Cadeira, escada, panela e outras utilidades: comprar no mercado formal, ter selo de conformidade e orientações do fabricante são dicas para um ambiente seguro
Fiscalizar e verificar se os estabelecimentos comerciais estão disponibilizando cadeiras, extintores de incêndio, escadas metálicas, panelas metálicas e de pressão com o selo de conformidade do Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro). Esse é um dos objetivos da Operação Ambiente Seguro, realizada pelos órgãos delegados do Inmetro em todo o Brasil, entre os dias 8 e 12 de abril. O objetivo é, também, garantir concorrência justa no preço desses produtos e reduzir o número de acidentes causados por eles.
Em entrevista à Agência Gov, Hercules Antonio da Silva Souza, pesquisador e tecnologista em Metrologia e Qualidade do Inmetro, recomenda que, em primeiro lugar, os consumidores devem comprar seus produtos no mercado formal. Em seguida, verificar se há o selo de conformidade do Inmetro - a evidência de que o produto passou por uma série de testes e que, portanto, atende aos requisitos mínimos de segurança - e, por fim, seguir as recomendações de uso dos fabricantes. "A gente sabe que o mercado paralelo tem uma incidência muito maior de produtos que não são, de fato, seguros. Então, a primeira orientação é não comprar esses produtos no mercado informal. É aquela coisa do barato que acaba saindo muito mais caro porque o consumidor vai ter problema", disse.
Outra recomendação importante é, se o consumidor encontrar produtos comercializados sem o selo do Inmetro, entre em contato com o Instituto para apresentar o problema e evitar, assim, que seja comercializado. Os canais institucionais são o telefone 0800 285 1818 e o site. Clique aqui para acessar.
Para quem tem medo de usar a panela de pressão, o pesquisador reforça a importância não apenas de verificar se há o selo do Inmetro, mas também de seguir as orientações do fabricante, incluindo a manutenção do objeto.
"É importante que o selo do Inmetro esteja presente para garantir que ela passou por um processo de verificação do atendimento às regulamentações de segurança, mas o consumidor também tem que estar atento a alguns procedimentos ao utilizar. Por exemplo, aquela borracha que veda a tampa precisa estar íntegra, não pode estar ressecada, então, o consumidor tem que estar atento à necessidade de trocá-la. As válvulas de segurança, especialmente a da panela, precisa estar desobstruída, não danificada, e também têm um período de vida útil e precisa ser trocada de tempos em tempos. Outra coisa importante é respeitar o limite de volume de utilização da panela. Panelas danificadas, amassadas, também não devem ser mais utilizadas. E, depois que tirar a panela de pressão do fogão, não se deve tentar acelerar o processo de redução da pressão interna", alerta.
Entre os dias 8 e 10 de abril, foram realizadas 302 ações de fiscalização, contemplando 10 mil objetos com reprovação de 33 deles e apreensão de 13, entre os quais, está a panela metálica.
"Essas operações têm um caráter orientativo, a gente quer que os estabelecimentos atendam o que está estabelecido no regulamento [...]. Queremos criar um ambiente em que os próprios comerciantes, varejistas, atacadistas ou importadores sejam levados a perceber que essas regras servem para produzir um produto de qualidade, adequado, que atenda aos regulamentos e todo mundo sai ganhando no final das contas", concluiu.
De acordo com Hércules Souza, para a criação de um ambiente seguro, tão importante quanto as operações é a parceria com o consumidor por meio da plataforma Sistema Interno de Monitoramento de Acidentes de Consumo (Sinmac), criada para monitorar acidentes de consumo, onde as pessoas podem registrar com quais objetos tiveram problemas.
A seleção (para fiscalização) desses objetos é feita a partir dessa plataforma. O campeão de problemas é a escada metálica, que é um objeto muito utilizado no País e muita gente acaba tendo problema na utilização desse equipamento. Então, a gente acabou optando por fazer uma operação que permita garantir que esses produtos estejam sendo oferecidos para o consumidor de uma maneira segura e que estejam atendendo aos requisitos mínimos estabelecidos, afirmou. A gente usa essas informações como subsídio para ampliar essas operações, como a do Ambiente Seguro, e também para aperfeiçoar nossos regulamentos quando for necessário.
A plataforma está disponível no site do Inmetro, é intuitiva e o consumidor encontrará um questionário para relatar seu problema. Anualmente, o Instituto produz, desde 2006, relatórios com essas informações, disponíveis também no site. Para acessar, clique aqui.
Edição: Paulo Donizetti de Souza
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