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quinta-feira, 08 de janeiro de 2026


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Em dezembro, custo da cesta aumenta em 17 capitais

Foto: Pixabay
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O valor do conjunto dos alimentos básicos aumentou em 17 capitais e diminuiu em outras nove localidades onde o DIEESE, em parceria com a Conab, realiza mensalmente a Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos. Entre novembro e dezembro de 2025, as elevações mais importantes ocorreram em Maceió (3,19%), Belo Horizonte (1,58%), Salvador (1,55%), Brasília (1,54%), Teresina (1,39%), Macapá (1,23%), Goiânia (1,19%) e Rio de Janeiro (1,03%). Em João Pessoa, o custo da cesta não variou e as quedas mais expressivas ocorreram na região Norte: Porto Velho (-3,60%), Boa Vista (-2,55%), Rio Branco (-1,54%) e Manaus (-1,43%).

São Paulo foi a capital onde o conjunto dos alimentos básicos apresentou o maior custo (R$ 845,95), seguida por Florianópolis (R$ 801,29), Rio de Janeiro (R$ 792,06) e Cuiabá (R$791,29). Nas cidades do Norte e do Nordeste, onde a composição da cesta é diferente, os menores valores médios foram registrados em Aracaju (R$ 539,49), Maceió (R$ 589,69), Porto Velho (R$ 592,01) e Recife (R$ 596,10).

A comparação do custo de dezembro de 2024 e dezembro de 2025, possível apenas nas 17 capitais com série histórica completa, mostrou elevação em nove municípios e diminuição em oito. Destacam-se as altas em Salvador (4,04%), Belo Horizonte (2,40%) e Rio de Janeiro (1,57%). As reduções mais importantes foram observadas em Brasília (-3,90%) e Natal (-3,27%). Com base na cesta mais cara, que, em dezembro, foi a de São Paulo, e levando em
consideração a determinação constitucional que estabelece que o salário mínimo deve ser suficiente para suprir as despesas de um trabalhador e da família dele com alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e previdência, o DIEESE estima mensalmente o valor do salário mínimo necessário. Em dezembro de 2025, o salário mínimo necessário para a manutenção de uma família de quatro pessoas deveria ter sido de R$ 7.106,83 ou 4,68 vezes o mínimo de R$ 1.518,00. Em novembro, o valor necessário era de R$ 7.067,18 e correspondeu a 4,66 vezes o piso mínimo. Em dezembro de 2024, o mínimo necessário deveria ter ficado em R$ 7.067,68 ou 5,01 vezes o valor vigente na época, que era de R$ 1.412,00.

Cesta x salário mínimo

Em dezembro de 2025, o tempo médio necessário para adquirir os produtos da cesta básica nas 27 capitais foi de 98 horas e 41 minutos, pouco maior do que o registrado em novembro, quando ficou em 98 horas e 31 minutos. Já em dezembro de 2024, considerando apenas as 17 capitais, a jornada média foi de 109 horas e 29 minutos.

Quando se compara o custo da cesta e o salário mínimo líquido, ou seja, após o desconto de 7,5% referente à Previdência Social, verifica-se que o trabalhador remunerado pelo piso nacional comprometeu em média, nas 27 capitais pesquisadas em dezembro de 2025, 48,49% do rendimento para adquirir os produtos alimentícios básicos e, em novembro, 48,41% da renda líquida. Em dezembro de 2024, considerando as 17 capitais, o percentual médio ficou em 53,80%.

Principais variações mensais dos preços dos produtos da cesta

O preço da carne bovina de primeira subiu em 25 das 27 capitais entre novembro e dezembro de 2025, com altas mais expressivas em Maceió (4,50%), Belo Horizonte (3,49%), Manaus (3,06%) e Teresina (3,01%). Houve queda em Boa Vista (-0,59%) e Curitiba (-0,06%). O aquecimento da demanda interna e externa e a oferta restrita explicaram a alta do preço da carne.

A batata, coletada apenas na região Centro-Sul, apresentou diminuição no valor médio em Porto Alegre (-3,57%), entre novembro e dezembro de 2025. Nas demais capitais, houve aumento, com destaque para Rio de Janeiro (24,10%), Belo Horizonte (21,15%) e Goiânia (17,23%). As chuvas e o fim da colheita resultaram em alta do tubérculo.

