Edição anterior (4166):
terça-feira, 03 de fevereiro de 2026


Capa 4166

Compulsivamente conectados

Ataualpa A. P. Filho - professor

Foto: Pixabay
Foto: Pixabay


A conversa fiada e desfiada tem sido usada como “canto de sereia” com o propósito de iludir. O volume de informação jogado nos meios de comunicação de massa, nas redes sociais, geralmente, é assimilado sem uma depuração criteriosa para que se possa encontrar a essência da verdade.

Precisamos agir com bastante atenção para não nos deixar enganar pelas versões. É preciso ter conhecimento dos fatos e analisá-los para encontrar os alicerces de um posicionamento sólido diante da realidade. No “ouvi dizer”, pode haver leviandade. É preciso ter cuidado com o “compartilhe” dos que se julgam influenciadores.

É do conhecimento popular que a mentira tem pernas curtas. Mas, nas redes sociais, ela ganha velocidade, às vezes, chega primeiro do que a verdade. Quando a verdade tarda, lamentavelmente, o estrago da mentira é enorme. Há casos até de irreversibilidade, pelas consequências lesivas.

Inquestionavelmente a retórica é uma arte. Por meio dela, é possível identificar o “ethos”, a credibilidade e o caráter do orador; o “pathos”, a apelação emocional com o objetivo de sensibilizar os receptores; o “logos”, referente ao uso da lógica e ao desenvolvimento dos argumentos racionais.

Cabe mencionar que a “retórica” difere da “oratória”, que se caracteriza como a arte de falar em público, explorando técnicas vocais, postura e expressões teatralizadas. Enquanto a retórica está voltada para a construção de argumentos para convencer, persuadir; preocupada com “o que se fala”; a oratória concentra-se no “como se fala”. E aqui está o assunto da nossa prosa, porque hoje há um aprimoramento no ato de falar o óbvio como algo extraordinário. Há muitos especialistas na explanação de trivialidades como novidades esplendorosas.

Constata-se, com clareza, o aprimoramento na exposição de conteúdos fúteis. E, quando viralizam, às vezes, até são monetizados. Isso não deixa de ser um incentivo à propagação do supérfluo.

Na semana que passou, as discussões entre pais e educadores ficaram voltadas para o julgamento, no Supremo Tribunal da Califórnia, nos Estados Unidos da América, de big techs como Meta, Google, TikTok, Snapchat, que estão sendo acusadas por contribuir para o agravamento de problemas mentais em crianças e adolescentes.

Esse processo foi aberto por uma jovem californiana que afirma ter desenvolvido uma dependência, quando adolescente, pelo acesso compulsivo a plataformas digitais. A alegação se fundamenta no fato de que os aplicativos são criados intencionalmente para gerar dependência. E aponta o algoritmo como elemento usado para alimentar o vício em mídias sociais, pois ele identifica as preferências dos usuários e oferece opções constantes de produtos afins, isto é, tem a capacidade de oferecer o mesmo do mesmo sem que seja solicitado. Isso leva à rolagem infinita (infinite scroll). O usuário é induzido a ficar mais tempo, preso às plataformas. Esse fato ocorre quando técnicas de psicologia comportamental são empregadas. Portanto, há um planejamento, uma estratégia para prender a atenção dos usuários. E, consequentemente, deixá-los expostos aos conteúdos oferecidos.

Em relação ao processo citado, TikTok e Snapchat fecharam um acordo para fugir das acusações.

Pais e educadores sabem o quanto é difícil tirar um celular das mãos de um adolescente. Inegavelmente existe um mecanismo que conduz à compulsividade que se assemelha ao vício em máquinas caça-níqueis. É comum encontrar crianças e adolescentes jogando, mesmo durante as refeições. Alguns agem com agressividade quando são impedidos de fazer uso do celular. Não há como encarar esse caso como algo normal.

Foi-se o tempo em que se vendia gato por lebre. Hoje não se vende nem o gato, nem a lebre. Mas a ideia de gato e lebre inseridas em um mundo virtual, impalpável, porém acessível por um “enter”.

A realidade virtual ganhou uma consistência a ponto de tornar desnecessária a presença de papel moeda para a realização de uma transação comercial. O cartão de crédito, de débito, o Pix são usados até para pagar um simples cafezinho.

O cheque está se tornando obsoleto. As operações comerciais com cheques pré-datados já são vistas como “coisa do passado”. O Bitcoin, uma criptomoeda, ainda não está assim tão assimilada pelo povo brasileiro, a credibilidade é pequena em razão da vulnerabilidade dela.

Na outra ponta desse avanço do mundo digital, encontramos pessoas humildes que ainda precisam de ajuda para acessar uma simples máquina de um caixa eletrônico. Para essas pessoas, bancos digitais são “coisas de outro mundo”. Elas são as que mais ficam expostas aos golpes dos que dominam senhas e códigos e que usam nocivamente a Tecnologia da Informação.

Edição anterior (4166):
terça-feira, 03 de fevereiro de 2026


Capa 4166

Veja também:




• Home
• Expediente
• Contato
 (24) 99993-1390
redacao@diariodepetropolis.com.br
Rua Joaquim Moreira, 106
Centro - Petrópolis
Cep: 25600-000

 Telefones:
(24) 98864-0574 - Administração
(24) 98865-1296 - Comercial
(24) 98864-0573 - Financeiro
(24) 99993-1390 - Redação
(24) 2235-7165 - Geral