Obras seguem se arrastando e vítimas das chuvas de 2011 aguardam há 15 anos por moradias
Larissa Martins
As obras do Conjunto Habitacional da Mosela, localizado na Rua Alberto de Oliveira, em Petrópolis, seguem se arrastando e a previsão de entrega é apenas para 2027. O contrato para a execução do residencial foi assinado em 30 de janeiro de 2025 e está prestes a completar um ano.
O empreendimento está sendo construído por meio de uma parceria entre o Governo do Estado do Rio de Janeiro, por meio da Secretaria de Habitação de Interesse Social (Sehis), a Prefeitura de Petrópolis e a Caixa Econômica Federal.
O investimento total é de quase R$ 23,5 milhões. O valor é aplicado por meio do Fundo de Arrendamento Residencial (FAR), parte do programa Minha Casa, Minha Vida.
A construção de 140 novas moradias, destinadas às famílias que foram afetadas pela tragédia climática de 2011, especialmente no Vale do Cuiabá, teve início em julho de 2025 e, desde então, permanece em estágio inicial. No ano passado, a Caixa Econômica Federal havia informado que a previsão de conclusão era de 18 meses.
“A construtora responsável pela obra é a JES Construções e Reformas Ltda, selecionada por meio de chamamento público, realizado pelo estado do RJ. O prazo estimado para a conclusão da obra é janeiro de 2027”, informou a Caixa Econômica Federal.
Serviços em andamento
De acordo com o projeto, o condomínio contará com áreas comuns, de lazer e convivência, como playground, bicicletário e portaria.
“As obras estão em andamento, em estágio inicial. Até aqui, já foram feitos os serviços de terraplanagem do terreno e está sendo finalizada a implantação do sistema de drenagem. Também já foi feito um muro de contenção. Nas próximas semanas terá início a fundação dos blocos”, informou a Prefeitura.
Processo de seleção dos beneficiários
Há 15 anos, as vítimas das chuvas aguardam por uma moradia digna, após perderem suas casas. A Sehis, em parceria com a Prefeitura de Petrópolis, fará a indicação dos beneficiários das moradias à Caixa Econômica Federal.
“Nas operações do MCMV com recursos FAR, o processo de seleção dos candidatos a beneficiários é realizado pelo ente público, sendo aplicáveis os critérios de seleção indicados nas regras estabelecidas na Portaria MCID nº 738 de 22 de julho de 2024. Tendo em vista o atual percentual de obras do empreendimento, ainda não houve a indicação dos beneficiários pelo ente público. O candidato interessado a participar do programa deve procurar o ente público da sua localidade para obter informações sobre o programa e realizar sua a inscrição no cadastro habitacional”, ressaltou.
Uma década e meia de espera
Cláudia Renata Ramos, CEO da OSC UMAS (União Por Moradia e Assistência social) e Presidente do Movimento do Aluguel Social e Moradia de Petrópolis e da Comissão das vítimas das Tragédias da Região Serrana, lamenta a demora.
“Lutamos por 7 anos pela construção do empreendimento. Muitas famílias ainda aguardam, além dessas moradias, as indenizações do Instituto Estadual do Ambiente (Inea) pelas casas que perderam”, declarou.
Questionado, o Inea respondeu ao Diário sobre o ocorrido. “No que diz respeito às indenizações, o órgão ambiental estadual informa que já realizou parte dos pagamentos e os demais estão com o processo em curso”, disse.
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