Jamis Gomes Jr. - estagiário
O recorde histórico do queniano Sabastian Sawe na Maratona de Londres, ao completar os 42 quilômetros em 1h59min30s, chamou atenção pelo desempenho impressionante e também pela estratégia nutricional utilizada durante a prova. O atleta ingeriu cerca de 230 gramas de carboidratos ao longo da corrida, utilizando géis energéticos, bebidas esportivas, cafeína e suplementos desenvolvidos para facilitar a absorção intestinal.
Mas, enquanto o feito desperta curiosidade entre praticantes de corrida, especialistas alertam que tentar reproduzir protocolos de atletas profissionais sem acompanhamento adequado pode trazer riscos, especialmente em cidades como Petrópolis, onde o número de corredores amadores e participantes de provas de rua vem crescendo nos últimos anos.
A cidade tem se consolidado como palco frequente de corridas e desafios esportivos, impulsionados pelo clima mais ameno, pelas áreas de treino em meio à natureza e pelo aumento da busca por hábitos saudáveis. Com isso, cresce também o interesse de atletas amadores por suplementação, estratégias nutricionais e métodos utilizados por corredores de elite.
Segundo informações divulgadas pelo g1, o sucesso de Sawe envolveu muito mais do que a famosa refeição de pão com mel antes da largada. O atleta passou dias realizando sobrecarga de carboidratos, utilizou tecnologia para melhorar a absorção intestinal e contou com monitoramento fisiológico constante durante toda a preparação.
O médico do esporte Dr. Caio Bretas, cooperado da Unimed Petrópolis, destaca que existe uma diferença enorme entre o preparo de atletas profissionais e a realidade da maioria dos corredores amadores.
“Uma maratona abaixo de duas horas era considerada impossível até poucos anos atrás. A solicitação física e metabólica é exagerada nessa situação, chegando ao absurdo de um consumo de quatro mil calorias. A quantidade de treinos específicos leva o corpo a uma adaptação para tal feito, mas isso só é possível para pessoas muito especiais, com muito suporte técnico e médico”, explicou.
O especialista alerta que o chamado “treino intestinal”, utilizado para adaptar o organismo a absorver grandes quantidades de carboidrato durante provas longas, exige acompanhamento individualizado.
“A Medicina Esportiva utiliza biomarcadores bioquímicos, exames clínicos e métodos de avaliação para monitorar fadiga, desidratação e sobrecarga em atletas de alto rendimento. Isso não é receita de bolo para qualquer pessoa”, afirmou.
Em Petrópolis, profissionais da área esportiva observam um aumento no número de corredores iniciantes participando de provas sem o preparo adequado, muitas vezes influenciados por conteúdos vistos nas redes sociais.
Entre os riscos estão desidratação, desconfortos gastrointestinais, hipoglicemia, queda brusca de rendimento e até complicações mais graves relacionadas ao excesso de suplementação.
“Qualquer suplementação tem riscos e deve ser prescrita e acompanhada pelo médico. O uso indevido de repositores pode acabar com o sonho de completar a prova ou até prejudicar o desempenho do atleta”, destacou Dr. Caio Bretas.
Além da reposição energética, o médico reforça que a hidratação continua sendo um dos pontos mais importantes para corredores de longa distância, principalmente em provas com subidas e percursos mais exigentes, realidade comum nas corridas realizadas na Região Serrana.
O caso do maratonista queniano ajuda a mostrar como o esporte de alto rendimento está cada vez mais ligado à ciência, tecnologia e acompanhamento especializado. Para especialistas, porém, o principal aprendizado para os corredores amadores de Petrópolis não é copiar o que fazem os atletas de elite, mas entender os próprios limites e buscar orientação adequada antes de encarar desafios maiores.
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