Mauro Peralta - médico e ex-vereador
A COP30, realizada em Belém, no coração da Amazônia Legal, pretendia mostrar ao mundo a importância da preservação das florestas tropicais e o suposto exemplo brasileiro na conservação ambiental. O resultado foi exatamente o oposto: um fiasco anunciado. Na COP29 estiveram presentes 194 países e 59 chefes de Estado. Já em Belém, na COP30, participaram apenas 174 países e 28 chefes de Estado, uma queda que por si só evidenciou o descrédito internacional.
Para agravar a situação, o presidente Donald Trump, que não compareceu e não enviou representante, divulgou uma carta denunciando a destruição de áreas de floresta para a abertura de uma estrada improvisada destinada a levar participantes ao evento, além da utilização de um aeroporto desativado e distante, sem estrutura adequada. A crítica expôs ao mundo o que o governo tentou ocultar: a realidade nua e crua da Amazônia, marcada pela falta de saneamento básico, pela escassez de empregos e pelas condições de vida precárias enfrentadas por seus 30 milhões de habitantes.
O evento foi marcado por uma sucessão de problemas. Houve inundação no local, goteiras, calor intenso devido à quebra de vários aparelhos de ar-condicionado, falta de água nos banheiros e até falta de comida, vendida a preços altíssimos. Para garantir energia elétrica, foram instalados 160 geradores movidos a óleo diesel, o que aumentou a poluição atmosférica em um encontro que pretendia simbolizar compromisso ambiental.
A segurança também falhou, com a invasão do espaço por um grupo de indígenas apoiados pelo PSOL, fato que levou a ONU a cobrar providências formais do governo brasileiro. O chanceler alemão, sem rodeios, chamou atenção para as péssimas condições de infraestrutura, o que gerou constrangimento diplomático.
Na quinta-feira, o constrangimento virou tragédia quando o pavilhão da China, o maior poluidor do planeta, pegou fogo, deixando nove trabalhadores intoxicados pela fumaça.
A situação da hospedagem dos participantes foi outro vexame. Com preços abusivos e falta de leitos disponíveis, o governo brasileiro optou por alugar navios ao custo de 70 milhões de reais. No Portal da Transparência, os gastos já somam 787 milhões de reais e devem ultrapassar 1,3 bilhão de reais, sem incluir o coquetel da primeira-dama Janja e o aluguel do iate de luxo utilizado pelo presidente Lula, embarcação que consome 145 litros de diesel por hora apenas para manter o ar-condicionado e demais confortos. Não é coincidência que os gastos do cartão corporativo tenham sido novamente colocados sob sigilo de 100 anos.
As flores de plástico e as paredes de madeirite, erguidas às pressas para esconder as mazelas de uma cidade sem saneamento adequado, desaparecerão rapidamente, assim como o dinheiro do contribuinte. A festa da esquerda acabou sem resultado prático. Tudo permanece como sempre, com China e Europa continuando a queimar carvão, enquanto o Brasil ao menos anuncia um novo campo de petróleo na Bacia de Campos e a exploração da margem equatorial do Amazonas, que podem finalmente melhorar a vida dos cidadãos do Amapá.
Resta agora observar se na COP31, que será realizada na Turquia, haverá alguma mudança real. Até aqui, o balanço é claro: tragédia diplomática, tragédia operacional e tragédia financeira.
Veja também: