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Dia da abolição da escravatura

Foto: SYMBOLIC
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Darques Júnior - Estagiário

Nessa quarta-feira (13) é celebrado o Dia da Abolição da Escravatura, data que marca a libertação dos escravos pela Lei Áurea, de 1888, escrita pela Princesa Isabel. Apesar de ser uma data importante para a comunidade preta do país, a data não é celebrada como o dia da libertação, sendo, para muitos, um dia de reflexão.

Em Petrópolis, segundo dados de 2025 do Instituto de Segurança Pública (ISP), foram registrados 36 casos de injúria por preconceito, uma redução de dois casos em comparação a 2024, além de 11 casos de intolerância ou injúria racial de cor ou etnia.

No estado foram registrados 2.744 injurias por preconceito, um aumento de 16,1% em comparação a 2024, além de 427 casos de preconceito por raça ou de cor, sendo uma queda de 45,7% em relação aos 786 ocorrências registradas.

O professor e doutor da licenciatura em História da Universidade Católica de Petrópolis (UCP), Leandro Gavião, a data representou o fim da escravidão, porém, na prática, a vida da maioria das pessoas libertas mudou muito pouco de forma imediata. “Não houve distribuição de terras, políticas de integração, indenização, acesso garantido à educação ou emprego”.

Leandro comentou que muitos ex-escravizados permaneceram nas mesmas fazendas, em condições precárias enquanto outros foram empurrados para a marginalização social. “A abolição ocorreu sem qualquer projeto de inclusão social da população negra”, disse.

Com relação ao abandono dos libertos em 1888 e as desigualdades raciais que o Brasil ainda enfrenta hoje, o professor disse que o Estado brasileiro incentivava a imigração europeia e difundia ideias de “branqueamento” da população. “Esse abandono histórico contribuiu para a formação de desigualdades estruturais que permanecem visíveis, em relação à renda, escolaridade, violência e acesso a oportunidades”.

Ainda é explicado por Leandro que o Brasil demorou a discutir reparações porque construiu, ao longo do século XX, a ideia de “democracia racial”, muito associada às interpretações de Gilberto Freyre, que ajudou a criar a percepção de que o país teria superado o racismo de forma harmoniosa, dificultando o reconhecimento das desigualdades raciais como um problema estrutural. “O debate ganhou mais força apenas nas últimas décadas especialmente, com a atuação do movimento negro e das universidades”, concluiu.

Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em Petrópolis, nas 42 favelas ou comunidades urbanas, com 43.019 pessoas residindo em regiões periféricas, sendo 15,43% da população petropolitana, 24,66% da população periférica é composto por pessoas pretas, 37,51% são pardos e 37,7% da população em periferias são de pessoas brancas.

Além disso, o IBGE aponta que 13,2% da população de Petrópolis é preta, sendo 36.835, respectivamente, sendo a segunda maior etnia presente no município, seguida das pessoas brancas, de 163.706, composta por 58,7% dos petropolitanos.

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