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  Colunistas
Frederico Amaro Haack
COLUNISTA

 

RUA IPIRANGA
 

Começa na Praça Princesa Isabel e termina na junção das ruas Alberto Torres e Fonseca Ramos e junto ao pequeno largo que recebeu a denominação de Praça Tabelião Moret. A Rua do Príncipe de Joinville, aos tempos imperiais, recebe pela resolução da Câmara Municipal de 5 de dezembro de 1889, o republicano nome de Ypiranga. Quando do suicídio do presidente Vargas no dia 25 de agosto de 1954, a exemplo de muitas cidades brasileiras, Petrópolis o homenageia através do Ato nº 2175, de 28 de agosto de 1954, muda o nome de Ypiranga para Getúlio Vargas. O nome não pegou entre os moradores e habitantes em geral. Retoma a denominação de Ipiranga, já com I, pelo Decreto-Lei 3.326, de 17 de maio de 1971. Homenagem ao grito de Independência nacional, bradado às margens do riacho Ipiranga no dia 7 de setembro de 1822.
Caminho colonial, por onde trafegavam boiadas, cuja carne destinava-se à população da colônia, as reses eram abatidas, algumas até mesmo em propriedades às margens da rua, outras seguiam para a Praça de Dom Affonso, onde se estabelecia o matadouro, tanto que recebe popularmente ao nome de Rua dos Boiadeiros, nos primeiros anos da Imperial Colônia.
Em 1850 começa a funcionar, na Rua do Príncipe de Joinville, um colégio para meninas, dirigido pelo Sr. Diemer, bem próximo ao elevado onde se projetava a construção da nova Catedral de Petrópolis, O Sr. Diemer falece na corte em 6 de junho de 1858, de febre amarela, com sua morte encerram-se as atividades do colégio. No final da rua, quase no início da picada que levava à Gruta da Saudade, freqüentada até pela família imperial, existia em 1857 uma olaria que ficava em frente ao “Buraco do Cunha”, enorme depressão pertencente a comerciante português, Antônio Alves da Cunha, comerciante de secos e molhados estabelecido na Rua do Imperador. O rio Almeida Torres transbordava com freqüência, causando prejuízos aos moradores e à Câmara Municipal, que era obrigada a fazer os reparos necessários na rua após as chuvas, tanto que esta, a 3 de novembro de 1875 intima os moradores a deixarem limpo o córrego, de modo a evitar as inundações.
Em 1862 é lançada a pedra fundamental da Igreja dos Alemães, como se dizia na época, na verdade a Igreja Evangélica Luterana. A nave inaugura-se um ano depois, em 1863, sem a atual torre, pois a Constituição Imperial proibia a templos não católicos - pois essa era a religião oficial do estado - possuírem características externas, porém foi permitido que este templo, em especial, tivesse em seu frontispício, por sobre a porta de entrada, a pintura de um cálice e uma hóstia. Sua torre foi inaugurada em 1903, embora os sinos (três) já estivessem instalados em 1892. Uma curiosidade é que havia desde da inauguração do templo um sino no morro atrás do prédio, que repicava chamando os crentes para o culto e, também, sempre que um membro da comunidade falecia. A casa paroquial da Comunidade Luterana é construída em 1875, juntamente com prédio da antiga Escola Alemã, que funcionou até 1986.
A nova matriz de Petrópolis, no início da rua, teve sua primeira pedra fundamental lançada em 12 de março de 1876 e uma segunda em 18 de maio de 1884. Com a proclamação da República, as obras são paralisadas e reiniciadas em 1914 e aberta ao público em 24 de novembro de 1925, sem a torre, que só ficou pronta em dezembro de 1969. Na década de 1890 o “Buraco do Cunha” começa a ser aterrado e é aberta a ligação da rua Ipiranga com o Quarteirão Princesa Imperial (Quissamã). Quase todo o entulho de obras e demolições, do centro da cidade, é depositado na enorme depressão, que já não mais pertencia ao português Alves da Cunha. No local, na década de 1940, constrói-se um conjunto residencial em estilo normando que ainda lá se encontra.
Rui Barbosa passou verões e residiu desde 1913 vindo a falecer na residência de número 405 a 1º de novembro de 1923. Também do início do século XX é a atual Casa de Petrópolis, conhecida pelos petropolitanos como “Casa dos Sete Erros”, por não ter simetria bilateral e teve fama de mal-assombrada, por muitos anos.
Um dos mais famosos e traumáticos episódios ocorridos na Rua Ipiranga deu-se a 17 de janeiro de 1927 na casa nº 509. O jovem Alberto Monteiro da Luz, de apenas 20 anos, morre afogado no lago da residência de seus pais. Causou grande comoção na cidade.
O aumento constante do trânsito pela rua, a partir da ligação com o Quissamã, fez ocorrer diversos acidentes de trânsito, sendo um dos que ficaram mais marcados foi o acontecido em 1º de fevereiro de 1955, às 16h, em frente ao Templo Luterano. Colidiram dois coletivos da Fiel Transportadora, chapas Estrada da Saudade e Ponte de Ferro, com cinqüenta e oito feridos, sendo quinze graves, cinco mulheres e 10 homens.
Como desde a fundação da cidade, até ao início do século XX, a Rua Ipiranga não possuísse saída, terminava na picada da Saudade, foi calçada quando da abertura da ligação, e asfaltada em 1954. A maioria de seus prédios atuais são construções das primeiras décadas do século XX, ou até mais recentes.


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