Edição anterior (4097):
sábado, 29 de novembro de 2025


Capa 4097

Esporotricose: mais de 200 casos confirmados em Petrópolis

Doença atinge principalmente os gatos e pode contaminar os seres humanos

Foto: Reprodução
Foto: Reprodução

Larissa Martins

A Secretaria Municipal de Saúde confirmou 27 casos de esporotricose humana neste ano, até o dia 28 de novembro. Em 2024 foram registradas 26 ocorrências. Entre os animais, a doença segue em alta, com 185 casos novos. Ao todo, foram realizadas 796 consultas (primeira consulta e retornos) no município.

Mutação do fungo

A esporotricose é causada por fungos do gênero Sporothrix, que afetam principalmente gatos e que pode ser transmitida para humanos. Os felinos de rua são de difícil controle e disseminam de forma rápida a doença. Entretanto, eles precisam ser tratados e não podem ser vistos como culpados, pois são as maiores vítimas.

“É um grave problema de saúde pública. Para se ter uma ideia, o fungo já se tropicalizou e gerou uma espécie 100% nacional, a Sporothrix brasiliensis, que é muito mais transmissível e já está se espalhando para fora do Brasil”, explica o professor titular de medicina-veterinária da UNIP, Carlos Brunner.

Transmissão e tratamento

Brunner é especialista no uso de pulsos elétricos no tratamento de doenças. Ele é precursor da eletroquimioterapia no Brasil e um dos fundadores da Akko Health Devices, desenvolvedora de soluções em tratamentos com eletroquimioterapia para medicina humana e veterinária.

Há quase duas décadas, ele estuda os efeitos da técnica no tratamento de diversas doenças, entre elas a esporotricose, e desenvolveu um equipamento inédito que está sendo usado em clínicas veterinárias e em Universidades, caso da PUC de Curitiba e da Fiocruz, no Rio de Janeiro.

A transmissão da esporotricose para humanos é feita por meio do contato com o animal infectado. Os arranhões são a principal porta de entrada. A lesão ocorre geralmente nas mãos, braços, rosto ou pernas e começa como um nódulo avermelhado e firme. Depois, evolui para uma ferida ulcerada, que pode drenar pus. Ela não causa dor, mas demora para cicatrizar. O problema é que a infecção se espalha pelos vasos linfáticos e quando encontra uma pessoa com o sistema imunológico comprometido (caso dos imunossuprimidos) ela pode atingir ossos, pulmões, olhos e até o sistema nervoso central, levando à morte.

O tratamento deve ser realizado após a avaliação clínica, com orientação e acompanhamento médico. A duração pode variar de três meses a um ano, até a cura completa do indivíduo. Os antifúngicos utilizados para o tratamento da esporotricose humana são o itraconazol, o iodeto de potássio, a terbinafina e as formulações lipídicas de anfotericina B, para as formas graves e disseminadas. O Sistema Único de Saúde (SUS), por meio da Secretaria de Vigilância em Saúde, oferece gratuitamente o itraconazol e as formulações lipídicas de anfotericina B para o tratamento da esporotricose humana.

“ A esporotricose é infecciosa e agressiva. O tratamento com antifúngico é demorado e muitas vezes não traz os resultados esperados”, explica Brunner.

Nova técnica em animais

O fungo da esporotricose ataca as células da pele, se reproduzindo no tecido e matando essas células. “O que fizemos foi desenvolver um equipamento capaz de criar mais poros na pele e por meio deles combater o fungo”, Explica Brunner. O equipamento Sporo Pulse, fabricado pela empresa brasileira Akko Health Devices, tem sido usado com sucesso no tratamento da doença.

“Como não usamos medicação, as células da pele do gato permanecem vivas, porque os poros se formam e se fecham. Já a estrutura celular dos fungos é diferente, então os poros se formam e não se fecham mais, matando o fungo. Como trabalho com eletroporação há 18 anos pensei na possibilidade de provocar a formação dos poros irreversíveis nos fungos, devido suas características celulares. Ou seja, matando o fungo e preservando o tecido normal do gato”, explica o prof. Brunner.

A nova técnica está trazendo esperança para os animais e tutores já que exige menor número de manipulações do gato, menor custo, boa eficácia em animais resistentes à terapia convencional e redução do período de tratamento.

