Edição anterior (4289):
sábado, 06 de junho de 2026


Capa 4289

Gordura abdominal vai além da estética e aumenta risco de infarto, AVC e diabetes, alertam especialistas

Acúmulo de gordura na região da barriga está associado a inflamações, hipertensão e doenças cardiovasculares; especialistas explicam como reduzir os riscos sem recorrer a dietas radicais

Foto: Unsplash
Foto: Unsplash


Jamis Gomes Jr. - estagiário

A preocupação com a gordura abdominal costuma surgir por motivos estéticos. Afinal, muitas pessoas procuram academias e dietas em busca de uma silhueta mais definida e de roupas que vistam melhor. No entanto, especialistas alertam que o excesso de gordura acumulada na região da barriga representa um problema muito mais amplo, capaz de afetar diretamente a saúde e aumentar o risco de doenças graves.

Estudos científicos apontam que a chamada gordura visceral, localizada ao redor dos órgãos internos, está relacionada ao desenvolvimento de hipertensão arterial, diabetes tipo 2, colesterol elevado e doenças cardiovasculares. Além disso, pesquisas indicam que ela pode contribuir para processos inflamatórios crônicos no organismo.

Levantamentos realizados por instituições internacionais, incluindo pesquisas da Universidade Harvard, nos Estados Unidos, mostram que o tecido adiposo abdominal produz substâncias inflamatórias que podem desencadear uma série de alterações metabólicas. Entre elas estão proteínas associadas à inflamação sistêmica e ao estreitamento dos vasos sanguíneos, fatores que favorecem o surgimento de doenças cardíacas e circulatórias.

Para o cardiologista Bruno Vogas Lomba Tavares, professor da UNIFASE/FMP, a localização da gordura corporal é um aspecto importante para avaliar os riscos à saúde.

“Existem dois tipos de obesidade; centrípeta e centrífuga. A obesidade centrípeta é caracterizada pela deposição de gordura intra-abdominal e a centrífuga, pelo depósito de gordura nas nádegas e coxas. Também popularmente conhecidas como obesidade maçã e pêra, respectivamente”, afirma.

Segundo o especialista, a gordura acumulada dentro da cavidade abdominal é metabolicamente mais ativa e produz substâncias capazes de desencadear diversos problemas no organismo.

“A gordura visceral, dentro do abdome, é uma usina de produção de mediadores inflamatórios que causam, entre outros efeitos adversos, resistência insulínica, com conseqüente, hiperglicemia e diabetes além de vasoconstrição, acarretando hipertensão arterial”, continua.

O médico destaca que esses fatores não atuam isoladamente. Quando associados a outros riscos cardiovasculares, o cenário pode se tornar ainda mais preocupante.

“Estes fatores de risco associados ao tabagismo e dislipidemia aumentam a chance de acidente vascular encefálico ou infarto do miocárdio”, explica.

Alimentação inadequada favorece o acúmulo de gordura
Embora a genética, a idade e alterações hormonais tenham influência sobre o peso corporal, os hábitos alimentares continuam sendo determinantes para o acúmulo de gordura abdominal.

De acordo com a nutricionista Fernanda Muniz, mestre em Alimentação, Nutrição e Saúde e professora da UNIFASE, alguns comportamentos comuns do dia a dia ajudam a explicar o aumento dos índices de sobrepeso e obesidade observados atualmente.

“O acúmulo de gordura abdominal está relacionado a diversos fatores, mas alguns erros alimentares são muito frequentes. Entre eles, destacam-se o consumo excessivo de alimentos ultraprocessados, ricos em açúcares, gorduras de baixa qualidade e sódio; a ingestão frequente de bebidas açucaradas; o hábito de beliscar ao longo do dia sem perceber a quantidade consumida; e a baixa ingestão de frutas, verduras, legumes e alimentos ricos em fibras”, explica.

Outro fator apontado pela especialista é a irregularidade das refeições, situação comum na rotina de muitas pessoas.

“Outro ponto importante é a irregularidade alimentar. Muitas pessoas passam longos períodos sem se alimentar e acabam compensando com refeições maiores e mais calóricas posteriormente. Além disso, o consumo excessivo de álcool também favorece o aumento da gordura abdominal”, afirma.

Segundo Fernanda, fatores externos também influenciam diretamente o metabolismo e o armazenamento de gordura.

“Vale destacar que fatores como privação de sono, estresse crônico, sedentarismo e alterações hormonais, especialmente durante a menopausa, também influenciam significativamente o acúmulo de gordura na região abdominal”, completa.

