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Golpes digitais fazem cada vez mais vítimas em Petrópolis somando centenas de registros em 2026

Fraudes por WhatsApp, sites falsos e falsas centrais bancárias avançam pelo país

Foto: Reprodução
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Larissa Martins

Por meio de mensagens falsas, perfis hackeados, sites fraudulentos ou e-mails, os criminosos utilizam diferentes modalidades de golpes digitais para enganar as vítimas e obter dinheiro.

Somente nos primeiros meses desse ano, 874 ocorrências desse tipo foram registradas nas delegacias de Petrópolis, aponta o Instituto de Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro (ISP-RJ). Pelo menos 334 delas apenas em março, 273 em fevereiro e 267 em janeiro.

Golpes do site fraudulento

Ninguém está imune a essas tentativas, nem mesmo os órgãos públicos. Recentemente, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) alertou para o uso indevido de seu nome e logotipo em um site, coletando dados sensíveis de pessoas desavisadas, para fins desconhecidos, no endereço eletrônico https://concurso-ibge-2026.netlify.app . O IBGE esclareceu que o endereço não possui relação com o Instituto e alertou a todos que sejam cautelosos antes de compartilhar seus dados pessoais por meios digitais.

Esse não é um caso isolado, o Departamento de Trânsito do Estado do Rio de Janeiro (Detran RJ) informou que voltou a constatar a existência de sites falsos que buscam levar os cidadãos ao pagamento indevido de taxas, débitos e outros valores. As mais recentes tentativas de fraude estão relacionadas às mudanças nas regras para obter a primeira habilitação ou para renovar a CNH. Os sites falsos copiam a identidade visual de portais oficiais do Governo, na tentativa de enganar os usuários.

Da mesma forma, o Detran RJ reforçou que não envia notificação de multas aos usuários por e-mail ou SMS. Qualquer tentativa de comunicação eletrônica sobre infração de trânsito ou suspensão da CNH é golpe e poderá direcionar os cidadãos para o pagamento indevido de débitos. As notificações de infração são enviadas apenas por carta registrada, para o endereço do usuário cadastrado no Departamento.

Golpe do emprego

Em meio à corrida por uma recolocação no mercado de trabalho, criminosos vêm se aproveitando até mesmo da ansiedade de candidatos para aplicar o chamado golpe do falso emprego, que começa com uma vaga imperdível e pode terminar com dados pessoais expostos e transferências indevidas para contas de criminosos.

A Febraban (Federação Brasileira de Bancos) e seus bancos associados alertam que os criminosos descobrem informações de usuários que estão em busca de vagas de trabalho. Os bandidos se passam por falsos recrutadores e também como integrantes de falsas agências de emprego enviando mensagens por WhatsApp, e-mail ou em redes sociais.

Oferecem uma vaga considerada irrecusável, com salários acima da média do mercado e com exigências mínimas. A partir daí, podem fazer várias falsas exigências com o objetivo de cometer crimes: pedir que o interessado faça um curso rápido pago para poder se adequar à falsa vaga; solicitar dinheiro para falsos exames médicos e até pedir documentos pessoais e dados bancários para que posteriormente cometam crimes.

“Ao receber uma proposta de emprego por canais digitais, o primeiro passo deve ser a confirmação da procedência. Verifique a idoneidade da empresa e utilize o LinkedIn ou sites oficiais para atestar a veracidade da oferta antes de compartilhar qualquer dado ou iniciar uma conversa”, afirma Raphael Mielle, diretor de Serviços e Segurança da Febraban.

O diretor também alerta que o cliente deve tomar muito cuidado se for solicitado o envio de documentos e até pedida uma assinatura digital durante o suposto processo da seleção de emprego. “Este tipo de demanda é para roubar documentos e dados pessoais e financeiros das vítimas para que posteriormente os bandidos possam praticar crimes.”

