Edição anterior (1386):
segunda-feira, 27 de agosto de 2018
Ed. 1386:

Capa

Compartilhe:

Voltar:

HOJE

Edição anterior (1386): segunda-feira, 27 de agosto de 2018

Ed.1386:

Compartilhe:

Voltar:


  Colunistas
Gilberto Pinheiro
COLUNISTA

 

 

PLEBISCITO EM PETRÓPOLIS SOBRE A CONTINUIDADE OU NÃO DE CHARRETES

Quando há bom senso, não há necessidade de leis e plebiscitos.  Basta ter compaixão pelo próximo, no caso, os animais e logo surge a resposta

Aproximam-se as eleições majoritárias e, por sua vez, o plebiscito agendado para a mesma data, definindo sobre a continuidade ou não das charretes (vitórias) no município de Petrópolis.   Como cidadão brasileiro e defensor dos animais, sinto-me perplexo, verdadeiramente indignado por causa de algo desnecessário que é a indagação popular.  Por que  afirmo isso?


Primeiro: a Lei Estadual 7194/2016 que proíbe a tração popular em todo o Estado do Rio de Janeiro nas áreas urbanas está em vigor, tendo sido regulamentada há tempos, uma vez que é autoaplicável. Como jornalista, obtive informação fiducial, comprovando a veracidade de minhas palavras, entrando em contato com o gabinete do ilustre deputado estadual Dionisio Lins, responsável pela citada lei.   Por isso,  NÃO é necessário haver plebiscito para definir algo como a questão citada.   Incompreensivelmente, a Câmara dos Vereadores votou e aprovou a consulta popular, desnecessariamente.  Há outras referências que embasam minhas palavras, como o fim da tração animal em Paquetá, cujas charretes foram substituídas por carrinhos elétricos e o turismo não foi afetado por causa disso.   Inclu sive, já escrevi anteriormente sobre o assunto, mas, como se aproxima a época do plebiscito, a sociedade petropolitana precisa saber o quanto as charretes são prejudiciais aos animais.

A LEI 7194/2016 PROÍBE A TRAÇÃO ANIMAL EM TODO ESTADO DO RIO DE JANEIRO - nada justifica o sofrimento animal e nem o turismo vale mais que a vida deles

Alguns alegam atração turística -  Art. 2º- Excetua-se do cumprimento do disposto nesta Lei, a utilização de animais para o transporte de cargas, materiais ou pessoas em áreas rurais e turísticas, mesmo que em área urbana, além das localidades em que a autoridade local estabeleça a necessidade do transporte por meio animal.  Necessidade de transporte de pessoas, por que, se não há quadro de doenças ou patologias e as pessoas podendo se movimentar naturalmente? O que é citado no artigo é excepcionalidade e não "turismo".  

A QUEM CABERÁ INFORMAR À SOCIEDADE PETROPOLITANA SOBRE OS MAUS-TRATOS AOS EQUINOS, ORIUNDOS DA TRAÇÃO ANIMAL.  HAVERÁ TEMPO HÁBIL?

Outro problema que ocorre é a desinformação popular a respeito do assunto.  Caso haja realmente o citado plebiscito, indago o seguinte:  como uma sociedade irá votar a favor ou contra a            utilização de charretes se NÃO há informação suficiente, demonstrando o quão é ruim para os cavalos a tração animal, prejudicando-lhes a saúde?   Por acaso, os parlamentares têm ciência sobre o que ocorre com os equinos, as doenças que se manifestam através da tração animal?  Será que eles e a sociedade petropolitana sabem que o fato de puxar charretes provoca, por exemplo, lesões no sistema locomotor do animal, assim como disfunções orgânicas e doenças na coluna, câncer na boca por causa do bridão e outras infecções?

TRADIÇÃO CULTURAL SE MODIFICA COM O PASSAR DO TEMPO - a moda, a cultura, os hábitos na época do Império são diferentes dos atuais

Francamente, quem admite ou pensa que as charretes devem continuar em virtude da citada "tradição cultural", não sabe que os hábitos culturais, tradição, se modificam com o passar do tempo.Cito como exemplos os hábitos da sociedade de outrora.  As roupas que a sociedade imperial vestia no século XIX são diferentes das de hoje;  o planejamento arquitetônico daquela época é diferente dos tempos atuais;  as músicas que eram ouvidas e caíam no gosto popular até o final do século XIX eram diferentes das músicas contemporâneas; as linguagem coloquial e formal do século XIX  não têm afinidade e identidade com o falar dos dias de hoje.   Portanto, a cultura se modifica.  Por que então alimentar um hábito "cultural"  ultrapassado como as charretes, simplesmente, porque os nob res daquela época se utilizavam desse mecanismo para se deslocarem de um lugar para outro ou passear? Não tem sentido!  Por que expôr animais à subserviência e maus-tratos por causa de atração turística e tradição cultural?  Isso não é justo nem ponderável!

À luz desses esclarecimentos, peço, humildemente,à sociedade petropolitana que lê este meu artigo que diga NÃO à continuidade das charretes, pois nada justifica a dor e o sofrimento dos equinos.   A vida é um constante devir e, consequentemente, tudo se modifica à medida que o tempo passa.   Sugiro que as charretes ou vitórias sejam substituídas pelos carrinhos movidos à bateria que darão continuidade ao passeio turístico, empregando ex-charreteiros e libertando os infelizes equinos deste sofrimento inadmissível, por causa de ideias retrógradas que atravessam o tempo, lamentavelmente.  Tenhamos um mínimo de compaixão pelos animais, afinal, sendo eles sencientes como todos nós, não merecem sofrer para atender a ideias ultrapassadas, àquilo que atenta ao bom senso e a razão da vida em sua ampla diversidade.

Gilberto Pinheiro
jornalista, palestrante em escolas,
universidades, ex-consultor da CPDA/OAB-RJ
destacando a senciência e direitos dos animais 

Somos o coração, a alma, a voz dos animais



Edição anterior (1386):
segunda-feira, 27 de agosto de 2018
Ed. 1386:

Capa

Compartilhe:

Voltar:

HOJE

Edição anterior (1386): segunda-feira, 27 de agosto de 2018

Ed.1386:

Compartilhe:

Voltar: