Grupo criado em 2025 o Coro consolida proposta pedagógica que une técnica vocal, desenvolvimento humano e inclusão; inscrições seguem até 17 de março
A Escola de Música Santa Cecília está com inscrições abertas até terça-feira, 17 de março, para o preenchimento de 15 novas vagas no Coro Santa Cecília, projeto gratuito que reúne participantes de 18 a 74 anos e que vem se consolidando como um dos espaços de formação artística e desenvolvimento humano mais consistentes da cidade. Os ensaios são realizados às quartas-feiras, das 19h30 às 21h, no sexto andar da instituição, que disponibiliza quatro salas para ensaios gerais e de naipes, com estrutura adequada, ventilação, assentos e instrumentos de apoio. O ingresso ocorre por meio de inscrição via WhatsApp (24) 2242-2191, seguida de audição oficial marcada para quarta-feira, 18 de março, a partir das 19h.
Criado em 2025, o coro surgiu a partir de uma proposta interna da direção da escola. A ideia foi apresentada pelo diretor financeiro da instituição, Mairom Duarte, que confiou ao maestro Lucas Ribeiro a missão de estruturar e conduzir o grupo. A proposta inicial não era apenas formar um conjunto musical, mas estabelecer um coro formativo, capaz de integrar pessoas com experiência prévia em canto e outras que jamais haviam participado de uma prática coral. “A missão foi desenvolver um coro formativo que desse oportunidade tanto a pessoas bem preparadas quanto àquelas que nunca tiveram experiência. Nosso objetivo foi preparar um grupo que se desenvolvesse dentro das técnicas da música e da voz, mas também construir um ambiente com práticas musicoterápicas e fortalecimento humano”, afirma o maestro.
O primeiro ano de atividades foi descrito pela coordenação como satisfatório e desafiador. Aproximadamente 40 integrantes compuseram a formação inicial. Partindo literalmente do zero, o grupo precisou estabelecer identidade, visão e metodologia próprias. “Conseguimos levantar excelentes líderes que me auxiliaram na propagação da visão, dos valores, da missão e dos objetivos a serem alcançados. Construímos uma verdadeira família musical”, destaca Lucas Ribeiro. Os encontros semanais consolidaram não apenas o aprendizado técnico, mas também vínculos interpessoais e senso de pertencimento.
Entre os principais desafios enfrentados esteve a nivelação técnica entre integrantes com diferentes graus de conhecimento musical. “Tínhamos pessoas que já sabiam ler partitura e outras que nunca haviam tido contato com teoria musical. Esse processo de nivelação nos fortaleceu e gerou um ambiente de colaboração e desenvolvimento mútuo”, explica o maestro. A metodologia incluiu técnica vocal com ênfase em respiração, colocação vocal e afinação , teoria musical, leitura de partitura, expressividade, performance e construção de repertório, sempre contextualizando o aprendizado à realidade de cada coralista.
O coro realizou duas apresentações públicas em 2025, ambas no Teatro Imperial. A primeira, intitulada “Prefácio”, ocorreu em 10 de setembro e celebrou um ano de atividades do grupo. O evento foi dividido em dois momentos: uma mini-palestra ministrada pelo maestro, chamada “Quando a Voz Abre Caminhos”, e a apresentação musical propriamente dita. Na palestra, foram abordados temas como o poder da voz de criar, curar, revelar e manifestar mensagens pessoais, além da força das palavras tanto na fala quanto no canto. Em seguida, o grupo apresentou cinco músicas, incluindo uma performance com percussão corporal que convidou o público a participar ativamente. “Fomos ousados ao chamar o público para cantar conosco. A experiência foi contagiante, com muitas risadas e alegria”, relembra Lucas Ribeiro.
A segunda apresentação reuniu o coro adulto com alunos da própria escola e com o coro infantojuvenil Fora de Série, projeto desenvolvido em parceria com a ONG SOS Serra. A iniciativa ampliou o diálogo entre diferentes faixas etárias e reforçou o caráter integrador da proposta.
Para 2026, a abertura das 15 novas vagas representa a ampliação do coro já existente, que possui limite máximo de 40 integrantes. Não haverá divisão paralela de grupos neste momento, mas a ampliação visa consolidar o trabalho iniciado no ano anterior e expandir o alcance artístico e social da iniciativa. “Pretendemos expandir nossas apresentações, reajustar o que não foi plenamente desenvolvido no primeiro ano e transformar ainda mais vidas por meio da música tanto dos que já estão conosco quanto dos que irão chegar”, projeta o maestro.
O repertório previsto para este ano inclui música popular, música sacra e canções de musicais consagrados. Além dos ensaios regulares, os participantes terão acesso a oficinas complementares de técnica vocal, leitura de partitura e outras formações específicas. A agenda já prevê uma apresentação comemorativa de dois anos do Coro Santa Cecília, marcada para 12 de setembro, no Teatro Reynaldo Chaves.
A proposta pedagógica do coro está estruturada em três pilares integrados: formação técnica vocal, desenvolvimento humano e transformação social por meio da música. Segundo Lucas Ribeiro, a excelência técnica é tratada com seriedade, mas não é o único foco. “O coro nasce com a intenção de formar pessoas conscientes, confiantes e alinhadas ao seu propósito. É um ambiente de crescimento integral artístico, emocional e relacional”, afirma.
A presidente voluntária da escola, Janine Meireles, destaca que o projeto está diretamente alinhado ao caráter filantrópico da instituição. “A Escola de Música Santa Cecília tem uma trajetória marcada pelo compromisso com a formação cultural e humana da cidade. O coro reforça essa missão ao oferecer um espaço gratuito de excelência artística e desenvolvimento pessoal”, declara. Para ela, o impacto vai além do palco. “Queremos que o coro seja reconhecido não apenas pela qualidade musical, mas pelo impacto social e formativo que promove na vida de cada participante.”.
