Demétrio do Carmo - Especial para o Diário
A paralisação dos rodoviários da Turp Transportes, iniciada na manhã de quarta-feira (22), continua até o momento. A empresa emitiu um nova nota, onde convoca, a partir da tarde desta quinta-feira (23), o prazo de até uma hora e meia para o retorno imediato dos colaboradores às suas respectivas funções, para prestação do serviço essencial à população petropolitana.
A Prefeitura de Petrópolis, por sua vez, limitou-se a informar, em nota, que equipes da CPTrans estão nos terminais acompanhando as negociações e cobrando o retorno imediato das linhas. O comunicado destaca ainda que o município estaria adotando “todas as medidas legais e administrativas cabíveis” para que a concessionária cumpra suas obrigações trabalhistas e restabeleça o serviço à população. Até agora, no entanto, não houve anúncio de ações mais efetivas.
A questão conseguiu uma proeza no mínimo inusitada: unir vereadores da esquerda, direita, moderados e até os que compõem a base do governo. Nas redes sociais chovem vídeos questionando o município a agir com mais energia. O vereador Octávio Sampaio elencou os diversos problemas enfrentados pelos trabalhadores ouvidos por ele, como a falta do depósito do FGTS, Pensão Alimentícia. Para ele o cenário é o "pior possível" ressaltando a urgência de uma rescição de contrato com a Turp e realização de licitação.
O presidente da Câmara Municipal, vereador Júnior Coruja, também criticou o descumprimento das obrigações por parte da empresa, classificando a situação como uma “covardia com o povo”.
Já a vereadora Júlia Casamasso afirmou que a paralisação era previsível e voltou a defender o encampamento da empresa pelo município. Ela informou ainda que está oficiando a CPTrans sobre falhas na integração tarifária nas catracas e manifestou solidariedade aos rodoviários. “A população não aguenta mais pagar uma passagem cara e ficar na mão”, declarou.
No fim de março, a parlamentar também protocolou uma petição na 4ª Vara Cível de Petrópolis solicitando a reconsideração da decisão que autorizou o aumento da tarifa de ônibus. O pedido inclui a suspensão dos efeitos da liminar até que o Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ) conclua a análise técnica das planilhas tarifárias e da legalidade do processo administrativo que resultou no reajuste.
O vereador Léo França também se pronunciou nas redes sociais, afirmando que a paralisação evidencia uma realidade recorrente: trabalhadores com atrasos em direitos básicos, como salários e vale-alimentação. “Enquanto isso, o prefeito segue repassando milhões de reais aos empresários de ônibus por meio do vale-educação. Até quando vamos aceitar esse desequilíbrio?”, questionou.
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