Edição: sábado, 12 de setembro de 2026

Cultura que movimenta: grandes espetáculos ampliam o potencial econômico da cidade

Soberano Jazz Club aposta em programação diversificada para atrair grandes artistas, novos públicos e visitantes, movimentando também gastronomia, hotelaria, comércio e serviços

Foto: Divulgação
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Roberto Jones - especial para o Diário

A cultura pode ser também uma ferramenta de desenvolvimento econômico. Em Itaipava, o Soberano Jazz Club tem apostado em uma programação permanente de espetáculos para ampliar a oferta cultural da cidade e, ao mesmo tempo, criar um fluxo que ultrapasse as portas da própria casa.

Desde a inauguração, em 2022, o espaço já recebeu artistas de projeção nacional e internacional e, em 2026, passou a investir também em projetos próprios e formatos que aproximam música, arte, gastronomia, turismo e economia criativa. “O Soberano Jazz Club nasceu com a proposta de ocupar uma lacuna na oferta cultural da região: criar em Petrópolis um espaço dedicado a espetáculos de excelência, reunindo música, teatro, gastronomia e experiências culturais em um mesmo ambiente”, explica Sérgio Saraceni, proprietário do empreendimento.

A casa já recebeu nomes como Ivan Lins, Elba Ramalho, Alcione, Zélia Duncan, Egberto Gismonti, Leila Pinheiro, João Bosco, Edu Lobo, Adriana Calcanhotto e Lenine, entre outros. Em 2026, a agenda segue reunindo diferentes gerações e linguagens musicais, com artistas como Bianca Gismonti, Manuel de Oliveira, Cristovão Bastos, Fafá de Belém, Mauro Senise, Ricardo Silveira, Theo Bial, Leo Amuedo e Bebê Kramer, além de tributos e projetos autorais.

Cultura para além do palco

A proposta do Soberano, porém, não se limita à realização de shows. Em 2026, a casa ampliou sua atuação com iniciativas próprias, como o Soberaninho, voltado à educação musical e cultural das crianças, realizado entre abril e junho, e o Inverno Soberano, que ocupou as quintas-feiras de julho com uma programação que reuniu música, exposições, rodas de conversa, moda, arte e iniciativas ligadas à economia criativa. “Essa atuação ganhou novas frentes, com projetos que ampliam o conceito de programação cultural”, destaca Sérgio.

Para o proprietário, esse tipo de iniciativa também amplia o impacto econômico provocado pela cultura. “Cada espetáculo envolve uma cadeia de profissionais, artistas, produtores, técnicos, músicos, fornecedores, equipes de atendimento e gastronomia, e contribui para criar um fluxo de visitantes em Itaipava”, afirma.

Esse movimento não se restringe ao público que permanece dentro do Soberano. “O público que vem para um espetáculo também consome em restaurantes, bares, hotéis, pousadas, comércio e serviços da cidade”, explica Sérgio.

Segundo ele, é justamente essa conexão que faz com que um equipamento cultural possa atuar para além do entretenimento. “É justamente essa capacidade de fazer a cultura dialogar com outros setores que transforma um equipamento cultural em um vetor de desenvolvimento econômico local”, resume.

Um novo motivo para visitar Petrópolis

A programação cultural também pode funcionar como um elemento de atração turística. Para Sérgio, Petrópolis já possui patrimônio histórico, gastronomia, natureza e identidade próprias, mas a oferta de espetáculos acrescenta uma nova possibilidade à experiência de quem visita a cidade. “O turismo cultural é um dos caminhos mais importantes para ampliar a permanência do visitante em Petrópolis”, afirma.

Nesse sentido, o Soberano busca atrair não apenas moradores da cidade e da Região Serrana, mas também pessoas do Rio de Janeiro e de outros municípios. A realização de apresentações de artistas que normalmente estão associados às grandes capitais ajuda a criar um motivo adicional para a viagem. “A cidade não precisa ser apenas um destino de passagem ou de turismo histórico. Pode ser um destino de cultura, gastronomia, entretenimento e experiências, inclusive durante a noite”, defende Sérgio.

Novas experiências e novos públicos

A diversidade da programação é também uma das estratégias do Soberano para alcançar diferentes públicos. Além da MPB e da música instrumental, a casa recebe shows de rock, blues, jazz, tributos, artistas autorais e projetos que dialogam com diferentes gerações. “É um público de diferentes faixas etárias, com forte presença de moradores de Petrópolis e da Região Serrana, mas também de visitantes do Rio de Janeiro e de outras cidades próximas”, conta Sérgio.

A casa também tem buscado criar formatos que facilitem o acesso à programação. Projetos gratuitos ou com ingressos mais acessíveis fazem parte dessa estratégia, assim como valores promocionais destinados, em diferentes apresentações, a moradores do Estado do Rio de Janeiro e de Juiz de Fora. “O objetivo é fazer com que o Soberano seja percebido não apenas como um lugar para assistir a um show, mas como um espaço de convivência, descoberta e formação de novos públicos para a cultura”, afirma.

A programação do segundo semestre mantém essa proposta. Um dos destaques já confirmados é a apresentação de César Camargo Mariano, nos dias 18 e 19 de setembro, acompanhado pelo baixista André Vasconcellos. O calendário também terá, em novembro e dezembro, o Itaipava World Jazz Fest, com artistas da Itália, França, Estados Unidos, Chile e Brasil.

Cultura como estratégia de desenvolvimento

Nos próximos anos, o Soberano pretende continuar ampliando a diversidade de experiências oferecidas ao público, mantendo a presença de grandes nomes da música brasileira e investindo em novos talentos, projetos autorais e produção cultural local. “A experiência do Inverno Soberano aponta para uma direção importante: a casa pretende trabalhar cada vez mais com projetos próprios e formatos que não se limitem ao modelo tradicional de show”, explica Sérgio.

A intenção é fortalecer o espaço como uma plataforma de encontros entre artistas, produtores, empreendedores e público. Para que esse movimento se amplie por toda a cidade, no entanto, Sérgio considera necessária uma articulação maior entre os diferentes setores.

Ele aponta a importância da divulgação integrada do calendário, políticas de incentivo à cultura e à economia criativa e melhorias na mobilidade e na infraestrutura para eventos. “Petrópolis já tem patrimônio, identidade, gastronomia, natureza e capacidade de receber grandes eventos. O próximo passo é transformar esses ativos em uma estratégia permanente de destino”, afirma.

Nesse cenário, a experiência do Soberano mostra como a realização de espetáculos pode ultrapassar o próprio palco e se conectar a diferentes setores da cidade. Para Sérgio, essa visão é fundamental para que Petrópolis aproveite melhor seu potencial. “Cultura e entretenimento precisam ser entendidos não apenas como lazer, mas como parte da economia da cidade e como ferramentas de desenvolvimento, geração de emprego, atração de turistas e valorização da identidade local".

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