“O fato de termos animais não domiciliados ou que têm acesso à rua reforça a necessidade de um tratamento assertivo e rápido. Os gatos que são agressivos, que têm pouco contato com pessoas, os chamados “ferais”, teriam que ser medicados diariamente por meses, o que é praticamente inviável. Com essa técnica eles podem ser recolhidos, tratados com uma manipulação apenas, ao longo de 3 meses, e estariam 100% curados”, conclui Brunner. A eutanásia não pode ser considerada uma solução para o controle da doença, reforçando a importância do tratamento.

Vigilância ambiental

Em Petrópolis, a Coordenadoria de Vigilância Ambiental, oferece atendimento aos animais com suspeita da doença. O animal contaminado pode apresentar inchaço no nariz com secreção e "ronqueira".  O diagnóstico é feito pelo médico veterinário, através da coleta de dados, realização de exames físicos e laboratoriais. Essa avaliação é importante, pois a esporotricose pode ser confundida com outras doenças que possuem tratamentos diferentes.

O diagnóstico precoce é muito importante para evitar a contaminação. Os animais com sintomas da doença podem ser tratados na unidade da Coordenadoria de Vigilância Ambiental, mediante agendamento. Além do atendimento com o médico veterinário, é fornecida medicação específica até a alta do animal.

Prevenção:

-Castrar os animais;

-Manter os animais domiciliados;

-Limpeza do ambiente do animal infectado;

-Uso de luvas e higienização das mãos;

-Destinação correta do corpo em caso de falecimento do animal.

Serviço:

Atendimento de Combate à Esporotricose em Animais

Endereço: Rua Dr. Sá Earp, 433, centro (Próximo ao CTO, ao lado da clínica Dr Vianney)

Telefone para agendamento: (24) 2231-0841 ou 2291-1594

Notificação compulsória

Em janeiro, a esporotricose humana passou a fazer parte da Lista Nacional de Notificação Compulsória e deve ser registrada no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan). A implantação da vigilância epidemiológica das micoses endêmicas é uma das responsabilidades do Departamento de HIV, Aids, Tuberculose, Hepatites Virais e Infecções Sexualmente Transmissíveis (Dathi), do Ministério da Saúde, dentro do Plano Nacional de Saúde (2024-2027).

A partir da notificação compulsória, o Ministério da Saúde trabalha na organização dos serviços de saúde do Brasil. Entre as ações estão: elaboração de ficha de notificação e investigação no Sinan, para apoiar os estados; elaboração de protocolo de vigilância das micoses com fluxo da esporotricose humana detalhado; qualificações sobre o assunto para os profissionais de assistência à saúde e de vigilância; organização da rede diagnóstica laboratorial; além de planejamento estratégico na disponibilização de medicamentos antifúngicos para tratamento da doença, considerando um provável aumento de demanda, perante à sensibilidade da vigilância.

Campanha de conscientização

O Estado do Rio poderá ter uma campanha permanente de orientação, conscientização e prevenção à esporotricose nas unidades de saúde estaduais. A medida está prevista no Projeto de Lei 4.277/21, de autoria do deputado Danniel Librelon (REP), que a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) aprovou, em segunda discussão, na quarta-feira (26). O texto segue para o governador Cláudio Castro, que tem até 15 dias úteis para sancioná-la ou vetá-la.

Segundo a proposta, a campanha deverá orientar sobre a doença e o tratamento específico. Os estabelecimentos de saúde, assim como o conteúdo da campanha, ficarão a cargo e critério dos órgãos estaduais.

"Estando a sociedade informada e atenta aos riscos de transmissão das doenças, acaba por minorar a disseminação do contágio, ou no mínimo, ensejar um diagnóstico precoce, que, em ambos os casos, é essencial para a garantia do sucesso do tratamento. Sabe-se que a relação do ser humano com os animais de estimação é cada vez mais estreita, e é através dos felinos que o risco de incidência da doença é mais evidente. Motivo pelo qual, torna-se necessário a transmissão das informações à sociedade", justificou Librelon.

Edição anterior (4097):
sábado, 29 de novembro de 2025


Capa 4097

Veja também:




• Home
• Expediente
• Contato
 (24) 99993-1390
redacao@diariodepetropolis.com.br
Rua Joaquim Moreira, 106
Centro - Petrópolis
Cep: 25600-000

 Telefones:
(24) 98864-0574 - Administração
(24) 98865-1296 - Comercial
(24) 98864-0573 - Financeiro
(24) 99993-1390 - Redação
(24) 2235-7165 - Geral