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Estudo associa consumo regular de ovos a menor risco de Alzheimer em idosos; entenda

Foto: Reprodução
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Jamis Gomes Jr. - estagiário

Um estudo publicado recentemente no The Journal of Nutrition trouxe uma descoberta que chamou a atenção da comunidade científica: o consumo regular de ovos pode estar associado a uma redução no risco de desenvolver Alzheimer em pessoas com 65 anos ou mais.

A pesquisa, conduzida pela Universidade de Loma Linda, nos Estados Unidos, acompanhou cerca de 40 mil participantes durante aproximadamente 15 anos. Os resultados mostraram que indivíduos que consumiam ovos com maior frequência apresentaram menor incidência da doença quando comparados àqueles que consumiam o alimento raramente.

Segundo o levantamento, o benefício foi observado mesmo entre pessoas que consumiam ovos de forma moderada. Quanto maior a frequência de consumo, maior foi a redução observada no risco de Alzheimer. Apesar dos números animadores, os pesquisadores destacam que o estudo identificou uma associação, e não uma relação direta de causa e efeito.

Uma das hipóteses para explicar os resultados está na composição nutricional do alimento. De acordo com a nutricionista Nicole Vianna, formada pela Unifase e mestre em Ciência de Alimentos pela UFRJ, o ovo reúne nutrientes importantes para o funcionamento do cérebro.

“O ovo é um alimento de elevada densidade nutricional e fornece diversos nutrientes importantes para o funcionamento adequado do cérebro. Entre eles, destaca-se a colina, substância precursora da acetilcolina, um neurotransmissor fundamental para processos relacionados à memória, aprendizado e cognição. Além disso, o ovo contém proteínas de alto valor biológico, vitaminas do complexo B (especialmente B12 e folato), vitamina D, selênio e carotenoides como luteína e zeaxantina, compostos que apresentam atividade antioxidante e podem contribuir para a proteção das células nervosas contra danos oxidativos associados ao envelhecimento cerebral”, afirma.

A especialista explica ainda que outros estudos recentes também vêm investigando a relação entre o consumo de ovos e a saúde cognitiva.

“Um estudo publicado em 2024 no The Journal of Nutrition, que acompanhou 1.024 idosos por cerca de sete anos, observou que o consumo regular de ovos esteve associado a um menor risco de desenvolver doença de Alzheimer. Os participantes que consumiam mais de um ovo por semana apresentaram aproximadamente 47% menos risco de diagnóstico da doença em comparação aos que consumiam menos ovos. Além disso, análises cerebrais indicaram menor presença das alterações características do Alzheimer entre os consumidores mais frequentes. Os pesquisadores sugerem que parte desse efeito pode estar relacionada à colina, nutriente abundante no ovo e essencial para a função cognitiva, embora o estudo demonstre uma associação e não uma relação de causa e efeito”, explica.

Embora o alimento seja considerado uma importante fonte de nutrientes, especialistas ressaltam que a quantidade ideal de consumo varia de acordo com as características individuais de cada pessoa.

“A quantidade ideal de ovos pode variar de acordo com fatores individuais, como idade, estado de saúde, padrão alimentar e necessidades nutricionais específicas. Para a maioria das pessoas saudáveis, o consumo regular de ovos pode fazer parte de uma alimentação equilibrada sem representar riscos à saúde cardiovascular. Um estudo publicado no BMJ em 2020, que analisou dados de mais de 1,7 milhão de pessoas, concluiu que o consumo de até um ovo por dia não esteve associado ao aumento do risco de doenças cardiovasculares. Os autores destacam que os efeitos dos ovos sobre a saúde dependem do padrão alimentar como um todo, reforçando seu papel como alimento nutritivo quando inserido em uma dieta equilibrada. Dito isso, recomendações individualizadas devem ser feitas por um nutricionista ou profissional de saúde, especialmente para pessoas com condições clínicas específicas”, afirma Nicole.

Mais do que apostar em um único alimento, os especialistas defendem a adoção de um padrão alimentar saudável para preservar a saúde do cérebro ao longo dos anos.

“A saúde cerebral depende do padrão alimentar como um todo, e não apenas de um alimento isolado. Dietas ricas em frutas, verduras, legumes, grãos integrais, leguminosas, oleaginosas e peixes ricos em ômega-3 têm sido associadas a melhor desempenho cognitivo e menor risco de doenças neurodegenerativas. Além disso, hábitos como manter uma boa hidratação, praticar atividade física regularmente, dormir adequadamente, evitar o tabagismo e o consumo excessivo de álcool também desempenham papel importante na preservação da função cerebral ao longo da vida”, conclui.

Dessa forma, embora os resultados sejam promissores, os pesquisadores reforçam que a prevenção do Alzheimer envolve um conjunto de fatores ligados à alimentação, estilo de vida e acompanhamento da saúde, e não apenas a inclusão de um único alimento no cardápio.

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