Vitor Cesar - estagiário
Nesse domingo (31) foi comemorado o Dia Mundial sem Tabaco. Com origem em 1987, a data comemorativa foi criada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) com o objetivo de alertar sobre as doenças e impactos relacionados ao tabagismo. Com isso, a Fundação do Câncer, responsável pelo assunto no país, definiu que vai focar nas novas formas do tabaco: os cigarros eletrônicos.
Com a campanha “Spoiler: ele não te ama”, a Fundação produz um filme em formato de reportagem, contando a história de três jovens envolvendo o abuso de vapes. A produção tem como principal objetivo chamar a atenção da juventude para a forma como a indústria do tabaco apresenta os dispositivos para o público. Segundo a Fundação, os novos objetos incorporam tecnologia e interatividade, com tela sensível ao toque, além de jogos, música e sistema de troca de mensagens ,combinando a dependência digital com a química.
De acordo com um estudo de 2025 chamado “Prevalence and knowledge of medical students about the risks of E-cigarette use”, realizado por diversos autores pertencentes à Faculdadede Medicina de Petrópolis (FMP/UNIFASE) , com estudantes de medicina no Rio de Janeiro, mais de 50% deles já experimentaram cigarros eletrônicos, e aproximadamente 19% ainda utilizam atualmente. Embora o conhecimento sobre os riscos específicos seja limitado, 97,8% desses estudantes estão cientes dos riscos respiratórios gerais associados ao uso de e-cigarettes, mas, somente 23,1% conhecem o risco de EVALI.
Dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) 2024 revelam que a experimentação de cigarros eletrônicos entre estudantes de 13 a 17 anos evoluiu de 16,8% em 2019 para 29,6% em 2024. Significa que quase dobrou o número de jovens nessa faixa etária que já experimentaram ou fazem uso do cigarro eletrônico.
Segundo a Secretaria de Saúde de Petrópolis, o município conta com grupos do Programa de Controle do Tabagismo. Atualmente, os grupos são realizados no Centro de Saúde, na UBS Quitandinha e na UBS Itaipava.
No Brasil, em 2025, 2,5 milhões de pessoas buscaram, de forma voluntária, atendimentos relacionados ao tabagismo na Atenção Primária à Saúde, nas Unidades Básicas de Saúde (UBS). O número representa um aumento de 95% em relação a 2022, quando foram registrados 1,2 milhão de atendimentos.
Marcos Legais
Entre as normas já aprovadas envolvendo o combate ao tabagismo no Rio de Janeiro na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), está a Lei nº 5.517/09, que proíbe o consumo de cigarros e outros produtos fumígenos em ambientes coletivos fechados no estado. A medida, de autoria do Poder Executivo, cria os chamados “ambientes livres de tabaco”, buscando reduzir a exposição da população à fumaça e aos danos causados pelo fumo passivo.
Além disso, a Alerj também analisa propostas voltadas ao enfrentamento do avanço dos cigarros eletrônicos, especialmente entre os jovens. É o caso do Projeto de Lei 892/2023, de autoria do deputado Danniel Librelon (REP), que cria uma campanha permanente de prevenção e conscientização sobre os riscos desse tipo de cigarro para crianças e adolescentes.
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