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Dia Nacional de Controle da Asma reforça importância do diagnóstico precoce e do tratamento contínuo

Com a chegada do inverno e o aumento das doenças respiratórias, especialista alerta para os principais sinais da doença e destaca que pacientes podem ter vida normal com acompanhamento adequado

Foto: CNordic Nordic - Unsplash
Foto: CNordic Nordic - Unsplash


Jamis Gomes Jr. - estagiário

Neste domingo (21), é celebrado o Dia Nacional de Controle da Asma, data criada para conscientizar a população sobre uma das doenças respiratórias crônicas mais comuns do mundo. Embora não tenha cura, a enfermidade pode ser controlada com diagnóstico precoce, acompanhamento médico e adesão ao tratamento, permitindo que crianças, jovens e adultos mantenham uma rotina normal.

Segundo dados do Ministério da Saúde, a asma ainda é responsável por milhares de internações todos os anos no Brasil. A doença provoca uma inflamação crônica das vias aéreas e pode se manifestar em qualquer faixa etária, afetando diretamente a qualidade de vida quando não é devidamente tratada.

Para o médico pediatra e professor do curso de Medicina da Uniderp, Walter Peres, a informação é uma das principais aliadas na prevenção de crises mais graves. Ele explica que os sintomas podem variar em intensidade e muitas vezes são confundidos com problemas respiratórios passageiros.

“A asma é uma doença inflamatória crônica das vias aéreas que pode ser muito bem controlada quando diagnosticada e tratada corretamente. Os principais sintomas são chiado no peito, falta de ar, tosse persistente, principalmente à noite ou nas primeiras horas da manhã, e sensação de aperto no peito”, afirma.

De acordo com o especialista, alguns fatores costumam desencadear ou agravar as manifestações da doença, como exercícios físicos, infecções respiratórias, contato com poeira, pelos de animais, fumaça e mudanças bruscas de temperatura.

Além dos sintomas mais comuns, Walter Peres chama a atenção para sinais que indicam a necessidade de procurar atendimento médico imediatamente.

“Alguns sinais indicam maior gravidade e exigem avaliação médica imediata. Entre eles estão dificuldade importante para respirar, fala entrecortada pela falta de ar, uso intenso da musculatura do pescoço ou das costelas para respirar, lábios ou unhas arroxeados, sonolência, confusão e pouca resposta ao uso da medicação de alívio”, destaca.

Segundo ele, pacientes que precisam utilizar com frequência o broncodilatador de resgate, popularmente conhecido como “bombinha”, ou que apresentam piora progressiva dos sintomas também devem procurar avaliação especializada.

“O diagnóstico precoce e o acompanhamento regular são fundamentais para evitar exacerbações, reduzir internações e proporcionar melhor qualidade de vida”, acrescenta.

Inverno exige atenção redobrada
Com a chegada oficial do inverno, período em que Petrópolis costuma registrar baixas temperaturas, os cuidados com a saúde respiratória precisam ser intensificados. Isso porque o frio favorece tanto o aumento das infecções virais quanto a exposição a fatores que podem desencadear crises de asma.

“O inverno é um período em que observamos aumento das crises de asma. Isso acontece porque o ar frio pode provocar contração dos brônquios em pessoas suscetíveis. Além disso, nessa época aumentam as infecções respiratórias por vírus e as pessoas permanecem mais tempo em ambientes fechados, favorecendo a exposição a ácaros, mofo e outros alérgenos”, explica o médico.

Entre as medidas preventivas recomendadas estão a manutenção do tratamento prescrito, mesmo quando não há sintomas, além da redução da exposição a agentes irritantes.

“É importante evitar a fumaça de cigarro e queimadas, manter os ambientes limpos e ventilados, controlar a umidade para reduzir o mofo e higienizar regularmente roupas de cama. Também é fundamental manter a vacinação atualizada, especialmente contra influenza e Covid-19, quando indicada”, orienta.

Outra recomendação é proteger o organismo das temperaturas mais baixas.

“Utilizar roupas adequadas e, sempre que possível, respirar pelo nariz ajuda a aquecer e umidificar o ar antes de ele chegar aos pulmões”, ressalta.

Erros no tratamento comprometem o controle da doença

Apesar dos avanços na medicina e da ampla disponibilidade de medicamentos, muitos pacientes ainda cometem erros que prejudicam o controle da asma. Um dos mais frequentes, segundo Walter Peres, é abandonar o tratamento quando os sintomas desaparecem.

“Hoje sabemos que a grande maioria dos pacientes com asma pode levar uma vida absolutamente normal quando a doença está bem controlada. Crianças podem brincar, praticar esportes e frequentar a escola normalmente, enquanto adultos podem exercer suas atividades sem limitações”, afirma.

No entanto, ele observa que muitas pessoas utilizam apenas a medicação de alívio durante as crises e deixam de fazer o tratamento preventivo.

“Muitos pacientes utilizam apenas a bombinha de alívio durante as crises e abandonam a medicação controladora, que é justamente a responsável por reduzir a inflamação das vias aéreas e prevenir novas exacerbações”, explica.

Outro problema comum é o uso inadequado dos dispositivos inalatórios. Segundo o especialista, mesmo com a medicação correta, a eficácia do tratamento pode ser comprometida quando a aplicação é feita de forma errada.

“Por isso, a técnica deve ser revisada periodicamente durante as consultas”, recomenda.

Além disso, o médico destaca a importância de controlar fatores desencadeantes, tratar doenças associadas, como a rinite alérgica, praticar atividades físicas regularmente quando a asma estiver controlada e evitar o tabagismo.

“A principal mensagem é que a asma não deve ser encarada como uma doença que limita a vida do paciente. Com acompanhamento médico, adesão ao tratamento e educação sobre a doença, é possível manter excelente controle dos sintomas, prevenir internações e garantir uma vida ativa, saudável e com qualidade”, conclui Walter Peres.

Em uma cidade como Petrópolis, onde o frio costuma ser mais intenso durante o inverno, o reforço na prevenção e o tratamento adequado são fundamentais para reduzir crises e evitar complicações, garantindo mais qualidade de vida para crianças e adultos que convivem com a doença.

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