Com condições de geração favoráveis, foi possível mudar da bandeira tarifária amarela para verde
O mês de outubro começará sem custo extra na conta de energia dos consumidores. A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) confirmou, na última sexta-feira (25), que a bandeira tarifária para o próximo mês é verde.
Com o início da transição entre os períodos seco e úmido em parte das principais bacias hidrográficas do país, houve aumento do volume de chuvas nas regiões Sul e Sudeste, o que contribuiu para estabilizar o nível dos reservatórios das usinas hidrelétricas. Dessa forma, será possível reduzir o despacho das fontes mais onerosas para a geração, como as usinas termelétricas, o que evita a cobrança de custos adicionais na conta de energia do consumidor.
“A possível transição para a bandeira verde com a chegada da primavera é um sinal positivo para o mercado, refletindo a melhora das vazões afluentes, especialmente na região Sul, que tem contribuído para a queda do Preço de energia do curto prazo (PLD). Combinado ao comportamento do GSF, esse cenário abre espaço para o acionamento da bandeira verde, ainda não confirmada. No entanto, o momento exige cautela: o avanço das temperaturas com a mudança de estação e a possível influência de eventos climáticos como o El Niño tendem a elevar significativamente a demanda por refrigeração e alterar o padrão de chuvas. Para as empresas, um eventual alívio nas tarifas não deve anular a atenção à volatilidade futura do sistema. Na Ludfor, entendemos que o cenário reforça a necessidade de um planejamento energético estruturado e contínuo, permitindo que os negócios mitiguem riscos operacionais e aproveitem o momento para consolidar estratégias de sustentabilidade e previsibilidade orçamentária no Mercado Livre.", Maikon Del Ré Perin, executivo de Risco e Inteligência de Mercado da Ludfor.
O sistema de bandeiras tarifárias foi criado pela ANEEL em 2015 para indicar, aos consumidores, os custos da geração de energia no Brasil. Ele reflete o custo variável da produção de energia, considerando fatores como a disponibilidade de recursos hídricos, o avanço das fontes renováveis, bem como o acionamento de fontes de geração mais caras como as termelétricas.
O sistema permite, ainda, que os consumidores acompanhem, mês a mês, as condições de geração de energia no Brasil e os custos associados ao seu fornecimento. O mecanismo funciona como um sinalizador que torna mais transparente o custo real da energia para a população.
“A mudança reflete uma melhora nas condições de geração de energia, principalmente com a recuperação dos reservatórios e menor necessidade de acionamento de usinas mais caras. Apesar do alívio momentâneo, o histórico recente mostra como os custos de energia podem variar ao longo do ano. Por isso, acompanhar as tarifas e buscar mais previsibilidade nos gastos continua sendo uma estratégia importante para todos os consumidores”, diz Alan Henn, CEO da Voltera.
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