Atenção às dicas

Veja as dicas separadas pela Federação para que a população evite cair no golpe do falso emprego:

Valide a abordagem: Ao receber uma oferta por e-mail ou WhatsApp, confirme se o domínio do e-mail é corporativo e se o perfil do recrutador é profissional e possui conexões reais

Analise a proposta: Desconfie de promessas de salários muito acima da média para funções que exigem pouca experiência ou critérios de seleção simplificados demais

Use canais oficiais: Antes de clicar em links, busque a vaga diretamente no site da empresa ou na página oficial dela no LinkedIn para garantir que a oportunidade existe

Pagamento zero: Lembre-se que nenhuma empresa séria cobra taxas para participação em processos seletivos, exames admissionais ou cursos "obrigatórios" de pré-contratação

Proteja seus dados: Evite o envio de fotos de documentos, dados bancários ou a realização de assinaturas digitais antes de ter certeza da idoneidade da empresa e de ter passado por uma entrevista (presencial ou por vídeo).

Golpe da falsa central bancária

Por falar em banco, outro golpe que tem crescido é o da falsa central bancária, uma prática que combina tecnologia, acesso indevido a dados pessoais e manipulação psicológica para enganar vítimas e provocar prejuízos muitas vezes irreversíveis.

De acordo com a advogada Gabriella Dias, da Lima Vasconcellos Advogados, o golpe se caracteriza pela atuação de criminosos que se passam por funcionários de instituições financeiras. “Eles entram em contato com a vítima alegando movimentações suspeitas e induzem a pessoa a fornecer dados ou realizar operações financeiras”, explica. Segundo ela, o aumento desse tipo de crime está diretamente ligado a vazamentos de dados e falhas nos sistemas de segurança. “Muitas vezes eles informam CPF, saldo da conta, número do cartão e outros dados que deveriam ser sigilosos. Isso gera confiança e reduz a desconfiança da vítima”, acrescenta.

No campo da prevenção, a principal orientação é simples, mas decisiva: interromper o contato. “Se houver qualquer suspeita, a pessoa deve desligar imediatamente e entrar em contato com o banco pelos canais oficiais, como o telefone do verso do cartão ou o aplicativo”, orienta.

Também é possível adotar medidas adicionais de proteção, como ativar filtros de chamadas desconhecidas, utilizar bloqueadores de spam e evitar a instalação de aplicativos fora das lojas oficiais. Segundo a advogada, a orientação familiar também é fundamental, especialmente para pessoas mais vulneráveis.

Para quem já foi vítima, o tempo de reação é determinante. “É essencial interromper qualquer operação e acionar o banco imediatamente para tentar bloquear a transação. Existe um mecanismo específico para o PIX que pode permitir a devolução do valor, dependendo da rapidez da comunicação”, explica.

Além disso, o registro de ocorrência deve ser feito o quanto antes, seja presencialmente ou pela delegacia eletrônica. A recomendação é reunir todas as provas possíveis, como comprovantes de transferência, prints de conversas, registros de ligação e protocolos de atendimento.

Endurecimento da pena

A entrada em vigor da Lei nº 15.397/2026 é uma das mais amplas revisões recentes no tratamento penal de crimes patrimoniais no Brasil. Sancionada e publicada no Diário Oficial da União nesta semana, em 4 de maio, a norma cria tipificações voltadas a fraudes digitais e crimes envolvendo bens de maior impacto econômico.

A lei tipifica a chamada “fraude eletrônica”, com pena de 4 a 8 anos de reclusão, abrangendo práticas como golpes aplicados por redes sociais, aplicativos, e-mails fraudulentos e clonagem de dispositivos. Também passa a ser criminalizada a “cessão de conta laranja”, quando uma conta bancária é disponibilizada para movimentação de recursos ilícitos.

Para o advogado especialista em direito penal, Rafael Junior Soares, as alterações na lei atualizam o sistema penal diante de novas formas de criminalidade. “Há uma ampliação clara do rigor em condutas que hoje têm grande impacto econômico e social, especialmente no ambiente digital. O Código Penal passa a dialogar mais diretamente com práticas que se sofisticaram nos últimos anos”, afirma. Segundo ele, a mudança não se limita ao aumento de penas. “A lei também reorganiza a forma como esses crimes são enquadrados. A fraude eletrônica, por exemplo, passa a ter contornos mais bem definidos, o que tende a influenciar diretamente a atuação policial e o andamento das investigações”, diz.

O advogado destaca ainda que o impacto prático dependerá da aplicação pelos tribunais. “Alterar a pena é uma etapa importante, mas a efetividade dessa política criminal vai depender da capacidade de investigação, da resposta do Judiciário e da integração com o sistema financeiro e digital, especialmente nos crimes de fraude”, avalia.

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