Projeto gratuito do Soberano Jazz Club transformou as manhãs de domingo em Itaipava em polo cultural para todas as idades e já prepara segunda edição com foco em artistas da Região Serrana
Vitor Cesar estagiário
O Soberano Jazz Club, em Itaipava, encerrou no último domingo (14) a primeira edição do Festival Soberaninho com um balanço extremamente positivo. Foram cerca de três meses de programação cultural gratuita voltada ao público infantil, entre abril e o início de junho, com lotação máxima nas apresentações e impacto indireto sobre aproximadamente 4 mil estudantes da rede pública de Petrópolis.
Conhecido por sua programação noturna, o espaço se transformou aos domingos pela manhã em um ponto de convivência familiar. O local levou ao palco principal nomes do primeiro escalão da música e das artes brasileiras, como Bia Bedran, Léo Gandelman, Cláudio Nucci e Dori Caymmi, além de espetáculos de ópera, teatro de bonecos e do Coral das Meninas dos Canarinhos.
O festival foi aberto com uma estreia marcante, que reuniu 150 pessoas entre crianças e adultos no primeiro dia, e encerrado com o espetáculo inédito “Cantos e Contos de São João”, comandado por Bia Bedran e acompanhado pelas intervenções visuais ao vivo do ilustrador Renato Alarcão.
Para a equipe de comunicação do projeto, o resultado superou as expectativas. “Tudo que estava estabelecido no projeto foi cumprido. É um sucesso de público, é um sucesso entre as famílias, é um sucesso nos colégios”, avalia Andréia Constâncio, assessora do local e do projeto. “A gente conseguiu lotar o Soberano num domingo com uma programação gratuita.”, adicionou.
O Soberaninho nas escolas
Além das atrações dentro do Soberano, o projeto cumpriu uma agenda cultural dentro das escolas. Em três meses de programação contínua e gratuita, foram 12 atrações levadas diretamente para o ambiente escolar por meio da vertente “Soberaninho na Escola”, incluindo até apresentações do Coral dos Canarinhos de Petrópolis e teatro de bonecos. Cerca de 80 professores da rede pública foram capacitados em workshops e oficinas com foco em educação lúdica, e aproximadamente 4 mil estudantes foram alcançados indiretamente pelas ações pedagógicas.
Com foco na rede municipal de Petrópolis, Itaipava e arredores, a iniciativa funcionou como um ciclo, onde os artistas que se apresentavam no Soberano levavam, nos dias seguintes, sua arte diretamente às escolas públicas da região.
Segundo a assessora, a ação não se resumiu aos espetáculos. “Os professores ganharam uma cartilha de música, de como ensinar música nas escolas, com um material falando sobre a música popular brasileira desde lá de trás. É um projeto muito robusto. Leva cultura para as escolas”, destaca Andréia.
Incentivo
O Festival Soberaninho foi viabilizado pelo patrocínio da GE Aerospace (GE Celma), com unidade em Petrópolis, por meio da Lei Estadual de Incentivo à Cultura, do Governo do Estado do Rio de Janeiro e da Secretaria de Cultura e Economia Criativa, em parceria com a Secretaria de Educação de Petrópolis.
Andréia fez questão de explicar como funcionam esses mecanismos. “Ao contrário do que as pessoas pensam, incentivo cultural não é verba pública. A lei de incentivo é muito boa para o pessoal da cultura, porque cria a possibilidade de fazer um evento cultural, e é muito boa para as empresas, porque elas conseguem isenções fiscais”, afirma.
Cultura na cidade
Ao ser questionada, a assessora avalia que o Soberaninho preenche uma carência de programação cultural infantil e gratuita em Petrópolis, sobretudo fora do Centro. “A gente tem o Teatro Imperial fazendo isso, e fazendo muito bem. E agora essa proposta do Soberaninho em Itaipava. Então acho que preenche muito bem essa lacuna, como deveria existir em outros bairros da cidade também.”
Ela ainda reforça que há público para cultura de qualidade quando ela é acessível. “Projetos bem elaborados, com parcerias e com incentivos culturais, têm público. Os moradores de Petrópolis querem ter acesso à cultura, principalmente se for gratuita e de qualidade”.
Segunda edição e a aposta nos artistas locais
Embalada pelos resultados, a direção do Soberano confirma que a próxima temporada já está em desenvolvimento. A principal mudança será a abertura de inscrições para que artistas locais e regionais enviem propostas de espetáculos.
“Nosso grande objetivo é ampliar o festival para muitas outras atrações e, por isso, vamos abrir inscrições para que os artistas nos enviem seus projetos. Queremos contar com a participação ativa de talentos de Petrópolis e de toda a Região Serrana, somando-se aos nomes que tradicionalmente trazemos do Rio de Janeiro”, afirma Raquel Saraceni, sócia do Soberano Jazz Club. Segundo ela, a curadoria avaliará a viabilidade de cada proposta e, principalmente, o quanto ela pode agregar à educação lúdica e à formação cultural das crianças.
A aposta nos artistas da cidade é vista como uma forma de valorizar talentos que, muitas vezes, encontram mais espaço fora de Petrópolis. “A gente tem muita gente boa que às vezes acaba se apresentando muito mais no Rio por falta de possibilidades aqui. Se você cria a possibilidade dessa galera se apresentar em Petrópolis, isso é fantástico”, completa Andréia.
Para o sócio do Soberano, o maestro e compositor Sergio Saraceni, o saldo da primeira edição vai além dos palcos. “O Soberaninho articulou arte, educação e impacto social ao oferecer gratuitamente às crianças uma experiência ativa com a música brasileira. Ficamos muito felizes porque o projeto ampliou o acesso à nossa cultura e fortaleceu a formação de público desde a infância, dentro e fora das escolas”.
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