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Golpes digitais disparam em Petrópolis e acendem alerta para prejuízos financeiros

Foto: Reprodução
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Jamis Gomes Jr. - especial para o Diário de Petrópolis

O número de casos de estelionato disparou em Petrópolis no início de 2026 e acendeu um alerta entre autoridades e comerciantes da cidade. Dados do Instituto de Segurança Pública (ISP), divulgados pelo g1, mostram que, apenas nos dois primeiros meses do ano, foram registradas 540 ocorrências, um aumento de mais de 40% em relação ao mesmo período de 2025, quando houve 386 casos.

O avanço é puxado, principalmente, pelos golpes aplicados no ambiente digital. Em janeiro, foram 267 registros, contra 198 no ano anterior. Já em fevereiro, o salto foi ainda maior: de 188 para 273 ocorrências. Entre os crimes mais comuns estão falsas vendas em redes sociais, pedidos de transferência via PIX e mensagens em que criminosos se passam por conhecidos das vítimas.

De acordo com a Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), a facilidade das transações digitais tem contribuído para esse cenário. A rapidez nas operações, embora prática, reduz o tempo de reflexão do consumidor e abre espaço para decisões precipitadas, muitas vezes com prejuízo financeiro.

Crimes virtuais impulsionam crescimento dos casos

Para o delegado Nei José Ramos Loureiro, titular da 105ª Delegacia de Polícia, no Retiro, o crescimento dos casos está diretamente ligado à expansão dos crimes virtuais. Segundo ele, os golpistas têm utilizado aplicativos de mensagens e redes sociais para alcançar mais vítimas em menos tempo.

“O aumento dos casos de estelionato está diretamente relacionado à expansão dos crimes praticados em ambiente digital. Golpistas têm se aproveitado do uso massivo de aplicativos de mensagens e redes sociais para aplicar fraudes com maior alcance e rapidez”, explica.

O delegado destaca que, entre os golpes mais recorrentes na cidade, estão o do falso parente pelo WhatsApp, o do falso advogado, anúncios fraudulentos em plataformas de venda, além de clonagem de contas e centrais telefônicas falsas. Ele também ressalta que a maior conscientização da população e a facilidade de registro online podem influenciar na elevação dos números.

Investigação e atuação da Polícia Civil

Sobre o combate a esse tipo de crime, Loureiro afirma que a Polícia Civil tem investido em tecnologia e integração com outros órgãos.

“As apurações contam com análise de dados telemáticos, rastreamento de transações financeiras e cooperação com instituições bancárias e operadoras de telefonia. Além disso, há atuação integrada com outras unidades da federação, já que muitos desses golpes são praticados por organizações fora do município”, detalha.

A orientação para a população, segundo o delegado, é manter a cautela diante de qualquer solicitação envolvendo dinheiro.

“A principal orientação é desconfiar de pedidos urgentes, especialmente por mensagens ou ligações. É fundamental confirmar a identidade da pessoa por outro meio antes de realizar qualquer transferência”, alerta.

Ele também reforça que, em caso de golpe, a vítima deve agir rapidamente.

“A pessoa deve procurar imediatamente uma delegacia, com todos os comprovantes, e comunicar o banco para tentar bloquear a transação. Quanto mais rápida for a comunicação, maiores são as chances de reduzir os prejuízos”, completa.

Direitos do consumidor e caminhos legais

Do ponto de vista jurídico, a advogada Gabriella Dias, da Lima Vasconcellos Advogados, que atua na defesa do consumidor, reforça a importância de uma resposta rápida após o crime.

“Se você tiver sido vítima de um desses golpes, é importante agir rápido. Busque ajuda do seu banco, faça uma contestação e, mais importante ainda, um boletim de ocorrência. Esse documento vai te resguardar para eventuais perdas lá na frente e até mesmo na hora de ingressar com o processo judicial”, orienta.

Ela explica que o apoio jurídico pode ser fundamental, principalmente quando não há retorno por parte das instituições financeiras.

“O advogado é importante nessa atuação a partir do momento em que o banco não oferece o suporte necessário. É possível buscar a responsabilização do banco por meio de uma ação judicial, garantindo que o consumidor tenha seus direitos preservados”, afirma.

Apesar do aumento dos casos, uma parcela da população já demonstra maior cautela: cerca de metade dos consumidores afirma desconfiar de contatos suspeitos. Ainda assim, o impacto dos golpes segue relevante, quase um terço das vítimas não consegue recuperar o dinheiro perdido, e muitos acabam enfrentando consequências como nome negativado e necessidade de recorrer à Justiça.

Diante desse cenário, especialistas reforçam que a prevenção continua sendo a melhor estratégia. Evitar redes Wi-Fi públicas em transações financeiras, ativar a autenticação em duas etapas e desconfiar de mensagens com senso de urgência estão entre as principais recomendações para reduzir o risco de cair em fraudes.

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