Preconceito e terapias fazem parte do cotidiano de pessoas com o transtorno
Vitor Cesar estagiário
Designado em 2007 pela Assembleia Geral das Nações Unidas, o dia 2 de abril é comemorado o Dia Mundial de Conscientização sobre o Autismo. Com o objetivo de alertar, educar e promover os direitos humanos para essa parcela da população, a data também pretende reduzir preconceito, incluindo socialmente os que possuem o Transtorno do Espectro Autista (TEA).
O TEA é um conjunto de condições sociais, comportamentais e de aprendizagem que caracterizam algum grau de comprometimento. Os mais comuns interferem na linguagem, comunicação e pelo hiperfoco, um interesse realizado de forma repetitiva e como único objeto de atenção do autista. Podendo ser diagnosticado em até 16 meses de idade pelo teste M-CHAT (Lista de Verificação Modificada para Autismo em Bebês), o TEA aparece com mais indicadores na infância e tende a persistir durante a adolescência e na idade adulta. Além disso, pessoas autistas podem apresentar condições intelectuais distintas e ainda demonstram diferentes níveis de comprometimento
Kátia Renato, neuropsicóloga e proprietária da Clínica Hólon, fala sobre a importância desse diagnóstico antes dos 3 anos. “O diagnóstico precoce no TEA, preferencialmente antes dos 3 anos de idade, tem expressiva importância, pois favorece e potencializa o sucesso da intervenção terapêutica, em fases do desenvolvimento infantil onde a capacidade de organização neural ( neuroplasticidade) é maior. Com isso, pode-se obter ganhos significativos na minimização das características autísticas apresentadas pelo paciente, mesmo aqueles com nível de suporte 3, grupo que manifesta maiores comprometimentos”, explica.
A neuropsicóloga ainda alerta para alguns dos sinais precoces. “Os sinais precoces do autismo podem surgir antes dos 12 meses de vida, como interesses restritos, pouco contato visual, falta de resposta ao ser chamado pelo nome, movimentos repetitivos (estereotipias) e apego excessivo a rotinas. Entre 2 e 3 anos podemos observar também a preferência por brincarem sozinhos, alinhar objetos ao invés de dar função a eles e hipersensibilidade a sons e texturas”.
De acordo com o DSM-5 (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais), uma das principais ferramentas utilizadas por profissionais de saúde mental para diagnosticar e classificar transtornos, os níveis do autismo são classificados com base no nível de suporte necessário. São eles: nível 1 (autismo leve), nível 2 (autismo moderado) e nível 3 (autismo severo).
O TEA é um transtorno e não uma doença, e por isso, não possui cura. “Como o TEA é uma condição do neurodesenvolvimento, com uma firma muito própria de processar informações e expressar sentimentos, o TEA não tem cura, mas pode se beneficiar de tratamento multidisciplinar para melhoria da qualidade de vida”, disse Kátia Renato.
Pais e Terapias
Principalmente no caso de diagnóstico na infância, os responsáveis legais da criança, juntamente com a ação de terapeutas especializados e formados para tratar o paciente TEA, tem papel importantíssimo no desenvolvimento futuro da pessoa.
Na opinião de Kátia, os responsáveis são partes vitais do processo de tratamento. “A família desempenha papel fundamental e insubstituível no desenvolvimento da pessoa com TEA, funcionando como base segura e afetiva no processo de descoberta das melhores alternativas para o desenvolvimento de suas habilidades e aprendizagem. Essa segurança auxilia na redução da ansiedade e melhora na compreensão da criança sobre o seu ambiente. A busca de informação sobre o transtorno capacita a família a entender as necessidades específicas da criança, tornando-se, assim, agente na promoção da autoconfiança, regulação emocional, bem-estar e motivação do autista”.
Os terapeutas são outra parte importante no tratamento de pessoas com TEA. As mais comuns são:
Números
O Censo 2022 do IBGE, divulgado em 2025, identificou 2,4 milhões de pessoas diagnosticadas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) no Brasil, correspondendo a 1,2% da população. A maioria dos diagnósticos está em homens (1,4 milhão) e crianças de 5 a 9 anos. Esses casos aumentaram por conta do crescimento de diagnósticos. Dados do Centers for Disease Control and Prevention sinalizam que, em 2025, 1 em cada 31 crianças no Mundo está dentro do espectro autista.
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