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  Artigo
Decepção
Mauro Peralta é médico e está vereador

 

Há três anos, assumi o cargo de vereador em nossa Câmara Municipal, no famoso Palácio Amarelo, antiga propriedade do Barão de Guaraciaba, o mais abastado barão negro do Brasil Império, que lamentavelmente detinha mais de mil escravos. Trata-se de um palácio deslumbrante, situado em frente ao Museu Imperial, adornado com afrescos no teto e preciosas obras de arte. Deveria ser transformado em um museu, visto que nossa maior indústria é o turismo.
Assumi o cargo de vereador pensando que conseguiria melhorar a qualidade de vida dos petropolitanos, como eu. Ledo engano. As atribuições de um vereador são bastante limitadas. A melhor atitude que um vereador pode tomar é fiscalizar o prefeito e alertar a população sobre como o dinheiro público está sendo mal gasto. A maior parte das mudanças necessárias depende do poder executivo, restando aos vereadores a função de fiscalizar, enviar denúncias ao Ministério Público e esperar sentado que algo aconteça.
Mesmo com minha oposição veemente, foram criadas três novas secretarias que custarão milhões de reais anuais do bolso dos petropolitanos, com o único propósito de oferecer cargos de nomeação livre a aliados políticos, sem trazer benefícios palpáveis, uma vez que as atividades propostas poderiam ser realizadas pelas secretarias e departamentos já existentes. O único beneficiado é o prefeito, que terá mais cabos eleitorais para tentar a reeleição este ano.
Em uma cidade repleta de problemas, com grande parte da área urbana construída em zonas consideradas de risco pela Secretaria de Defesa Civil, não vimos sequer a construção de uma única habitação nos últimos três anos. As unidades habitacionais entregues no conjunto da Posse já estavam prontas há muito tempo. O Instituto de Previdência e Assistência Social do Servidor Público do Município de Petrópolis (INPAS) é uma verdadeira bomba-relógio prestes a explodir, o que acarretará sérias consequências para nossa cidade. A empresa responsável pelo controle do tráfego, a CPTrans, realiza vistorias nos ônibus, identificando defeitos, falta de condições para circulação e riscos de acidentes, mas não retira de circulação os veículos com problemas. Trata-se de uma clara prevaricação por parte das autoridades responsáveis, neste caso, os gestores da empresa. Além disso tudo, o custo do transporte de resíduos sólidos de Petrópolis para o aterro sanitário de Três Rios aumentou de 58 para 118 reais por tonelada, um aumento de mais de 100%.
No Parque Natural Municipal Padre Quinha, localizado na Rua Ipiranga, um patrimônio histórico que serve de rota para os distritos e já enfrenta problemas logísticos devido à presença de quatro escolas na área, pretende-se construir um pavilhão de concreto, vidro e aço, com um custo superior a 11 milhões de reais, sem considerar as necessidades futuras, como estacionamento para os veículos dos visitantes e ônibus, contribuindo assim para o caos viário em Petrópolis. Investir onze milhões em um pavilhão antiambiental enquanto os moradores enfrentam anos nas longas filas de espera por exames médicos básicos, como colonoscopia, é um absurdo indescritível.
Os balanços financeiros da Companhia Municipal de Desenvolvimento de Petrópolis (COMDEP) e do Hospital Alcides Carneiro (HAC) apresentam um patrimônio líquido negativo, o que, se fossem empresas privadas, levaria aos seus fechamentos. O número alarmante de funcionários contratados sob o regime de RPA (Recibo de Pagamento de Autônomo) ou terceirizados, especialmente nas áreas de saúde e educação, passa a ser um motivo de grande preocupação quando empresas do mesmo grupo fornecem serviços como coleta de lixo e mão de obra para a Secretaria de Educação.
Embora a concessionária de energia elétrica, a Enel, e a concessionária da rodovia BR-040, a Concer, não estejam sob a responsabilidade direta do poder municipal, elas prestam serviços de qualidade duvidosa e causam grandes prejuízos à cidade. Nas diversas audiências públicas das quais participei, são feitas promessas que não se concretizam. A cobrança pela iluminação pública é feita até mesmo para aqueles que não possuem energia elétrica nos postes das ruas de suas residências. A empresa Águas do Imperador cobra taxas de esgoto de residências que não estão conectadas à rede de esgoto e, recentemente, aumentou suas tarifas em quase 9%, oferecendo um serviço de qualidade insatisfatória.
Luto contra essas injustiças, mas as empresas muitas vezes conseguem obter decisões favoráveis nos tribunais, devido aos poderosos escritórios de advocacia que as representam. Mesmo ciente das limitações do nosso papel, continuarei participando ativamente das audiências públicas e lutando por melhorias, pois a perseverança é fundamental para alcançar resultados. Fico feliz em saber que um grupo de cidadãos está se mobilizando para criar um observatório de transparência, que ajudará na fiscalização das ações do poder executivo, da Câmara de Vereadores e das empresas de economia mista. O preço da liberdade é a eterna vigilância.

 

 


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