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Crescimento da população em situação de rua na cidade

Número subiu 345% desde 2015, aponta do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social (MDS)

Foto: Arquivo
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Larissa Martins

Em Petrópolis tornou-se cada vez mais comum ver pessoas em situação de rua vivendo em locais como o Terminal Rodoviário do Centro  e a Praça do Bosque do Imperador, por exemplo. O crescimento deste público tem sido registrado no município a cada ano, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social (MDS), por meio da plataforma VIS DATA.

O levantamento mostra que o número cresceu 345% desde 2015. Na época havia 84 famílias em situação de rua inscritas no Cadastro Único (CadÚnico) para Programas Sociais do Governo Federal. Em 2025, o número subiu para 374.

Análise nacional

O Brasil tem 358 mil pessoas em situação de rua, segundo levantamento realizado pelo Observatório Brasileiro de Políticas Públicas com População em Situação de Rua, da UFMG.

A análise indica predominância nos estados do Sudeste. No estado de São Paulo, estão mais de 148 mil pessoas em situação de rua, das quais na capital vivem mais de 99 mil. Os estados do Rio de Janeiro, (com 33.081 pessoas) e de Minas Gerais (com 32.685) vêm em segundo e terceiro lugar no estudo. As três unidades federativas respondem por cerca de 60% da população de rua do país.

O estado do Norte do país surpreende por ter mais pessoas em situação de rua do que o Distrito Federal, Pernambuco e Amazonas, entre outros estados com populações maiores e maior número de grandes cidades. Para efeito de comparação, a capital de Roraima, Boa Vista, tem menos de 500 mil moradores, enquanto Brasília, Recife e Manaus têm mais de um milhão e meio de habitantes. Essa desconexão é ainda mais importante se for comparado crescimento, já que a capital de Roraima tinha pouco mais de 1 mil pessoas em situação de rua em 2018, quase dez vezes menos que no último levantamento.

O estudo considera dados da plataforma CadÚnico, que centraliza os registros de assistência social a partir dos municípios.

“Muitos nos perguntam o porquê dessa concentração de pessoas na Região Sudeste. Normalmente, os estudos que realizamos apontam não somente a concentração, mas também um alto índice de deslocamento de pessoas em busca de emprego e melhores oportunidades de vida. É uma região rica e marcada pela desigualdade social e pela ausência e/ou insuficiência de política públicas estruturantes, especialmente para a população historicamente vulnerabilizada como as pessoas situação de rua, majoritariamente negras”, comentou o Professor André Luiz Freitas Dias, Coordenador do Programa Polos de Cidadania da UFMG.

Serviços de acolhimento

Em resposta à demanda, a Prefeitura informou que Petrópolis tem uma rede de acolhimento da população em situação de rua que é realizada de forma contínua pela Secretaria de Assistência Social, por meio de uma rede articulada que inclui o Serviço Especializado em Abordagem Social, o Centro de Referência Especializado para Pessoas em Situação de Rua (Centro POP) e o Núcleo de Integração Social (NIS), além da parceria com demais políticas públicas.

As abordagens sociais são realizadas tanto por demanda espontânea quanto por encaminhamentos oriundos de equipamentos públicos, como os Centros de Referência de Assistência Social (CRAS) e unidades de saúde. Há também o trabalho de busca ativa, no qual as equipes percorrem regularmente o Centro e os distritos com o objetivo de identificar pessoas em situação de rua e ofertar atendimento.

Ainda segunda a nota enviada ao Diário, em 2025, até outubro, o Centro Pop realizou mais de 2,1 mil atendimentos. O local busca oferecer escuta qualificada, identificar necessidades imediatas e construir um plano individual de acompanhamento, com foco na superação da situação de rua. Também são ofertados serviços essenciais, como alimentação, banho e guarda de pertences, além de encaminhamentos para emissão de documentos, atendimento em saúde, acesso a benefícios eventuais, entre outros. Outra possibilidade de acolhimento é no Núcleo de Integração Social (NIS), onde é possível fazer o pernoite.

"Esse é um trabalho que acontece o ano todo com o objetivo principal de oferecer o cuidado que todas as pessoas merecem, sobretudo aquelas que enfrentam maior vulnerabilidade. Temos avançado não só no atendimento, mas também na busca por construir políticas públicas sólidas para esse público. No ano passado, instituímos o Comitê Intersetorial de Acompanhamento e Monitoramento da Política Municipal para a Pessoa em Situação de Rua, que é formado pelo Governo Municipal, da sociedade civil e de conselhos municipais para pensar medidas que garantam os direitos humanos dessa população e ações de acolhimento e reinserção social. Uma dessas medidas já está sendo realizada, que é a zeladoria urbana, uma parceria entre Secretaria de Assistência Social, Comdep e Guarda Civil abordagens sociais a pessoas em situação de rua e serviços de limpeza e segurança nos espaços que geralmente são ocupados por essas pessoas. Já passamos por diferentes pontos de Cascatinha e do Centro e queremos expandir ainda mais a nossa atuação", diz a secretária de Assistência Social, Adriana Kreischer.

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