Jamis Gomes Jr. - especial para o Diário
A atuação das empresas tem sido cada vez mais apontada como essencial no enfrentamento à violência contra a mulher no Brasil, um cenário que também reflete diretamente na realidade de cidades como Petrópolis. A avaliação é de especialistas e autoridades que defendem uma participação mais ativa do setor privado, indo além das obrigações legais.
Dados recentes mostram a gravidade do problema: o país registra, em média, seis feminicídios por dia. Diante desse cenário, cresce a pressão para que empresas adotem medidas concretas de prevenção, acolhimento e combate à violência, inclusive dentro do ambiente de trabalho.
A discussão ganhou força em um evento realizado no Rio de Janeiro, que reuniu representantes do setor público e privado. Entre os pontos centrais, está a necessidade de que empresas criem canais seguros de denúncia, promovam campanhas internas e atuem na construção de uma cultura organizacional mais segura para mulheres.
Além disso, especialistas defendem que o impacto dessas ações vai além das grandes capitais e chega também a municípios como Petrópolis, onde muitas mulheres ainda enfrentam dificuldades para denunciar casos de violência.
Nesse contexto, a advogada Mayara Vasconcellos, do escritório Lima Vasconcellos Advogados, destaca que a legislação brasileira já oferece mecanismos importantes de proteção, mas que ainda há desafios no acesso a esses direitos.
“A mulher vítima de violência doméstica possui proteção garantida principalmente pela Lei Maria da Penha, que prevê medidas urgentes para preservar sua integridade física, psicológica e patrimonial”, explica.
Segundo ela, em Petrópolis, há caminhos legais que podem ser acionados de forma imediata.
“A mulher pode buscar ajuda na delegacia, no Ministério Público, na Defensoria Pública ou diretamente no Judiciário para solicitar medidas protetivas, como o afastamento do agressor. O mais importante é que ela saiba que a lei permite uma resposta rápida do Estado”, afirma.
A especialista também chama atenção para o papel das empresas nesse cenário, especialmente quando a violência impacta o ambiente profissional.
“Quando a violência ocorre no trabalho ou envolve colegas e superiores, a empresa tem o dever de prevenir e apurar. Caso haja omissão, pode haver responsabilização na esfera trabalhista ou até civil”, pontua.
Mesmo em situações de violência doméstica, o reflexo no emprego tem levado empresas a adotarem medidas de apoio às funcionárias.
“Algumas organizações já oferecem flexibilização de horários, afastamento temporário e encaminhamento para apoio psicológico e jurídico, o que pode ser decisivo para a proteção da vítima”, completa.
Outro ponto destacado por Mayara é o papel estratégico do ambiente corporativo na rede de proteção.
“As empresas podem implementar políticas internas, criar canais seguros de denúncia e promover treinamentos. Além disso, o acolhimento institucional ajuda a romper o silêncio que muitas vezes impede a vítima de buscar ajuda”, ressalta.
Apesar dos avanços, a advogada avalia que ainda existem entraves importantes, inclusive em cidades do interior.
“Muitas mulheres enfrentam medo de denunciar, dependência econômica e falta de informação. Também é necessário fortalecer a integração entre polícia, Justiça e serviços de assistência. A violência doméstica não pode ser tratada como um problema privado, mas como uma violação de direitos humanos”, conclui.
A expectativa é que, com maior engajamento das empresas e fortalecimento da rede de apoio, seja possível avançar no combate à violência de gênero, uma realidade que exige atenção urgente também em nível local.
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