Darques Júnior Especial para o Diário
Instituída no dia 07 de abril pela Lei N° 13.277/2016, o Dia Nacional do Combate ao Bullyng e à Violência na Escola completa dez anos. A data, escolhida em homenagem as vítimas do Massacre de Realengo, no bairro do Rio de Janeiro, visa conscientizar e combater a violência física psicológica constante e obrigando as escolas a promover medidas de prevenção.
Segundo dados do Observatório Nacional dos Direitos Humanos (ONDH), das 100 violações de direitos humanos em ambientes escolares, 72 são contra crianças e adolescentes, sendo 39 relacionadas à violência psíquica, 19 violações físicas e 12 por negligência no município de Petrópolis somente em 2026.
Segundo a psicóloga Keila Braga, o bullyng tem um potencial nocivo por criar a sensação de desamparo, de desesperança e, sobretudo, desacreditar de si mesmo para levar em consideração fatores externos, como “zoações” com seu corpo, comparações, etc. “O impacto do bullying é cumulativo. O jovem, vítima dessa violência, pode desenvolver sentimentos de frustração crescentes, erguendo barreiras à interação social”, disse.
Sobre os dados relacionados à violência nos colégios do município, a psicóloga comenta que mesmo com essa autonomia para abordar temas relacionados à saúde mental e bullyng nas escolas, ainda há dificuldades em promover uma abertura maior para debater o impacto negativo do bullying, sobretudo, na formação da personalidade da adolescência em diante. “Os impactos que acontecem na adolescência, algumas das vezes, podem se tornar marcas para a vida inteira”.
Keila ainda ressalta a importância dos pais para o acompanhamento psicológico, bem como, incentivar o jovem a desabafar e buscar ajuda psicológico, além de destacar a importância de promover um senso de responsabilidade nos jovens, tanto naqueles que sofrem quanto naqueles que praticam o bullying. “É preciso mostrar aos agressores que, além de ser errado, é um comportamento nocivo e que gera no outro uma dor e um mal-estar que às vezes pode ser um dano tão profundo que a pessoa perde a oportunidade de ter o seu potencial aproveitado”.
A psicóloga ainda comentou sobre a diversidade de manifestações do bullying, identificando as tipologias como moral, físico, social e, atualmente, o cyberbullying, que se manifesta no ambiente digital, como redes sociais, por meio de perseguições, comparações depreciativas e ofensas. “É importante reconhecer que o bullying transcende o ambiente escolar, transformando-se em perseguições constantes”.
A psicóloga ainda falou como combate do bullying no Brasil precisa ser um debate para toda a sociedade, além de destacar a necessidade de discutir como adultos e também escutar os adolescentes. “É imprescindível envolver adultos, ouvir os adolescentes e considerar a perspectiva dos educadores”.
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