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Dia das Mães: as origens e a vida de uma mãe solo no Brasil

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Darques Júnior - Estagiário

Comemorada todo segundo domingo de maio, o Dia das Mães é uma data que celebra a figura materna e sendo, ao redor do mundo, uma das ocasiões comemorativas mais importantes do ano. Mesmo com sua origem oficial nos Estados Unidos, celebrar o feminino maternal tem origens mais antigas e versões ao longo das eras.

É o que explica o coordenador e mestre da Licenciatura em História da Universidade Católica de Petrópolis (UCP), Prof° Bruno Tamancoldi Muniz, mencionando a gênesis da data ainda no Império Romano, o que conecta ao próprio nome do mês de maio, por conta da deusa romana da fertilidade, crescimento e primavera, Maia. “Com o advento do cristianismo e a cristianização das festas sazonais, esse mês passou a ser dedicado à Maria, a mãe de Jesus”.

Além disso, o professor ainda comenta que a partir do século XIX foi proclamado pela Igreja Católica o dogma da Imaculada Conceição, pelo Papa Pio IX, que afirma que a origem da Virgem Maria foi preservada de toda mancha do pecado original desde sua concepção. “Além disso, maio passou a ser o tempo da mater amábilis (mãe amável em latim) ligado a beleza das flores, a primavera, a pureza da mãe de Jesus, e por isso também se tornou o mês das noivas”, disse.

Bruno, seguindo a linha do tempo do dia das mães, fala como essa data foi oficializada no século XX, com o Mother Day World's Club, um clube de mulheres de ativismo feminino cristão com viés pacifista que, depois da Guerra Civil Americana, foi impulsionada por Anna Jarvis, após a morte de sua mãe, em 1905. “Anna moveu um lobby político muito forte, com ideais políticos também, argumentando que as datas comemorativas eram majoritariamente masculinas”.

Segundo o professor, somente em 1914 a data foi oficializada, apesar disso, ele ressalta como, ao longo dos séculos, essa data seguiu nas sociedades do mundo todo e como as visões do que significa a data para diversas pessoas pode ser diversa. “Quem possui um viés mais politizado pode adotar a história da Anna Jarvis, já quem possui um pensamento mais clássico, maio é o mês da deusa Maia e, por sua vez, para quem é cristão, especificamente os cristãos católicos, tem maio como o mês de Maria, a mãe do filho de Deus”, concluiu.

No Brasil, o dia das mães foi oficializada por Getúlio Vargas, por meio do Decreto N° 21.366 em 1932, que estabeleceu no país como o segundo domingo de maio, valorizando a maternidade e seguindo as tradições estadunidenses criada 18 anos antes por Anna Jarvis. Apesar disso, a primeira comemoração no país foi sido organizada pela Associação Cristã de Moços de Porto Alegre (ACM) em 12 de maio de 1918.

Panorama e vida de uma mãe solo no Brasil
Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), 14,34% das mulheres do município vivem sem o cônjuge e com filhos e/ou enteados. O IBGE ainda aponta que há 12.481 mães solos no município.

Em 2010, o termo “mãe solo” surgiu como alternativa e uma releitura do termo “mãe solteira” por entender-se como uma definição para o estado civil da mulher em relação a um homem, ao invés de focar na ação e responsabilidade afetiva e financeira. Em 2024, o termo passou a ser utilizado em contexto legal, como no projeto que criou a Lei dos Direitos da Mãe Solo, definindo o termo como representação da mulher chefe de família monoparental.

“Ser mãe solo no país é matar dois leões por dia, porque você precisam ser mães e pais num país machista, sobretudo no mercado de trabalho”, disse Sara Almeida, aposentada e mãe solo durante 30 anos de três filhos, um homem e duas mulheres.

Sara conta como foi sua rede de apoio, contando com amigos, além de auxílios do governo como Renda Cidadã e Bolsa Família, em conjunto a diversos trabalhos, para trazer o sustento da casa quando seus filhos eram pequenos. “Minha maior dificuldade foi não ter completado o ensino médio e ter iniciado minha carreira profissional muito jovem, dependendo de empregos como auxiliar de cozinha, lavadora de trens, empregada doméstica, etc”.

Com relação a dificuldades psicológicas e emocionais, Sara contou que, quando engravidou de sua terceira filha, se viu sem apoio dos familiares para alimentar seus filhos, mas ressaltou a importância dos amigos e conhecidos num momento de fragilidade. “Minha fé em Deus, em mim e a certeza que nunca estive sozinha foram aquilo que sempre me mantiveram de pé, além da força que sempre tive pelos meus filhos”.

Sobre o dia das mães, Sara disse que a data tem um significado de recompensa de todas as adversidades enfrentadas, além de ressaltar a importância do mercado de trabalho em dar mais oportunidades e valorização a essas mães que também são profissionais, que, segundo ela, em poucos lugares ela recebeu. “Meu recado à outras mulheres que são mães solo é que haverá dias solares e sombrios, mas não deixar se abater pelas dificuldades e tiver fé não só em Deus, mas em si mesma que as coisas vão melhorar são as chaves para seguir a diante”, falou.

Sara Marisa conseguiu, em 2019, se formar no ensino médio, o que ela conta como se fosse uma forma de libertação por ter abandonado dos estudos, por pressões familiares, para trabalhar em São Paulo, como empregada doméstica, além de projetar seus próximos passos, em uma universidade. “Foi uma das coisas mais incríveis da minha vida, quando peguei o certificado me senti realizando um sonho e hoje tenho alguns sonhos a serem realizados”, concluiu.

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