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Dia de Iansã e de Santa Bárbara: O sincretismo religioso liga as duas divindades

Foto: Santa Barbara - Wikimedia
Foto: Santa Barbara - Wikimedia

Darques Júnior Especial para o Diário

Santa Bárbara para os católicos, Iansã para os umbandistas e candomblecistas, o Dia de Santa Bárbara/Iansã (4) é celebrado por fiéis ao redor do país. Nas religiões de matriz africana, Iansã é conhecida por ser a senhora da tempestade, dos ventos e raios. Já no catolicismo, Santa Bárbara é a santa protetora dos raios e tempestades, além de ser a protetora dos bombeiros, porém, ambas também têm algo em comum: duas figuras religiosas que simbolizam força, coragem e transformação.

Segundo a Agência Católica de Informação, Bárbara de Nicomédia (atual cidade de Izmit, na Turquia a 104 km da capital Istambul) foi uma jovem convertida no início dos séculos. Representada pelo manto vermelho, o cálice do sangue de Cristo, o ramo de oliveira, a coroa e a espada, todas as imagens de martírio, Santa Bárbara foi encarcerada em um castelo pelo seu pai, Dióscorus, um nobre pagão que foi atingido por um raio após decapitar sua filha por conta de sua fé.

Segundo o livro “Orixás”, do fotógrafo, etnólogo, antropólogo e pesquisador francês Piérre Fatumbi Verger, conta que o nome Iansã tem origem no iorubá Ìyámésàn (“a mãe transformada em nove”). É a divindade relacionada ao Rio Níger, o terceiro rio mais longo do continente africano. No livro, o antropólogo menciona que, além com Santa Bárbara, em Cuba, Oyá é relacionada com Nuestra Señoa de la Candelária. Além disso, Iansã está ligada ao culto dos mortos, uma vez que, quando dança, a Orixá expulsa almas errantes. “Ela evoca também, através de seus movimentos sinuosos e rápidos, as tempestades e os ventos enfurecidos e seus fiéis a saúdam gritando “Epa Hey! Oya!”, comenta Pierre em seu livro.

O pai de santo responsável pelo Centro Espírita Pai José de Aruanda, José Ricardo, comenta que esse sincretismo se deu como forma de resistência dos povos escravizados para cultuar seus orixás sem que os portugueses soubessem. “Esse sincretismo, porém, não se dá em todas as doutrinas ou vertentes das religiões de matriz africana”, disse.

Sobre o sincretismo religioso, José diz que, particularmente enxerga que: “Como o sincretismo mistura diversos elementos e culturas, isso possa funcionar como uma forma de ligação entre as religiões”, porém ressalta que, o sincretismo religioso se deu sobre muita violência do período de escravidão: “Você trazer um povo a força para determinado local, fazer com que esse povo seja obrigado a trabalhar, seja escravizado e ainda obrigar esse povo a modificar toda a sua cultura, toda a sua crença para que agrade aos seus escravizadores é uma forma de agressão tremenda”.

O sincretismo religioso é a junção de elementos de diferentes culturas e religiões para formar uma nova crença. Segundo Censo de 2022, em Petrópolis, cerca de 1,47% dos petropolitanos se declaram candomblecistas ou umbandistas, enquanto católicos representam a maioria da cidade com 48,06% da população sendo adeptos do catolicismo.

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