossiê completo está disponível no endereço: https://www.rj.gov.br/isp/node/2105 .
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