A obra com o título de “Poder e socialismo: Governança, classes, ciência e projetamento na China” foi lançado em Petrópolis, nessa quarta-feira (29), às 18h30, no CEFET/RJ campus Petrópolis
Vitor Cesar estagiário
Nessa quarta-feira (29), o geógrafo, intelectual, professor e pré-candidato ao cargo de deputado federal pelo PCdoB do Rio, Elias Jabbour veio à Petrópolis para lançar o seu novo livro “Poder e Socialismo: governança, classes, ciência e projetamento na China”. Em visita ao Diário de Petrópolis, Jabbour concedeu falou sobre a obra e sobre política.
Segundo o professor, a obra cumpre com as requisições feitas pelo público no lançamento anterior, em 2021, “China: O socialismo do século XXI”. “O livro anterior, lança um novo cabedal teórico, conceitual e categorial para compreender tanto o capitalismo do século XX quanto o socialismo do século XX, e, a partir disso, enfrentar o debate sobre a natureza do socialismo hoje. O novo consolida esses marcos conceituais lançados no livro anterior e traz uma resposta, que é a utilização de inovações tecnológicas disruptivas, como 5G, Big Data, Inteligência Artificial, o 6G, para fins de planejamento econômico. Esse livro, em tese, se trata de uma tentativa de entregar uma teoria do socialismo, tendo como referência a experiência chinesa atual”.
Jabbour também explica as diferenças da experiência socialista chinesa para as antes vividas pelo mundo. “Então, no livro anterior, nós colocamos que o socialismo de mercado, participante de uma nova classe de formações econômicas sociais que surgiu em 1978, como a combinação do privado com o público, do mercado com o manejamento, a inserção da China no mercado mundial, ou seja, uma série de características de um país, entre as quais capitalistas, passaram a ser admitidas pelo país a partir de 1978. Nesse livro, praticamente, nós abandonamos esse nome socialismo de mercado para chamar de socialismo. Então, o que existe na China hoje é o socialismo da forma como ele comparece e se expressa no movimento real, com as suas contradições, com os seus limites e suas possibilidades”.
Para complementar, Elias ressaltou que a derrubada de “espantalhos” sobre o socialismo e a China o motiva para continuar se aprofundando nos estudos sobre o país asiático. “Acho que essa arte da desconstrução do espantalho é o que me leva a me aprofundar cada vez mais na história, nas múltiplas determinações que formam aquele concreto e entrega uma resposta para cada espantalho que levanta sobre o que nós estamos elaborando. Espantalhos sobre a democracia chinesa, que segue um caminho diferente da ocidental, sobre a existência de burguesia no país, entre outros. Então, quando nós colocamos história na conversa, quando nós trabalhamos com o vislumbre do processo histórico, fica tudo muito mais fácil de se compreender do que se ficarmos na discussão moral”.
O lançamento em Petrópolis também é ponto chave para Jabbour. “Petrópolis é uma cidade de cultura pulsante, uma cidade universitária, existe uma classe média pensante, ou seja, então é quase que natural nós virmos aqui em Petrópolis fazer essa discussão. Mas também tem uma discussão que envolve uma pré-candidatura de deputado federal. Então, em certa medida, o lançamento desse livro nos possibilita levar para uma massa de gente, não somente o que nós pensamos sobre a China, que é uma marca característica da minha figura pública, mas também a partir da experiência chinesa, o que nós queremos para o Brasil”, disse.
Além da obra, Elias l pretende emplacar dois projetos, se for eleito deputado federal: um sobre inflação e outro sobre a equiparação industrial de moeda. “Existe uma chamada periodização entre os economistas sobre quando começa, de fato, o nosso processo de desindustrialização. Mas eu acho que existe um marco institucional que é fundamental para que nós possamos nos mirar para entender como funciona esse processo de desindustrialização, em 1995, quando o texto original da Constituição, que previa a diferença entre capital nacional e estrangeiro, foi abandonado e foi reescrito o artigo 171 da Constituição, colocando paridade de tratamento entre as duas formas de capital. Isso derruba completamente qualquer possibilidade desse país ter indústria nacional autônoma. Além disso, tenho um projeto de aumentar a temporidade de meta de inflação, saindo de uma meta anual, para um período de três anos, para parar com a utilização desmedida da taxa de juros nos preços dos produtos non mercado, serviço e indústria”.
Elias lançou seu novo livro nessa quarta-feira (29), em evento realizado no CEFET/RJ-campus Petrópolis. O evento reuniu estudantes, pesquisadores e interessados em compreender as transformações recentes da economia mundial.
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