Edição: sexta-feira, 03 de julho de 2026

Exposição "Mais belo é o rio que corre" propõe reflexão sobre a força dos rios e das confluências

 LEGENDAS: Mostra reúne mais de 100 obras de artistas de diferentes países em torno do
Mostra reúne mais de 100 obras de artistas de diferentes países em torno dos rios, das confluências e das urgências ambientais

Como parte da programação prévia do Festival Sesc de Inverno 2026, o Centro Cultural Sesc Quitandinha, em Petrópolis, inaugurou a exposição "Mais belo é o rio que corre", com visitação gratuita até fevereiro de 2027. Com curadoria de Marcelo Campos e assistência de curadoria de Rodrigo Duarte, a mostra reúne mais de 100 obras de mais de 40 artistas sul-americanos e de outros continentes em diferentes linguagens artísticas para refletir sobre os rios como espaços de encontro, memória, resistência e transformação.

Partindo da imagem do encontro entre rios, “Mais belo é o rio que corre” toma a confluência como conceito central. Quando dois rios se encontram, eles podem correr lado a lado por algum tempo, preservando cores e densidades distintas antes de se combinarem. Mesmo unidos, não deixam de carregar suas origens. A confluência, nesse sentido, é entendida como um encontro que amplia, fortalece e transforma, sem apagar diferenças.

Em diálogo com a poética de Alberto Caeiro e o pensamento de Antônio Bispo dos Santos, a exposição emerge dos meandros das águas e escorre pelos fluxos da confluência entre saberes, pessoas e temporalidades. A proposta dialoga diretamente com o conceito do Festival Sesc de Inverno 2026, que celebra o verbo “afluir” como gesto de encontro. Ao tomar a confluência entre rios como metáfora, a exposição amplia esse debate para pensar as relações entre arte, natureza e sociedade, valorizando a convivência entre diferentes saberes, territórios e modos de existir.

Esse diálogo se expande também para a literatura, com a participação de importantes autores contemporâneos que contribuem com textos inéditos especialmente desenvolvidos para a exposição. Estão presentes textos de Leda Maria Martins, Jeferson Tenório, Itamar Vieira Junior e Marcia Kambeba. Suas escritas aprofundam as reflexões propostas pela mostra, trazendo perspectivas sobre memória, território, ancestralidade e modos de existência.

“Mais belo é o rio que corre” reúne artistas e obras de diferentes territórios, principalmente da América Latina, entre eles Brasil, Paraguai, Peru, Argentina, Guatemala e Guiana Francesa, além de países como Líbano e Lituânia. Em comum, as obras observam lugares fronteiriços e reconhecem os rios como entidades vivas, fundamentais para a manutenção da biodiversidade, dos ecossistemas e dos ciclos da vida.

Entre os destaques está uma instalação inédita do artista chileno Alfredo Jaar, concebida para a cúpula do Centro Cultural Sesc Quitandinha. O percurso inclui ainda experiências imersivas ligadas à arte cinética que dialogam com nomes como Julio Le Parc e Carlos Cruz-Diez, em instalações de luz e movimento que convidam o público a vivenciar experiências sensoriais próximas ao "banzeiro", termo amazônico associado ao movimento intenso das águas e ao estado de vertigem provocado por elas.

Outro destaque é a instalação Serpentes, de Jaider Esbell, que ocupará, pela primeira vez, o lago do Centro Cultural Sesc Quitandinha. Composta por esculturas infláveis, a obra integra o percurso expositivo e amplia a relação da mostra com a paisagem e com a presença simbólica das águas. Também integram a exposição artistas como Ayrson Heráclito, Caio Reisewitz e Emilija karnulyt.

Ao reunir artistas, escritores e diferentes perspectivas sobre as águas, "Mais belo é o rio que corre" convida o público a pensar os rios não apenas como recursos naturais, mas como presenças vivas e indispensáveis. Em tempos de crise climática, a exposição propõe imaginar outras formas de coexistência, mais atentas à diversidade, à interdependência e à continuidade da vida.

Serviço:

Exposição "Mais belo é o rio que corre"

Local: Centro Cultural Sesc Quitandinha
Av. Joaquim Rolla, 2 Quitandinha Petrópolis

Período de visitação: 28 de junho de 2026 a 28 de fevereiro de 2027
Horário: terça a domingo e feriados, das 10h às 17h
Entrada gratuita

Edição: sexta-feira, 03 de julho de 2026

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