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Fiocruz monitora biodiversidade na Floresta da Pedra Branca

foto: Fiocruz Mata Atlântica
foto: Fiocruz Mata Atlântica


Isis Breves (Campus Fiocruz Mata Atlântica)

Em artigo publicado na revista Zoologia - An International Journal for Zoology , pesquisadores da Fiocruz realizam um inventário da biodiversidade encontrada na Floresta da Pedra Branca, no Rio de Janeiro (RJ), considerada a maior floresta urbana do mundo. A análise consolida a primeira lista de mamíferos de médio e grande porte da localidade, incluindo espécies ameaçadas de extinção. Ao todo, foram registradas mais 23 espécies que, somadas às 31 espécies de morcegos já catalogadas na área, totalizam 54 espécies de mamíferos na região.

A iniciativa é fruto do projeto Biota Pedra Branca que monitora a fauna, a flora e microrganismos locais (inclusive hospedeiros, vetores e patógenos de relevância para humanos e animais). O estudo, conduzido por pesquisadores da Fiocruz Mata Atlântica (FMA), campus vinculado à VicePresidência de Ambiente, Atenção e Promoção da Saúde (VPAPPS/Fiocruz), ainda avaliou os principais impactos que afetam a fauna da floresta.

Dentre os registros realizados estão espécies classificadas como ameaçadas ou vulneráveis, como o micoleãodourado (Leontopithecus rosalia), identificado na cidade do Rio de Janeiro pela primeira vez desde 1842, e o gatodomato (Leopardus guttulus). O levantamento também identificou espécies até então não registradas para a região, como o tatupeba (Euphractus sexcinctus) e o tatudorabomole (Cabassous sp.).

Os impactos mais relevantes foram a caça ilegal, o desmatamento associado à expansão urbana irregular, os incêndios florestais e a presença de cães e gatos domésticos, que representam riscos tanto de predação quanto de transmissão de doenças, como cinomose, raiva, toxoplasmose e parasitoses. Esses animais domésticos alteram o comportamento natural da fauna silvestre, provocando fuga, abandono de ninhos e competição territorial.

Monitoramento e medidas de proteção da biodiversidade

“Instaladas por sete bairros que compõem a área da floresta, as 30 armadilhas fotográficas, acionadas por sensores de movimento ou calor, possibilitam o monitoramento contínuo de espécies raras e de hábitos noturnos sem interferência humana direta”, explica a pesquisadora Beatriz M. S. Jorge, autora principal do estudo e mestre pelo Programa de PósGraduação em Biodiversidade e Saúde do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz). “Esse material foi integrado às informações levantadas por entrevistas com moradores e funcionários de unidades de conservação da região, ampliando a robustez do inventário”.

“O uso combinado dessas metodologias permitiu mapear a distribuição espacial das espécies e identificar os principais fatores de pressão sobre a fauna local”, destaca o coordenador executivo da FMA e pesquisador líder do projeto Biota Pedra Branca, Ricardo Moratelli. “Os resultados combinados com estudos prévios, mostram a grande riqueza de mamíferos presentes ainda nessa região, apesar de todas as pressões sobre ela”.

No artigo, os pesquisadores ainda ressaltam a urgência de medidas de proteção e manejo da biodiversidade nesse hotspot da Mata Atlântica. E reforçam a necessidade de políticas integradas para a conservação da fauna silvestre e para a manutenção dos serviços ecossistêmicos essenciais à saúde humana e à ambiental.

Fiocruz Mata Atlântica

Localizada na vertente Leste da Floresta da Pedra Branca, a Fiocruz Mata Atlântica (FMA), na Zona Oeste do Rio de Janeiro, é um campus diferenciado, por se encontrar na fronteira entre a área urbana e um importante remanescente florestal. A FMA realiza atividades como o levantamento da biodiversidade, a restauração ecológica, e a pesquisa e o monitoramento de patógenos que circulam na fauna doméstica e silvestre da localidade, além de estudos e implantação de tecnologias ambientais para sustentabilidade do campus e de comunidades urbanas e periurbanas do Rio de Janeiro. As atividades também incluem ações de promoção da saúde, saúde única e segurança alimentar.

Bioma rico em biodiversidade e ameaçado de extinção, a Mata Atlântica ocupa atualmente 15% do território brasileiro e é a segunda maior floresta tropical do Brasil. Na cidade do Rio de Janeiro, o maior remanescente de vegetação é a Floresta da Pedra Branca, com mais de 12 mil hectares, que se apresenta como a maior floresta urbana do mundo.

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