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Fechamento de lojas em Petrópolis já não surpreende, mas preocupa

Altos preços dos aluguéis e queda nas vendas são principais fatores apontados pelos comerciantes

Foto: Reprodução
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Larissa Martins

Nos últimos meses, Petrópolis tem registrado o fechamento em massa de estabelecimentos comerciais conhecidos, muitos deles presentes há anos no município. A notícia já nem surpreende mais, pois o encerramento atividades se tornou algo recorrente, o que é preocupante.

Recentemente, quatro empreendimentos anunciaram que não farão mais parte da história da cidade: Grandlar Utilidades, Maison Magamez, Sapataria Chuá e Restaurante Alquimia dos Temperos.

Nas redes sociais, a Grandlar Utilidades, divulgou que, após 34 anos, está passando por um momento delicado.

“Nossa única certeza é que precisamos entregar o imóvel ao final de maio de 2026, porque meu alto aluguel tornou impossível continuar aqui. Estamos buscando alternativas para tentarmos continuar funcionando. A verdade é que as vendas caíram muito com as compras online e as pessoas estão deixando de prestigiar as lojas físicas. Enquanto esse futuro não se define, continuamos funcionando normalmente ou enquanto durarem nossos estoques”, desabafaram os responsáveis.

A casa de festas Maison Magamez, na Mosela, informou que funcionará somente até o final do ano. “Algumas histórias são eternas. A Maison Magamez seguirá realizando sonhos até dezembro de 2026. Em 2027, o espaço estará fechado, encerrando esse ciclo com a mesma dedicação e excelência de sempre”, comunicou.

A Sapataria Chuá, referência na cidade há 58 anos, também comunicou que encerrará definitivamente as operações no início do próximo mês, motivada pela queda no fluxo de clientes e o alto custo dos aluguéis.

Já o restaurante Alquimia dos Temperos, localizado na Rua Ipiranga há mais de uma década, funcionará apenas até o domingo de Páscoa. O motivo não foi divulgado.

Além desses, no início do mês, o empreendimento “Caracol Chocolates”, que ficava na Avenida Ipiranga, também fechou as portas. A loja havia sido inaugurada em 2024 e fazia parte da rede da tradicional marca de chocolates de Gramado (RS).

Mapa das Empresas

Somente neste ano, 981 empresas fecharam e dessas 970 eram matrizes e 11 filiais, de acordo com o Mapa de Empresas, ferramenta disponibilizada pelo governo federal. Essas não necessariamente possuíam estabelecimento físico, mas estavam registradas formalmente como negócio.

Segundo Humberto Medrado, diretor de desenvolvimento de competências da Associação Comercial e Empresarial de Petrópolis (ACEP), a situação está sendo acompanhada.

“A ACEP acompanha com atenção os recentes fechamentos de empresas no município. Situações como essas naturalmente geram preocupação, sobretudo pelo impacto no emprego, na renda e na identidade do comércio local. Há muito o ambiente de negócios tem sido pressionado por fatores como custo elevado de operação, crédito caro, queda no consumo e mudanças no perfil do consumidor, aspectos que ajudam a explicar o fechamento de empresas tradicionais Diante desse contexto, o cenário inspira atenção e reforça a necessidade de ações conjuntas entre poder público, entidades empresariais e empreendedores para fortalecer o comércio, estimular a competitividade e melhorar o ambiente de negócios na cidade”, frisa.

Análise do mercado

Atuando há 18 anos no ramo, a Gestora da Oswaldo Medeiros Imóveis, Irene Medeiros, confirma o que muitos empresários alegam durante o fechamento das lojas. Segundo ela, o mercado de locação comercial em Petrópolis vive um momento que exige análise e ajuste.

“Os altos valores de aluguel já se consolidam como um dos principais entraves para a abertura de novos negócios e para a sustentabilidade dos existentes. Em pontos estratégicos, com maior visibilidade e circulação, os preços frequentemente superam a capacidade dos empreendedores, revelando uma clara desproporção entre o que se fatura e o que se paga. O resultado é um cenário recorrente: imóveis vazios, negociações travadas e desaceleração da atividade econômica”, pontua a especialista.

Esse desalinhamento entre expectativa e realidade alimenta um ciclo improdutivo, de acordo com Irene. “Muitos proprietários ainda se apoiam em referências distantes do mercado atual, enquanto empresários, mais cautelosos, buscam reduzir riscos em um ambiente instável. Soma-se a isso o fato de que diversos imóveis, além de caros, exigem investimentos adicionais em obras, o que dificulta a ocupação e, quando ela ocorre, compromete a permanência no médio prazo, gerando desgaste para ambas as partes”, explica Irene.

“Paralelamente, o próprio comportamento de consumo evoluiu. O avanço do digital e a busca por experiências mais objetivas impactam diretamente o valor percebido dos pontos físicos, reforçando a necessidade de aluguéis mais equilibrados, que permitam ao empresário investir também na operação e na qualidade do serviço”, acrescenta.

Ela defende que para que Petrópolis permaneça economicamente ativa e atrativa, é essencial um novo olhar: mais realista, estratégico e alinhado ao momento.

“Valorizar avaliações conscientes e preços compatíveis com o mercado é, hoje, a decisão mais inteligente para fortalecer o comércio local e impulsionar o desenvolvimento sustentável da cidade. Preço abusivo fecha portas e expulsa bons negócios. Imóveis comerciais merecem avaliações reais: valor justo mantém bons empresários no mercado, mantém empresas de pé, constrói permanência e transforma ocupação em prosperidade”, conclui.

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