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  Arte

Escultor  petropolitano  trabalha com matérias recicláveis

Acostumado com invenções desde a infância, artista recicla material e transforma em belas obras de arte

Wellington Daniel

 Pegue algumas latas, que não sejam frágeis, entregue nas mãos do petropolitano Edson de Andrade Lage, de 49 anos, e receba uma verdadeira obra de arte. É desta forma que o trabalho deste escultor pode ser definido. Aquela lata de leite em pó que seria descartada pela maioria das pessoas pode se transformar em um Dom Quixote ou um jogador do Flamengo.

O dicionário do professor Evanildo Bechara traz como um dos significados de “lixo” a seguinte sentença: “Aquilo que não tem serventia e, por isso, é descartado”. Já para “artista”, diz que é aquele que tem sensibilidade artística ou quem tem habilidades especiais.

Morador do bairro Bingen, Edson, como artista, teve a sensibilidade de enxergar uma possível obra naquilo que todo mundo descarta. Suas habilidades especiais se mostraram quando, além da ideia, conseguiu transformar o projeto em prática. E esse dom, essa veia artística, veio desde a infância, que o ajudou a passar pelas dificuldades enfrentadas.

“Desde os meus 14 anos, sempre gostei de fazer arte e experimentar. Nossa infância foi difícil, minha mãe não podia comprar brinquedo para gente. Foi então que eu fazia carrinho de papelão, por exemplo. Nessa idade comecei a aperfeiçoar, mas desde os sete anos já tentava fazer alguma coisa”, contou.

 

O início

O trabalho com as latas começou após ver uma representação do personagem Dom Quixote, que dá título a um livro de Miguel de Cervantes. Hoje, esta primeira peça é uma das mais procuradas, apesar de um enorme acervo e novos personagens e representações.

“Eu trabalhei em um lugar que vi um Dom Quixote. E aí fui tentando fazer e não conseguia. E aí consegui fazer um cowboy. Fui insistindo e cheguei ao Dom Quixote. Foi do nada, não vi ninguém em lugar nenhum, foi tentando mesmo”, disse.

Ao se casar, parou por um tempo de fazer as peças. Mas o gosto da esposa por arte também o motivou a voltar. “Comecei a colocar em grupo de artesanato e o pessoal começou a gostar. Graças a Deus, até vendi bastante, inclusive para várias partes do Brasil”, disse.

 

Material utilizado

Uma das primeiras latas utilizadas foi a de óleo, antes de a maioria dos produtos serem colocados em garrafa pet. O artista também utiliza lata de leite em pó, massa de tomate e de tintas, por exemplo. Ele diz que não utiliza latinha, como de refrigerante e cerveja, por serem mais frágeis.

Apesar de também saber trabalhar com madeira, Edson diz que se sente mais a vontade com as latas. “Agora que peguei o jeito mesmo, faço com olho fechado. Já cheguei a fazer durante o dia de quatro a seis bonecos. Com a madeira não. Com a lata me identifico mais”.

 

Pandemia

A renda dos artesanatos é extra, já que Edson possui outro trabalho e faz as obras de arte na hora vaga. Com a pandemia, ele sentiu que houve uma diminuição nas vendas num primeiro momento, já que aproveitava o espaço de feiras, por exemplo, que pararam de acontecer. Mas a internet ajudou.

“A pandemia realmente deu uma esfriada. Eu não tenho lugar para vender ainda, aproveito algumas feiras. Com a pandemia deu uma parada. Começamos então a vender pela internet e, graças a Deus, tem dado certo”, relatou.

Quem se interessar em adquirir alguma peça, pode fazer a encomenda pelo whatsapp. A esposa, Luciana, que cuida dessa parte. O telefone é (24) 99983-9857.



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