Trabalhadores mantêm paralisação nesta sexta-feira
Demétrio do Carmo - Especial para o Diário
A crise no transporte público de Petrópolis envolvendo a empresa Turp Transportes escalonou ao seu nível máximo, na manhã dessa quinta-feira (17), após uma nova paralisação dos rodoviários, a primeira desde que a Prefeitura assumiu parcialmente a operação da empresa, em maio. A ação ocorreu horas após a Companhia Petropolitana de Trânsito e Transportes - CPTrans, retirar, cumprindo determinação judicial, 32 dos 133 ônibus e anunciar mudanças como supressão de linhas e mudanças em itinerários, devido à necessidade de readequar o setor de manutenção e otimizar a frota.
Na noite dessa quinta-feira (17), o município anunciou que irá decretar uma intervenção integral, que permitirá ampliar os poderes da gestão interventora e assumir diretamente os controles previstos no novo ato. A decisão ocorre após 120 dias de intervenção parcial e diante do agravamento dos problemas enfrentados pela empresa.
Com a intervenção total, a gestão interventora terá controle direto sobre as decisões administrativas, financeiras e operacionais abrangidas pelo novo ato. Entre as primeiras medidas estão a centralização da autorização de pagamentos, a conferência de todo o caixa e das contas da empresa, o levantamento das dívidas e obrigações trabalhistas, o controle de documentos e sistemas, a revisão de contratos e despesas essenciais e a reorganização da manutenção e da operação. A situação dos trabalhadores continuará sendo uma das prioridades, segundo a Prefeitura.
De acordo com o governo municipal, a Intervenção já possui levantamento das férias, benefícios, folha de pagamento e demais obrigações pendentes. Com a ampliação dos controles, esse trabalho poderá ser aprofundado, com a conferência dos recursos efetivamente disponíveis e a definição das prioridades de pagamento de forma mais direta e transparente.
Ainda segundo o município, a ampliação da intervenção não significa o encerramento da TURP nem a interrupção do transporte.
“Neste momento, o objetivo é assumir os controles necessários para reorganizar a empresa, proteger a operação e dar maior segurança aos trabalhadores e aos passageiros. Qualquer decisão futura envolvendo caducidade do contrato, substituição da operadora, encerramento da concessão ou transição para um novo modelo de operação será conduzida pelos instrumentos administrativos e jurídicos próprios, respeitando as decisões dos órgãos competentes”, encerra a nota.
Paralisação continua nesta sexta-feira
O Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Petrópolis (Sind. Rodoviários) informou, em nota, que a paralisação dos rodoviários da empresa Turp permanece mantida, ainda sem previsão para a retomada das atividades. Nesta sexta-feira,(18) haverá uma reunião entre os trabalhadores da empresa que decidirão os próximos passos.
Dia de caos para usuários e prejuízos no comércio
Nas primeiras horas dessa quinta-feira, usuários que utilizam as linhas da Turp se viram mais uma vez sem opções para se locomover e cumprir seus compromissos rotineiros.
É o caso de Adriano Costa, que trabalha como atendente em um restaurante em Itaipava e teve que faltar ao trabalho. “Fiquei sabendo da paralisação, porém, mesmo assim vim para o Centro tentar alguma opção para chegar na empresa, mas, não consegui. Liguei para meu patrão que entendeu, mas não sei se vão descontar o meu dia”, lamentou.
O caso de Adriano é um entre milhares de pessoas que se deslocam diariamente entre o Centro e os distritos, ou o inverso, dentre eles, centenas de pacientes que procuram o principal hospital público da cidade, o Alcides Carneiro, em Côrreas. Os dados mais recentes, obtidos por cruzamento de dados da CPTrans e Setranspetro, mostram que cerca de 30 mil pessoas utilizam todos os dias alguma das 86 linhas, atualmente sob concessão da Turp.
A paralisação afeta ainda, de forma direta a economia do município, como afirma a Câmara de Dirigentes Lojistas de Petrópolis - CDL. A entidade disse que acompanha a situação com preocupação afirmando que a crise ocorre em um momento importante para o varejo, em um mês em que lojistas apostam em estratégicas para manter alta nas vendas antes das datas com mais visibilidade como Dia das Crianças, Black Friday e Natal.
“O comércio precisa de consumidor e também de trabalhador. Quando o transporte público deixa de funcionar adequadamente, os dois lados são prejudicados. O consumidor pode adiar uma compra, enquanto o funcionário enfrenta dificuldades para chegar ao trabalho. O impacto acaba aparecendo diretamente no movimento das lojas”, afirma Cláudio Mohammad, presidente da CDL Petrópolis.
A apreensão é compartilhada ainda pelo movimento Unidos por Itaipava - UNITA -, que ressaltou o impacto nos distritos diante da distância entre as localidades.
“O transporte dos distritos não pode ser tratado de forma isolada. Quando uma linha de bairro é retirada ou absorvida, o impacto chega às linhas principais e aumenta o tempo e a dificuldade de deslocamento de quem depende do ônibus. É preciso uma solução emergencial agora e um planejamento que evite que a população volte a enfrentar esse tipo de situação”, afirma Alexandre Plantz, presidente da entidade.
Para o Movimento Petrópolis 2030, que representa entidades empresariais que congregam negócios responsáveis por mais de 100 mil pessoas ocupadas na cidade, a retirada de 32 ônibus e a paralisação, diretamente relacionadas, ultrapassam os limites do setor de transporte e já afetam o funcionamento da cidade. Comércio, indústria e serviços enfrentam dificuldades com a chegada de trabalhadores, enquanto consumidores também deixam de circular e ir às lojas. Escolas e unidades de saúde, entre outros serviços públicos, também são afetados pela dificuldade de deslocamento da população.
Diante desse cenário, o Movimento defende a adoção de uma solução emergencial para garantir o atendimento à população e, paralelamente, uma reorganização do sistema de transporte, com planejamento capaz de evitar que novas crises comprometam a mobilidade e a atividade econômica da cidade.
“Petrópolis não pode conviver com sucessivas medidas emergenciais sem uma solução para o sistema como um todo. O transporte público é essencial para a cidade funcionar, e quando ele falha, o impacto chega ao comércio, à indústria, aos serviços e à própria população”, afirma Cláudio Mohammad, liderança do Movimento Petrópolis 2030.
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