Edição: quarta-feira, 12 de agosto de 2026

Desenrola Adimplentes: crédito pode ajudar trabalhador de Petrópolis, mas exige cuidados

Economista, contadora e Procon explicam quando o novo crédito pode compensar, quais custos analisar e como evitar golpes

Foto: José Cruz / Agência Brasil
Foto: José Cruz / Agência Brasil


Jamis Gomes Jr. - estagiário

O trabalhador informal de Petrópolis que mantém as contas em dia passa a ter uma nova possibilidade de acesso a crédito a partir desta terça-feira (11). O Desenrola Adimplentes, nova modalidade do programa Desenrola, permite trocar empréstimos mais caros por crédito com juros de até 1,99% ao mês e valores de até R$ 15 mil.

Apesar da possibilidade de reduzir o custo de uma dívida, especialistas ouvidos pelo Diário de Petrópolis alertam que a modalidade não deve ser encarada simplesmente como dinheiro disponível. A principal recomendação é avaliar se a nova operação realmente representa economia e se a parcela cabe no orçamento.

Segundo o economista Natale Papa, a medida pode ser especialmente relevante para trabalhadores autônomos, pequenos comerciantes e prestadores de serviços, que costumam ter renda variável e maior dificuldade de acesso a linhas de crédito competitivas.

“Para o trabalhador informal, que muitas vezes enfrenta renda variável e tem maior dificuldade de acesso ao crédito bancário tradicional, uma linha com juros de até 1,99% ao mês pode representar uma alternativa para organizar o fluxo de caixa e financiar uma necessidade pontual.”

Para Natale, o crédito pode melhorar o orçamento quando é utilizado para substituir uma dívida mais cara. Porém, ele alerta para o risco de o consumidor contratar o novo empréstimo e continuar utilizando outras modalidades de crédito.

“Se uma família troca, por exemplo, uma dívida com juros muito elevados por outra com taxa de 1,99% ao mês, pode reduzir significativamente o peso dos juros e melhorar o fluxo de caixa. Por outro lado, existe o risco clássico de ‘efeito bola de neve’.”

O economista também chama atenção para a realidade de Petrópolis. Segundo ele, a medida pode beneficiar trabalhadores autônomos, pequenos comerciantes e prestadores de serviços que possuem renda relativamente estável, mas variável ao longo do mês.

“Se o crédito for utilizado de forma responsável, ele pode melhorar o fluxo de caixa das famílias e dos pequenos negócios, ajudando a sustentar consumo e atividade econômica.”

Apesar disso, Papa faz uma ressalva: 1,99% ao mês não significa crédito barato. Segundo o economista, a taxa equivale a cerca de 26,6% ao ano em uma capitalização mensal, antes de outros possíveis custos.

Parcela menor não significa dívida mais barata

A contadora e conselheira do Conselho Regional de Contabilidade do Rio de Janeiro (CRCRJ), Tamires Barbosa, recomenda que o consumidor não analise apenas a taxa de juros ou o valor da parcela.

“O trabalhador precisa avaliar o custo total da operação, principalmente o Custo Efetivo Total, que reúne juros, tarifas e demais encargos envolvidos no empréstimo.”

Na hora de decidir se vale a pena trocar uma dívida, a orientação é comparar quanto ainda falta pagar no contrato atual com o valor total da nova operação.

“Uma parcela menor nem sempre significa uma dívida mais barata. Dependendo da quantidade de parcelas, o consumidor pode acabar pagando por muito mais tempo e a economia esperada pode não acontecer.”

Tamires também reforça que o objetivo do crédito deve ser reorganizar as finanças, e não criar uma nova fonte de dinheiro para consumo.

Golpes também exigem atenção

O início da nova modalidade ocorre em meio a alertas sobre golpes. O Ministério da Fazenda informou que falsas ofertas podem utilizar anúncios, mensagens e links para atrair consumidores.

Em levantamento citado pelo governo, o NetLab/UFRJ identificou 544 anúncios fraudulentos nas plataformas da Meta entre abril e junho. Do total, 38% utilizavam inteligência artificial e 72% exploravam indevidamente a imagem do governo ou de marcas conhecidas.

O Procon Petrópolis orienta que o consumidor desconfie de promessas de cancelamento rápido da dívida, cobrança de taxas de adesão ou inscrição, contato por intermediários e pedidos de senhas ou dados pessoais.

“Ao receber uma mensagem ou um link, o consumidor não deve clicar, fornecer informações ou efetuar pagamentos antes de confirmar a proposta. Em caso de dúvida, a recomendação é interromper o contato e procurar a agência, o aplicativo ou o site oficial do banco.”

As negociações, segundo o Ministério da Fazenda e o Procon, devem ser realizadas diretamente pelas instituições financeiras participantes.

Caso o consumidor seja vítima de fraude, a orientação é comunicar imediatamente o banco, solicitar o bloqueio ou contestação da transação, alterar senhas que possam ter sido expostas e registrar um boletim de ocorrência. Comprovantes, mensagens, números de telefone, links e capturas de tela também devem ser preservados.

Em Petrópolis, o Procon recebe denúncias pelo e-mail fiscalizacaoprocon@petropolis.rj.gov.br e realiza atendimento presencial na Rua Dr. Moreira da Fonseca, 33, no Centro, de segunda a sexta-feira, das 10h às 17h. O telefone é (24) 2246-8469.

O Desenrola foi lançado pelo governo federal em 2023 para facilitar a renegociação de dívidas. Segundo o governo, o programa já beneficiou 7,5 milhões de famílias. A nova fase amplia a iniciativa para trabalhadores informais que estão adimplentes, além de outras medidas voltadas a estudantes e trabalhadores com carteira assinada.

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