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Escolas Livres: formação artística como política de Estado e transformação social

Iniciativas em diversos estados brasileiros reafirmam o papel da ação na democratização do acesso à cultura e no fortalecimento das identidades territoriais

Foto: Instituto Pró Cidadania
Foto: Instituto Pró Cidadania

Política pública do Ministério da Cultura (MinC), coordenada pela Secretaria de Formação Artística e Cultural, Livro e Leitura (Sefli), a Rede das Escolas Livres de Formação em Arte e Cultura está presente nas cinco regiões do Brasil. No mês de marco, a iniciativa ofertou oficinas e atividades artísticas, parte de uma programação  gratuitas  ampla e diversa.

“Não há educação sem cultura. Ambas caminham em nossas vidas e devem andar juntas como políticas integradas. Dessa confluência, temos uma diversidade de espaços formativos que oferecem à sociedade civil atividades, por exemplo, em teatro, dança, circo, literatura, música, audiovisual, artesanato, culturas populares, afro-brasileiras e indígenas”, afirma o secretário de Formação Artística Cultural, Livro e Leitura do MinC, Fabiano Piúba.
Inclusão e Desenvolvimento Sociocultural no Sul e Sudeste

No Rio Grande do Sul e no Rio de Janeiro, o Instituto Pró-Cidadania (IPC) atua há mais de duas décadas na promoção de ações formativas. Através do projeto “Arte Cultura em Movimento”, o instituto viabiliza cursos em áreas como audiovisual, gastronomia e literatura, com foco no desenvolvimento de cidadãos em situação de vulnerabilidade social.

Um exemplo da aplicação prática dessa política é o curso de Produção de vídeo em Celular, em Taquara (RS). A iniciativa foca na capacitação técnica para o uso de dispositivos móveis como ferramentas de trabalho e expressão, permitindo que os alunos desenvolvam conteúdos qualificados para o mercado digital e projetos culturais autônomos.

Metodologia e Impacto Social na Bahia
Em Simões Filho (BA), a organização Obras Sociais Irmã Dulce (OSID) consolida-se como uma referência em arte-educação. A instituição utiliza a metodologia de “Tecnologia de Experimentação Artística” para promover o aprendizado em linguagens como música, teatro e dança, que muitas vezes não compõem a rede comum de ensino.

O diferencial do CESA reside na sua abordagem integral, que associa a prática artística ao acolhimento psicossocial e à inclusão familiar. Oficinas de tecelagem e cerâmica integram a comunidade ao ambiente escolar, reforçando o papel da cultura como elemento de coesão social e desenvolvimento humano.

Preservação do Patrimônio Imaterial no Rio Grande do Norte
A Associação Comunitária Sócio Cultural de Major Sales (RN) dedica-se à salvaguarda da cultura popular potiguar. Por meio do projeto “A Presença da Cultura Popular”, a Escola Livre promoveu a capacitação de 90 educadores, visando a inserção desses saberes no currículo escolar da rede pública.

Essa articulação pedagógica é complementada por ações de visibilidade, como o Festival de Caboclos, considerado o maior evento de cultura popular do estado. A iniciativa demonstra como a formação teórica se desdobra em práticas de preservação que movimentam a economia criativa local e protegem o patrimônio imaterial da região.

Fomento e Reconhecimento da Cena Teatral na Amazônia
Na região Norte, a Associação de Teatro e Educação Wankabuki (ATEW), de Rondônia, exemplifica o impacto da política pública. Após anos de atuação esporádica, a consolidação da Escola Livre de Teatro Wankabuki foi viabilizada pelo Programa Nacional de Formação Artística e Cultura, permitindo a manutenção de cursos regulares e a qualificação de novos artistas.

O reconhecimento desse trabalho alcançou âmbito nacional com o destaque na Revista Buli, importante publicação de artes cênicas. A trajetória da ATEW é marcada pela descentralização da produção teatral e pelo compromisso com a preservação audiovisual de comunidades tradicionais, como o povo indígena Sabanê, elevando a cultura amazônica ao cenário de debate nacional.

A  Rede
Selecionadas em 2023 pelo Minc, via edital de seleção pública, as Escolas Livres de Arte e Cultura são instituições da sociedade civil que atuam no desenvolvimento de tecnologias socioculturais e educativas, gerando impactos sociais que promovem a cidadania em abordagens colaborativas. As entidades participantes da rede nacional atuam em diversas linguagens e territórios, desenvolvendo ações coletivas a partir do fomento de políticas públicas.
A formação em arte e cultura no Brasil passa por um processo de fortalecimento institucional por meio das Escolas Livres de Formação em Arte e Cultura. Estas organizações da sociedade civil, enraizadas em seus respectivos territórios, desempenham um papel estratégico na execução de políticas públicas ao oferecerem processos formativos contínuos que integram técnica artística, inclusão social e valorização dos saberes locais.

Diferente do ensino acadêmico tradicional, as Escolas Livres caracterizam-se por metodologias flexíveis e participativas, que reconhecem a produção cultural como um direito fundamental. Ao integrar a Rede Nacional de Escolas Livres, essas instituições recebem o suporte necessário para ampliar o alcance de suas ações, garantindo a gratuidade e a qualidade do ensino artístico em regiões historicamente desassistidas.

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