Entre novembro e dezembro de 2025, o preço da farinha de trigo, coletado no Centro-Sul, aumentou em Brasília (2,98%) e Curitiba (0,95%), e diminuiu nas demais capitais, com destaque para Vitória (-2,31%). A nova safra de trigo e a maior oferta global explicam o resultado.

O preço do leite integral caiu em 22 das 27 cidades entre novembro e dezembro de 2025, com variações entre -5,61%, em Curitiba, e -0,69%, em Recife. Em Palmas, Aracaju e Maceió, o valor não se alterou e observou-se aumento em outras duas cidades: Boa Vista (3,28%) e Macapá (0,26%). Maior oferta interna, consequência da produção no campo e das importações de derivados, fez com que os preços diminuíssem no varejo.

O arroz agulhinha teve o preço reduzido em 23 das 27 cidades. As quedas mais significativas foram registradas em Maceió (-6,65%) e Vitória (-6,63%). Em Cuiabá e Porto Velho, o valor não variou. Em Recife (2,36%) e em Manaus (1,04%), houve alta. Menor volume exportado e demanda retraída resultaram em novas diminuições do custo do grão no varejo.

O preço do açúcar ficou menor em 21 capitais, com reduções entre -5,94%, em Teresina, e -0,40%, em Florianópolis. Em São Luís, o valor médio não se alterou. Houve aumento em cinco localidades, com destaque para Macapá (1,51%). A maior oferta de açúcar reduziu o valor praticado no varejo.

Entre novembro e dezembro de 2025, o preço do café em pó diminuiu em 20 cidades, com variações entre -3,35%, em Palmas, e -0,07%, em Macapá. Houve aumento em outras sete cidades, sendo que a variação mais alta foi verificada em Manaus (3,97%). As tarifas impostas pelos Estados Unidos, um dos maiores compradores de café, e as incertezas em relação à negociação reduziram as exportações e os preços no varejo.

O preço do óleo de soja diminuiu em 17 cidades, com destaque para os percentuais em Belo Horizonte (-6,68%) e São Luís (-5,90%). Em Porto Alegre e Fortaleza, o valor médio não se alterou e, em oito cidades, foi observada alta, sendo que a maior variação ocorreu em Belém (3,54%). Maior oferta global da soja explicou a redução do óleo no varejo.  Destaques na variação nos 12 meses, considerando as 17 capitais A comparação nos 12 meses (valores de dezembro de 2024 a dezembro de 2025) somente é possível para as 17 capitais onde o DIEESE já realizava o levantamento dos preços em 2024: Aracaju, Belém, Belo Horizonte, Brasília, Campo Grande, Curitiba, Florianópolis,
Fortaleza, Goiânia, João Pessoa, Natal, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador, São Paulo e Vitória.

O preço médio do arroz agulhinha diminuiu em todas as capitais e as quedas variaram entre -40,34%, em Brasília, e -20,72%, em Aracaju. A combinação de uma supersafra nacional, do aumento da oferta global e de fracas demandas interna e externa resultou em diminuição dos preços do mercado de arroz no Brasil, em 2025.

Houve redução do preço médio da batata em todas as cidades do Centro-Sul, onde o tubérculo é pesquisado. As variações ficaram entre -34,57%, em Porto Alegre, e -3,38%, no Rio de Janeiro. O excesso de oferta explica o comportamento do preço do produto. Houve redução do preço do leite integral em todas as capitais e as quedas variaram entre -13,23%, em Curitiba, e -3,51%, em Fortaleza. A disponibilidade de lácteos, como o leite UHT, ficou elevada em 2025, devido aos investimentos realizados em 2024, ao clima favorável ao longo do ano e às importações.O valor médio do feijão caiu em 15 das 17 capitais. O tipo preto, coletado nas capitais do Sul, no Rio de Janeiro e em Vitória, diminuiu em todas as localidades, com destaque para Florianópolis (-45,73%) e Curitiba (-40,47%). Já o tipo carioca, coletado no Norte, Nordeste, Centro-Oeste, Belo Horizonte e São Paulo, aumentou em São Paulo (3,60%) e Aracaju (1,88%) e caiu nas demais capitais, com variações entre -13,61%, em Fortaleza, e -0,29%, em Belo Horizonte. A oferta maior do tipo preto explicou a queda no varejo. Para o tipo carioca, mesmo a menor oferta do grão e a diminuição da área plantada não foram suficientes para sustentar o valor no varejo, ao longo do ano, de forma que a cotação média foi menor no final de 2025 na maioria das cidades.

