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Dia do leitor lembra da importância dos "sebos" na preservação da cultura

Foto: Demétrio do Carmo
Foto: Demétrio do Carmo

Demétrio do Carmo - Especial para o Diário

No dia 7 de janeiro foi celebrado o Dia do Leitor e, em meio ao avanço das mídias digitais e à popularização dos livros eletrônicos, o número de leitores no Brasil vem apresentando queda, segundo dados do Instituto Pró-Livro, muito por conta dos preços dos exemplares novos. É nesse cenário adverso que os tradicionais sebos de livros seguem como importantes aliados dos amantes da literatura e guardiões da memória cultural.

A origem da palavra "sebo" para designar estas livrarias pode vir da ideia de que livros muito manuseados ficam com a aparência "engordurada" ou "ensebada", embora existam outras teorias.  O que importa é que com preços mais acessíveis, esses estabelecimentos possibilitam que estudantes, pesquisadores e leitores em geral tenham contato com obras clássicas, acadêmicas e literárias sem comprometer o orçamento. Para muitos, frequentar um sebo é uma experiência singular. Prateleiras abarrotadas, o cheiro característico do papel antigo e a chance de encontrar edições raras ou fora de catálogo transformam a visita em um verdadeiro garimpo literário.

A petropolitana Irene Pacheco, de 59 anos é uma frequentadora assídua de livrarias e lamenta a redução desse tipo de comércio em Petrópolis. “Lembro de uma época em que tínhamos muitas livrarias na cidade. Sempre frequentava, principalmente os sebos, como a extinta Braziliana, onde passava horas garimpando bons livros, descobrindo novos autores e, sobretudo, conversando e fazendo amizades. É uma pena que hoje tenhamos poucas opções”, recordou.

Para Benício Pacheco de Assis, que há 25 anos comanda o sebo Salada de Livros, apesar das mudanças ao longo do tempo, o movimento não apenas persiste como também passou por uma renovação de público. “Antes, tínhamos uma clientela com mais idade. Hoje, as novas gerações também nos procuram bastante e demonstram interesse em se aprofundar nos assuntos. As vendas de livros técnicos, de autoajuda e de empreendedorismo, por exemplo, cresceram cerca de 70%”, destacou.

Segundo Benício, os grandes clássicos da literatura seguem em alta. Autores como Machado de Assis, José de Alencar, Jorge Amado, Zélia Gattai e Josué Montello continuam com grande procura e não permanecem por muito tempo nas prateleiras.

“Novos estilos também passaram a integrar a preferência dos leitores mais jovens. Os quadrinhos japoneses, conhecidos como mangás, têm grande saída, assim como as HQs de super-heróis. Já o público infantil prefere os gibis, especialmente os da Turma da Mônica, não saem de moda nunca”, completou Benício.

Em tempos de rápidas transformações tecnológicas, os sebos demonstram que o livro físico ainda ocupa um lugar especial na sociedade. Ao preservar obras, histórias e memórias, esses espaços mantêm viva a relação entre leitores e a palavra escrita, reafirmando sua importância como patrimônio cultural e social.

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