No período de reprodução, entre julho e março, esses animais se aproximam das áreas urbanas em busca de abrigo e alimento
Emanuelle Loli - estagiária
Conhecidos por serem controladores naturais de pragas, os gambás saruês podem ser vistos com mais frequência nesta época do ano. De julho a março, sobretudo no período da primavera e verão, é o ciclo de reprodução da espécie. Nessa época, é comum que as fêmeas se aproximem das áreas urbanas em busca de alimento e abrigo seguro para o nascimento dos filhotes, o que aumenta as chances de encontrar esses animais.
Quando se trata de sua alimentação, os gambás são considerados generalistas. Sua dieta variada inclui de frutas, insetos (como baratas e carrapatos), pequenos vertebrados (como filhotes de cobras, aves e outros marsupiais), e ovos. Em áreas urbanas, também podem consumir lixo humano e restos de comida.
Contudo, esses animais exercem um papel fundamental no equilíbrio ambiental, tanto nas florestas quanto nas cidades.
“Entre suas funções ecológicas estão a dispersão de sementes, o controle de populações de insetos e até mesmo de serpentes, já que os gambás apresentam resistência a venenos de algumas espécies de cobra. Sem os gambás, florestas e quintais ficam sem um de seus principais controladores de pragas”, explicou o Instituto Estadual de Meio Ambiente (INEA).
Apesar de sua importância ecológica, os gambás ainda são alvo de preconceitos e maus-tratos. No entanto, o Inea reforça que eles não oferecem perigo real a humanos ou animais domésticos.
“São animais dóceis, que evitam o confronto. Quando se sentem ameaçados, podem se fingir de mortos ou emitir sons, mas raramente atacam. E, diferentemente do que se imagina, não estão associados à transmissão de doenças no nosso ambiente”, esclarece o instituto.
Eles explicam ainda que ao encontrar esse animais em casa ou no quintal, a orientação é manter cães e gatos afastados e permitir que o animal siga seu caminho naturalmente
“Não tente manipulá-lo. Caso esteja ferido, a recomendação é acionar os órgãos competentes, como o Corpo de Bombeiros (193), para resgate e atendimento”, explica.
O órgão também informa que, nesta época do ano, é comum o aumento de chamados para resgate e reabilitação de gambás, especialmente filhotes que se separam das mães. A população pode contribuir redobrando a atenção e evitando que animais domésticos taquem esses visitantes inofensivos.
Vale ressaltar que são animais silvestres protegidos por lei. Caçar, perseguir e matar animais silvestres é crime.
Mais do que um símbolo de resistência e adaptação, o gambá é um aliado da natureza nas cidades. Respeitar sua presença e compreender sua importância é essencial para manter o equilíbrio ecológico urbano e garantir que humanos e fauna possam coexistir de forma harmoniosa.
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