Antigo HCC passou a se chamar Complexo Hospitalar de Petrópolis após mudança de gestão; trabalhadores relatam dificuldades financeiras e direção afirma que parte dos salários será regularizada
Jamis Gomes Jr. - estagiário
Funcionários do antigo Hospital Clínico de Corrêas (HCC), atualmente denominado Complexo Hospitalar de Petrópolis (CHP), relatam dificuldades financeiras provocadas por atrasos no pagamento dos salários e afirmam que a situação também estaria afetando a saúde emocional dos trabalhadores. Segundo relatos recebidos pelo Diário de Petrópolis, há funcionários com aluguel e contas atrasadas e famílias enfrentando dificuldades para manter as despesas básicas.
A mudança de nome ocorreu após a troca de gestão do hospital, em março de 2026. O CHP assumiu as atividades em meio a um cenário de dificuldades que, segundo a atual direção, foi herdado da administração anterior, incluindo atrasos salariais, pendências trabalhistas e limitações na estrutura de atendimento.
Um dos funcionários afirma que a situação se agravou nas últimas semanas. Segundo o relato, os trabalhadores estão há dois meses sem receber integralmente e não sabem quando a situação será normalizada.
“Tem gente com aluguel atrasado, conta vencendo, criança dentro de casa e passando necessidade. Cada pessoa tem uma realidade diferente, mas todo mundo tem conta para pagar e depende do salário para sobreviver”, relatou.
Ainda de acordo com o relato, a situação estaria provocando impactos emocionais entre os funcionários, incluindo crises de ansiedade. Também foi relatado casos de automutilação entre trabalhadores, sem apresentar ao Diário documentos ou registros que comprovem essas situações.
“Isso está deixando as pessoas cada vez mais preocupadas e desesperadas. A situação está se agravando, porque são dois meses sem receber, e ninguém sabe até quando isso vai continuar”, afirmou.
Nova gestão confirma atrasos
Procurada pelo Diário de Petrópolis, a direção do Complexo Hospitalar de Petrópolis confirmou que existem valores de salários em aberto, mas atribuiu a situação a atrasos nos repasses do município.
Segundo o hospital, atualmente existe um déficit correspondente a 12 meses de atrasos nos repasses do município. A atual gestão assumiu a administração em março de 2026 e afirma ter encontrado quatro meses de salários atrasados.
De acordo com a direção, esse período foi regularizado pela nova gestão, “sem a devida contrapartida do Município”. Atualmente, ainda estão pendentes 50% dos salários referentes à competência de junho, enquanto a folha de julho também permanece em aberto.
O hospital informou que a parte restante da folha de junho começaria a ser regularizada nesta terça-feira (11). A direção também afirmou que existe uma promessa do município de regularizar 1/12 das pendências existentes, o que possibilitaria o pagamento da competência de julho.
A previsão apresentada pelo hospital é de que as pendências sejam quitadas ao longo do mês de agosto.
Pendências trabalhistas
Sobre o FGTS, a direção informou que a dívida da empresa gestora está sendo negociada para a formalização de um parcelamento junto ao Governo Federal.
Em relação aos impactos sobre os funcionários, a direção afirmou que a atual gestão vem adotando “todas as medidas possíveis” para garantir o auxílio e a proteção de pacientes, funcionários e colaboradores, além de buscar manter a continuidade e a qualidade dos serviços prestados.
O hospital também voltou a apontar os atrasos nos repasses municipais como fator que interfere diretamente na operação da unidade e no pagamento dos funcionários.
Prefeitura não respondeu
O Diário de Petrópolis procurou a Prefeitura de Petrópolis para questionar se o município tem conhecimento dos atrasos salariais e das pendências relacionadas ao FGTS, além de solicitar informações sobre a existência de repasses, contratos ou convênios pendentes com o Complexo Hospitalar de Petrópolis.
Também foi questionado se a Prefeitura pretende adotar alguma medida ou acompanhar a situação dos trabalhadores.
Até o fechamento desta edição, a Prefeitura não havia respondido aos questionamentos. O espaço permanece aberto para manifestação e a reportagem será atualizada caso o município envie informações posteriormente.
Veja também: