Categoria protesta contra atrasos salariais, enquanto a empresa afirma que demitirá responsáveis
Novamente, nessa segunda-feira (18), os petropolitanos foram surpreendidos com a paralisação antecipada dos funcionários da Turp, deixando 30 mil passageiros, distribuídos em 93 linhas, sem ônibus. O estado de greve estava programado para acontecer nesta terça-feira (19), segundo anúncio do Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Petrópolis.
"A paralisação poderá ter início à 00h01 da terça-feira, 19 de maio de 2026, caso o pagamento do vale alimentação não seja regularizado pela empresa. A decisão foi tomada diante do descumprimento das obrigações trabalhistas, situação que vem causando insegurança e prejuízos aos trabalhadores e suas famílias", afirmou o sindicato em publicação nas redes sociais, no sábado (16).
Mas, em nota publicada nas redes sociais às 09h20 desta segunda-feira (18), o Sind. Rodoviários, informou que foi surpreendido com o ato antecipado.
"Em razão da situação, representantes da entidade estão se dirigindo ao local da mobilização com o objetivo de compreender as motivações apresentadas pelos trabalhadores e atuar de forma responsável, assertiva e dentro da legalidade", diz a nota.
O Sindicato confirmou que, conforme acordo realizado entre representantes da Companhia Petropolitana de Trânsito e Transporte (CPTrans), representando a Prefeitura Municipal de Petrópolis, representantes da empresa Turp e os rodoviários atuantes na companhia, ficou estabelecido que, diante de qualquer atraso de pagamento, seria realizada a divulgação prévia do estado de greve e da data de eventual paralisação das atividades e, por isso, a entidade emitiu, no último sábado, 16 de maio, comunicado oficial de estado de greve, informando a possibilidade de paralisação dos trabalhadores da Turp a partir de 0h01 da terça-feira, 19 de maio, visto o atraso no pagamento do vale alimentação. Por isso, a surpresa com a paralisação antecipada.
Ao ficar ciente da paralisação, a Turp Transporte também relatou ter sido completamente surpreendida, alegando que houve descumprimento do acordo em vigor entre os rodoviários, a empresa e o governo municipal, inclusive, o prazo de 72 horas para início.
“A Turp Transporte e o município de Petrópolis seguem se esforçando para o cumprimento de suas obrigações, com diálogo aberto, inclusive, participando de reuniões, com a presença de alguns rodoviários e buscando alternativas orçamentárias e financeiras, para resolver o problema do déficit da empresa. A Turp Transporte entende que a atual paralisação, que é ilegal, antecipada e suspeita, extrapola a defesa dos interesses dos rodoviários, e tudo indica que tem como objetivo causar desordem, gerando prejuízos graves para a mobilidade e o deslocamento da população”, disse.
Por fim, a Turp Transporte ressaltou que vem honrando com os pagamentos e negociações, respeitando os prazos estabelecidos legalmente e esperava que o acordo assumido fosse cumprido por todas as partes. “A empresa segue convocando seus rodoviários, que tem compromisso com seus deveres, para assumirem seus respectivos postos de trabalho. A Turp vem a público convocar todos os rodoviários a retomarem imediatamente os postos de trabalho, caso contrário, estarão sujeitos às devidas sanções legais”, acrescentou.
Já a CPTrans informou que tem cumprido todas as medidas ao alcance do Poder Público e que se reuniu com o sindicato da categoria para mediar as negociações entre rodoviários e a empresa, visando garantir a manutenção do serviço e o atendimento à população.
“A paralisação dessa segunda-feira ocorreu de forma antecipada, sem aviso prévio de 72 horas, descumprindo a lei e o acordo firmado, o que impediu a criação de planos de contingência. A CPTrans expressa preocupação com o caráter do movimento, que não apresentou lideranças formais, dificultando o diálogo. Há relatos de coação e ameaças a funcionários que desejavam trabalhar, inclusive com a participação de pessoas sem vínculo com a empresa. A TURP informou que salários, adiantamentos e parcelamento do FGTS estão em dia, com apenas um dia de atraso no vale-alimentação. Diante disso, a CPTrans considera a paralisação desproporcional, segue monitorando a situação e se posicionando para auxiliar nas negociações”, disse.
Na parte da tarde, a Turp avisou que 100% dos valores referentes ao vale-alimentação estão devidamente quitados. Os saldos serão disponibilizados para os rodoviários até o primeiro horário da manhã desta terça.
“A Turp Transporte também comunica que, os rodoviários que estão na liderança deste movimento ilegal, estimulando a paralisação e incentivando o descumprimento dos prazos estabelecidos nas leis trabalhistas e no próprio acordo assinado, serão demitidos. Por se tratar de um serviço essencial à população, a Turp Transporte convoca imediatamente o retorno dos rodoviários aos postos de trabalho e anuncia a contratação imediata de novos motoristas. A Turp Transporte afirma que, na presente data, todos os salários e benefícios estão completamente quitados. Já os acordos para encargos trabalhistas estão em andamento e, portanto, a paralisação é totalmente abusiva e desrespeita todos os acordos firmados. Por fim, a Turp Transporte se compromete a continuar se reunindo com o Sindicato dos Rodoviários, que é o representante legal da categoria, para ouvir toda e qualquer reivindicação ou sugestão”, finalizou a nota.
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