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Doze anos depois: o que o destino das arenas da Copa de 2014 ensina sobre o futuro das cidades

Especialista faz análise técnica e relata como a falta de planejamento a longo prazo transforma obras monumentais em prejuízo público

Doze anos depois: o que o destino das arenas da Copa de 2014 ensina sobre o futuro das
Foto: Divulgação

Fazem 12 anos em que o Brasil se tornou o centro das atenções ao sediar a Copa do Mundo. Agora, depois dos holofotes apagados, a conta física e financeira das grandes construções continua chegando para os estados brasileiros. Estádios monumentais que prometeram modernidade e desenvolvimento, hoje enfrentam um desafio que vai muito além do esporte: a sobrevivência econômica dentro do desenho das cidades. É o fenômeno conhecido popularmente como "elefantes brancos".

De acordo com Marcelo Monteiro, arquiteto e professor do curso de Arquitetura e Urbanismo da Estácio, na arquitetura moderna, projetar um edifício imponente é apenas a primeira parte do trabalho.

“O verdadeiro teste de um projeto é o seu ciclo de vida, ou seja, como ele se mantém útil e viável ao longo das décadas. Quando grandes arenas são erguidas sem um plano claro para o dia seguinte, o patrimônio se transforma em problema”, explica.

Segundo o especialista, cidades como Manaus e Brasília ilustram bem esse cenário.

A Arena da Amazônia e o Estádio Nacional Mané Garrincha custaram bilhões de reais aos cofres públicos, no entanto, por estarem localizados em regiões sem um mercado local de futebol forte o suficiente para lotar arquibancadas semanalmente, essas estruturas sofrem para cobrir seus custos básicos de manutenção. Sem um calendário contínuo de grandes eventos ou shows, tornaram-se ‘passivos fiscais’, ou seja, estruturas gigantescas que consomem dinheiro público apenas para continuarem de pé.

Por outro lado, Marcelo cita o sucesso de arenas como o Mineirão, em Belo Horizonte, e o Beira-Rio, em Porto Alegre, mostrando o caminho inverso, justamente por estarem inseridas em eixos urbanos já consolidados e operados sob modelos que misturam comércio, serviços e lazer diário.

“Esses espaços conseguiram se consolidar como complexos multiuso duradouros. A diferença entre o sucesso e o fracasso dessas obras não está no desenho da fachada, mas na estratégia de planejamento urbano a longo prazo”, acredita o arquiteto, acrescentando ainda que é exatamente essa visão macro e realista que pauta o debate atual sobre o desenvolvimento das cidades.

“Hoje, o nosso papel como arquiteto e urbanista vai muito além de desenhar interiores ou fachadas bonitas. O mercado exige uma leitura clara sobre economia urbana, viabilidade financeira e impacto social. Discutir os erros e acertos do legado de 2014 é fundamental para projetar cidades inteligentes, eficientes e que gerem valor real para a população, e não dívidas eternas”, conclui.

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