Proteínas e fibras são aliadas

Entre as recomendações mais frequentes para quem deseja emagrecer está o aumento do consumo de proteínas e fibras. Embora esses nutrientes não sejam capazes de promover a perda de gordura de forma isolada, eles desempenham papel importante dentro de uma alimentação equilibrada.

“Proteínas e fibras são importantes aliadas no processo de redução da gordura corporal, incluindo a gordura abdominal. As proteínas promovem maior saciedade, ajudam na preservação da massa muscular durante o emagrecimento e possuem maior efeito térmico, aumentando o gasto energético da digestão. Já as fibras auxiliam no controle da fome, melhoram o funcionamento intestinal e contribuem para um melhor controle da glicemia”, diz a nutricionista.

Apesar dos benefícios, Fernanda ressalta que não existe fórmula mágica para eliminar a gordura abdominal.

“No entanto, não existe um nutriente capaz de reduzir gordura abdominal isoladamente. O resultado depende do contexto geral da alimentação, da qualidade do sono, da prática regular de atividade física, do controle do estresse, do equilíbrio hormonal e, principalmente, da manutenção de um déficit calórico adequado quando o objetivo é emagrecer”, explica.

Sono, exercícios e rotina saudável fazem diferença

Além da alimentação, especialistas reforçam que a qualidade do sono e a prática regular de atividade física exercem papel fundamental na prevenção das doenças relacionadas ao excesso de gordura corporal.

Dormir pouco ou mal pode alterar hormônios ligados à fome e à saciedade, aumentando o consumo de alimentos ao longo do dia. O estresse também contribui para esse cenário, já que está associado à elevação dos níveis de cortisol, hormônio que favorece o armazenamento de gordura abdominal.

A atividade física, por sua vez, auxilia na queima calórica, melhora o condicionamento cardiovascular e contribui para a preservação da massa muscular. Caminhadas, corridas, ciclismo, natação e exercícios de força estão entre as atividades mais recomendadas pelos profissionais de saúde.

Para o cardiologista Bruno Vogas, a combinação entre alimentação adequada e exercícios continua sendo a principal estratégia para controlar os fatores de risco associados à gordura abdominal.

“Portanto, para correção destes fatores de risco é necessário dieta de restrição de produtos muito calóricos associada à queima de calorias através de exercícios físicos predominantemente aeróbicos, para que o gasto calórico diário seja maior que o consumo até atingir um equilíbrio saudável”, explica.

Mudanças graduais costumam trazer melhores resultados

Fernanda Muniz destaca que o caminho mais eficiente para quem deseja reduzir medidas e melhorar a saúde não passa por dietas extremas ou restrições severas.

“O primeiro passo é abandonar a ideia de que é necessário cortar grupos alimentares ou seguir dietas extremamente restritivas para perder gordura abdominal. Na maioria dos casos, pequenas mudanças consistentes geram resultados mais duradouros”, destaca.

A nutricionista recomenda priorizar alimentos naturais ou minimamente processados, manter uma rotina alimentar organizada e buscar hábitos que possam ser sustentados ao longo do tempo.

“Uma estratégia prática é priorizar alimentos in natura ou minimamente processados em todas as refeições, como frutas, legumes, verduras, feijões, ovos, leite e derivados, carnes magras e cereais integrais. Também é importante garantir uma boa fonte de proteína em cada refeição, aumentar o consumo de fibras e manter uma hidratação adequada”, completa.

Ela reforça que o sucesso no processo de emagrecimento depende da constância.

“O foco deve ser a construção de hábitos que possam ser mantidos a longo prazo. O emagrecimento saudável não acontece por meio de restrições extremas, mas pela adoção de escolhas alimentares equilibradas e consistentes no dia a dia”, conclui.

Hoje, a gordura abdominal é considerada um importante indicador de risco para diversas doenças. Por isso, especialistas recomendam atenção aos hábitos de vida, acompanhamento profissional quando necessário e a adoção de mudanças graduais que contribuam para uma melhor qualidade de vida e saúde cardiovascular.

Edição anterior (4289):
sábado, 06 de junho de 2026


Capa 4289




• Home
• Expediente
• Contato
 (24) 99993-1390
redacao@diariodepetropolis.com.br
Rua Joaquim Moreira, 106
Centro - Petrópolis
Cep: 25600-000

 Telefones:
(24) 98864-0574 - Administração
(24) 98865-1296 - Comercial
(24) 98864-0573 - Financeiro
(24) 99993-1390 - Redação
(24) 2235-7165 - Geral