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Convivência entre avós e netos pode ajudar memória, saúde mental e fortalecer vínculos familiares

Foto: Magnific
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Jamis Gomes Jr. - especial para o Diário

Um estudo publicado recentemente pela revista científica Psychology and Aging reforçou algo que muitas famílias já percebem na prática: a convivência entre avós e netos pode trazer benefícios importantes para a saúde emocional e cognitiva dos idosos. A pesquisa aponta que atividades simples, como brincar, conversar ou ajudar nas tarefas escolares, podem estimular a memória e melhorar o funcionamento cerebral na terceira idade.

O levantamento acompanhou cerca de 2,9 mil avós acima dos 50 anos no chamado Estudo Longitudinal de Envelhecimento Inglês (ELSA), entre 2016 e 2022. Os pesquisadores identificaram que idosos envolvidos nos cuidados com os netos apresentaram melhor desempenho em testes de memória e fluência verbal quando comparados àqueles sem esse contato frequente.

Segundo o estudo, mais importante do que a quantidade de tempo ao lado das crianças é o tipo de interação realizada. Atividades que exigem participação ativa, como jogos, conversas e auxílio em tarefas, foram associadas aos melhores resultados cognitivos.

A pesquisa também mostrou que as avós apresentaram um declínio cognitivo mais lento ao longo do tempo. Para os pesquisadores, isso pode estar relacionado ao fato de as mulheres geralmente assumirem uma participação mais prática e constante na rotina familiar.

Além dos benefícios para os idosos, o vínculo afetivo também impacta positivamente as crianças. Pesquisas desenvolvidas anteriormente pelas universidades de Oxford e Boston College já apontavam que netos com convivência próxima dos avós tendem a apresentar maior estabilidade emocional e menos problemas comportamentais.

A psicóloga clínica Regina Nascimento Resende, formada pela Universidade Católica de Petrópolis e especialista em Terapia Cognitivo Comportamental, explica que o convívio familiar funciona como um importante estímulo emocional para os idosos.

“O convívio dos avós com os netos traz um ganho muito significativo pra saúde mental, emocional e física inclusive dos idosos. A solidão é muitas vezes um fator preponderante nessa idade. Muitos já ficaram viúvos, os filhos estão criados. Quando o avô ou a avó convive com os netos ele ganha em qualidade de vida, motivação, alegria e felicidade”, afirma.

Ela alerta, porém, que a relação precisa acontecer de maneira saudável e sem excesso de responsabilidades.

“É importante que isso não seja também uma sobrecarga. Estar com os netos de uma forma prazerosa é muito importante. Agora existem muitas famílias em que isso se torna obrigação, e aí pode haver sobrecarga emocional para o idoso”, ressalta.

Na prática clínica, Regina conta que percebe diferenças claras entre idosos que mantêm convivência frequente com os netos e aqueles que enfrentam maior isolamento.

“Os idosos que convivem mais com os netos geralmente apresentam menos questões ligadas à solidão e depressão do que aqueles que não têm essa convivência estreita”, explica.

Para as crianças, a especialista destaca que a relação com os avós contribui diretamente para o desenvolvimento emocional.

“Esse convívio traz história, sabedoria, serenidade e equilíbrio. É muito importante que os netos convivam com pessoas mais velhas, porque isso também ajuda no desenvolvimento cognitivo e emocional das crianças”, pontua.

A aposentada Neuza Marilza, de 87 anos, sente esses benefícios no dia a dia. Para ela, a troca entre gerações ajuda tanto os idosos quanto as crianças.

“Eu acho muito importante a convivência de avós, netos e bisnetos, porque tem histórias para contar com as crianças. Ao mesmo tempo, eles veem o que foi que a gente viveu e aprendem com isso”, conta.

Ela afirma que o contato constante traz disposição e alegria mesmo na terceira idade.

“A convivência com criança é muito boa, porque a gente revive muita coisa e se diverte ao mesmo tempo. A gente aprende com as crianças também. É um carinho, um cuidado e um apego muito grande”, relata.

Neuza também percebe mudanças no comportamento das novas gerações e acredita que o diálogo entre idosos e crianças se tornou ainda mais importante atualmente.

“As crianças de hoje parecem mais ansiosas. A vida é muito corrida, os adultos vivem ansiosos e isso passa para elas também. Por isso, conversar e acompanhar o crescimento delas é muito importante”, diz.

Ela destaca ainda que atividades simples compartilhadas em família ajudam no estímulo emocional e mental dos idosos.

“Quando fazemos jogos, desenhos e brincadeiras com as crianças, a gente participa como se também fosse criança. Isso é muito prazeroso pra gente. Emocionalmente é maravilhoso”, conclui.

A pesquisa internacional reforça que o envelhecimento saudável pode estar diretamente ligado à manutenção de vínculos afetivos, convivência familiar e estímulos constantes no cotidiano, algo que muitas famílias petropolitanas vivenciam diariamente entre avós, netos e bisnetos.

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