No acumulado de 12 meses, o preço do açúcar foi menor em 14 das 17 capitais, com destaque para as variações de Belém (-31,69%) e Brasília (-23,52%). Ao longo de 2025, houve recuo do valor no varejo, devido à queda nos preços internacionais, o que fez com que os usineiros direcionassem a produção para o mercado interno. O preço do café em pó aumentou em todas as capitais, com elevações entre 23,01%, em Brasília, e 58,90%, em Porto Alegre. Em 2025, o mercado do café foi marcado por altos preços e volatilidade. As cotações foram sustentadas pelos estoques globais ajustados, pela expectativa de menor produção no Vietnã, pelas incertezas quanto à safra brasileira e pela tarifação por parte dos Estados Unidos.

O preço do pão francês aumentou em todas as capitais e as altas ficaram entre 0,83%, em Aracaju, e 8,08%, em Florianópolis. Os aumentos de custo de produção e dos insumos foram os responsáveis pelas altas.
O preço da carne bovina de primeira aumentou em 15 das 17 capitais, com destaque os percentuais de Porto Alegre, 5,50% e de Vitória, 5,44%. As quedas ocorreram em Brasília (-1,63%) e Goiânia (-1,54%). Em 2025, houve recordes de produção e de exportação da pecuária nacional, impulsionados pela menor oferta global de carne, pelos custos competitivos do Brasil e pelo câmbio elevado.

Rio de Janeiro

Em dezembro de 2025, o preço da cesta básica do Rio de Janeiro apresentou alta de 1,03% em relação a novembro e ficou em R$ 792,06. Foi a terceira cesta básica mais cara entre as capitais pesquisadas. Na comparação com dezembro de 2024, o valor acumulou alta de 1,57%.

Entre novembro e dezembro de 2025, seis dos 13 produtos que compõem a cesta básica tiveram aumento nos preços médios: batata (24,10%), banana (3,42%), feijão preto (1,17%), carne bovina de primeira (1,15%), manteiga (0,80%) e pão francês (0,40%). Outros sete itens apresentaram queda: tomate (-5,13%), leite integral (-3,40%), açúcar refinado (-2,02%), óleo de soja (-1,62%), arroz agulhinha (-1,62%), café em pó (-0,59%) e farinha de trigo (-0,20%).

Nos últimos 12 meses, entre dezembro de 2024 e dezembro de 2025, foram registradas elevações em cinco dos 13 produtos: café em pó (42,55%), tomate (9,04%), banana (8,87%), pão francês (4,19%) e carne bovina de primeira (4,11%). Os itens que apresentaram diminuição de preços foram: feijão preto (-36,75%), arroz agulhinha (-29,73%), leite integral (-8,27%), açúcar refinado (-6,03%), farinha de trigo (-4,47%), batata (-3,38%), óleo de soja (-1,51%) e manteiga (-1,33%).

Em dezembro de 2025, o trabalhador do Rio de Janeiro, remunerado pelo salário mínimo de R$ 1.518,00, precisou trabalhar 114 horas e 47 minutos para adquirir a cesta básica. Em novembro de 2025, o tempo de trabalho necessário havia sido de 113 horas e 37 minutos. Em dezembro de 2024, quando o salário mínimo era de R$ 1.412,00, o tempo de trabalho necessário era de 121 horas e 30 minutos.

Considerando o salário mínimo líquido, após o desconto de 7,5% da Previdência Social, o mesmo trabalhador precisou comprometer, em dezembro de 2025, 56,41% da renda para adquirir a cesta. Em novembro de 2025, esse percentual correspondeu a 55,83% da renda líquida e, em dezembro de 2024, a 59,71%.

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