Há tardes que pedem música não como pano de fundo, mas como ponto de encontro. Em Petrópolis, este domingo se desenha assim: entre acordes, conversas e memórias compartilhadas. A cidade recebe a segunda edição da Domingueira Samba Choro, um convite para desacelerar e se deixar conduzir por um gênero que atravessa o tempo sem perder o frescor. Na Cervejaria Duas Torres, o ambiente se transforma em espaço de convivência, onde cavaquinho, pandeiro e sopros aproximam gerações e constroem uma atmosfera que vai além do palco. A proposta é simples e potente: reunir pessoas em torno da música brasileira, valorizando encontros e afetos.
Domingo de choro e memória
A programação ganha contornos especiais por antecipar o Dia Nacional do Choro, data dedicada a Pixinguinha, um dos pilares da música popular brasileira. Nesse contexto, a Domingueira se apresenta como um gesto de continuidade, mantendo viva uma tradição nascida no Rio de Janeiro do século XIX e ainda pulsante.
No palco, um coletivo afinado traduz a vitalidade do samba e do choro na cidade. Participam Breno Morais (sax e flauta), Carlos Watkins (sax), Maria Swenson (voz e percussão), João Victor Ramos (cavaquinho e arranjos), Yuri Garrido (bateria), João Pedro Gomes (violão), Laio Simas (cavaquinho), Wesley Costalonga (trompete), Arthur Leite (trombone) e Leandro Mattos (pandeiro), em uma apresentação que equilibra técnica e sensibilidade.
A tarde ganha ainda mais significado com a presença de Nilton Hutter, aos 91 anos. Ex-integrante dos Canarinhos de Petrópolis, ele carrega consigo uma trajetória que atravessa décadas e acrescenta ao encontro uma dimensão simbólica rara, conectando diferentes tempos da música na cidade.
Um encontro que se fortalece
Criada por músicos e entusiastas, a Domingueira nasce do desejo de ampliar os espaços de convivência cultural em Petrópolis. Após uma primeira edição marcada pela diversidade do público e pelo clima de encontro, o projeto aponta para continuidade, com a proposta de se tornar um ponto recorrente onde a música ocupa o centro da experiência.
“A primeira edição, realizada em 22 de março, foi um grande sucesso, surpreendendo pelo público eclético, que encontrou na Domingueira uma opção de lazer e cultura até então carente na cidade. Esse resultado reforça a relevância do projeto para consolidar um espaço de encontro musical e social em Petrópolis”, destaca Breno Morais, um dos organizadores.
Tradição que segue viva
Celebrado oficialmente desde 2000, o Dia Nacional do Choro reconhece a importância histórica de um gênero que influenciou estilos como o samba e a bossa nova. Em 2024, o choro foi registrado como patrimônio cultural imaterial pelo Iphan, reforçando seu valor artístico e social um reconhecimento que se reflete em iniciativas como esta, onde tradição e presente caminham juntos.
Serviço
Domingueira Samba Choro
Data: 19 de abril (domingo)
Horário: 14h
Local: Cervejaria Duas Torres
Ingresso: R$ 20 (na porta)
Classificação: Livre
Capacidade: 250 pessoas
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