O projeto tem caráter inclusivo e aceita pessoas com diferentes níveis de habilidade vocal. Embora seja recomendada experiência prévia com o canto, o foco não está na seleção de vozes consideradas “perfeitas”, mas no desenvolvimento individual. “O objetivo não é selecionar os melhores, mas desenvolver cada voz dentro do seu próprio processo”, reforça o maestro.
Sem cobrança de mensalidade ou taxa de inscrição, o coro reafirma seu compromisso com o acesso democrático à formação musical. Para a coordenação, a expectativa é consolidar o grupo como referência artística e humana em Petrópolis, ampliando o repertório e a participação em eventos culturais relevantes da cidade.
Ao final, Lucas Ribeiro deixa uma mensagem àqueles que ainda hesitam em se inscrever: “Se você sente vontade de cantar, mas tem medo, isso já é um sinal de que existe uma voz dentro de você pedindo espaço. O coral não é lugar para perfeitos, é lugar para quem quer crescer. Sua voz importa. E quando ela se une a outras, algo maior acontece.”.
Mais informações podem ser obtidas de segunda a sexta-feira, das 8h às 20h, na sede da Escola de Música Santa Cecília, localizada na Rua General Osório, 192, Centro de Petrópolis, pelo telefone e WhatsApp (24) 2242-2191 ou pelas redes sociais @emusicasantacecilia (Instagram) e @santaceciliapetropolis (Facebook).
SERVIÇO
Escola de Música Santa Cecília
Rua General Osório, 192
(25620-160) Centro, Petrópolis RJ
Google Maps: https://goo.gl/maps/y3euNmLBzsfcwtXv8
Telefone/ Whatsapp: (24) 2242-2191
Instagram: @emusicasantacecilia ( https://www.instagram.com/emusicasantacecilia/ )
Facebook: @santaceciliapetropolis ( https://www.facebook.com/santaceciliapetropolis )
SOBRE A ESCOLA DE MÚSICA SANTA CECÍLIA
A Escola de Música Santa Cecília, foi fundada em 16 de fevereiro de 1893, pelo professor de música João Paulo Carneiro Pinto, pernambucano talentoso e músico conhecido por sua excelência, atestada por uma das suas premiações, a “Medalha de Ouro” do Conservatório de Música do Rio de Janeiro. O professor, trazido para Petrópolis pela Família do Barão Araujo, que venerava Petrópolis, assim como outras tantas famílias que tinham a cidade como refúgio do calor e dos problemas de saúde que enfrentavam na então capital do Brasil, Rio de Janeiro.
Além disso, com a industrialização, na última década do século XIX, Petrópolis atraiu trabalhadores do exterior, como também de todo país, estabelecendo uma união estreita da cidade com os mineiros imigrantes, através do trem de ferro. A República, recém instaurada, sofria pressões políticas, e a Revolta da Armada contra o governo de Floriano Peixoto feria a paz, estando decidida a mudança da capital do Estado do Rio de Janeiro para Petrópolis. Os verões alegres da cidade, a tranquilidade, o ambiente saudável, a garantia de emprego, tornaram-se atrativos para uma nova população que pouco a pouco integrou-se aos colonos alemães.
Por causa de toda esta ebulição, o músico João Paulo Carneiro Pinto, abandonou a vida carioca, fixou residência em Petrópolis, onde inaugurou um ensino de música para 34 crianças bem dotadas musicalmente e, principalmente, sem recursos, na escola que leva o nome da padroeira da música, Santa Cecília. Passando de um prédio a outro de doações e subvenções do poder público e do empresariado, a Escola foi inicialmente acolhida no Hotel Bragança, que nada cobrava do maestro.
A escola de Paulo Carneiro tornou-se presença obrigatória em toda a vida cultural e festiva de Petrópolis, não só pelo ensino como pela orquestra, participante efetiva de todas as festividades públicas e particulares. A extraordinária e muito respeitada figura do maestro foi presença marcante na vida petropolitana. Ao falecer, a 10 de setembro de 1923, seu último pedido a amigos e devotados auxiliares: Não deixem morrer a minha Escola!
Na manhã de 23 de setembro de 1923 reuniram-se esses amigos com Sanctino Carneiro, filho do maestro, que abriu mão de todos os bens do pai representados por instrumentos musicais e a própria escola iniciando a organização da sociedade civil, hoje conhecida como a Escola de Música Santa Cecília.
De prédio em prédio, a sociedade adquiriu, por fim, uma pequenina casa na rua Marechal Deodoro, número 192, esquina da Rua Marechal Deodoro com a Rua General Osorio, onde se instalou com cursos musicais, abrindo seu salão para atividades artísticas em geral, que abrigavam também um cineteatro. Graças a uma campanha sólida de arrecadação junto à população petropolitana, em 1950 o pequeno prédio foi demolido e as obras começaram. Durante o período de construção, a escola funcionou no Palácio de Cristal. Cinco anos depois, em 1955 foram inaugurados o Edifício Paulo Carneiro e o Teatro Santa Cecília, consolidando o sonho do Maestro Paulo Caneiro.
Dentre as centenas de alunos, professores e dirigentes, que passaram por seus bancos escolares e administrativos, destacam-se três notáveis personalidades musicais, todos petropolitanos natos, representantes de três fases da Escola: da primeira (século XIX), a pianista Magdalena Tagliaferro, aluna do maestro Paulo Carneiro; da segunda (primeira metade do século XX), o maestro, pesquisador e compositor César Guerra-Peixe; e da terceira (segunda metade do século XX), o maestro, compositor e pesquisador Ernani Aguiar.
Veja também: